Inventário Grandes Musas da Boca

Nydia de Paula

 

Por Adilson Marcelino

Ainda que a produção da Boca do Lixo, em São Paulo, seja infinitamente maior, também no Rio de Janeiro o cinema popular fez história revelando talentos atrás e a frente das câmeras. Daí, era comum deusas que circulavam pelas duas geografias terem se tornado musas dos dois pedaços. Como a carioca Nydia de Paula.

Nydia de Paula nasceu em 28 de agosto de 1949, em  Lages do Muriaé, Rio de Janeiro – em outra fonte consta que foi em cidade vizinha.

A carreira artística começou por acaso, quando descoberta nas praias cariocas, tornando-se manequim. Um dos desfiles foi no Programa Flávio Cavalcanti, quando venceu o concurso A Garota da Capa, da Revista Cruzeiro – mas já antes dela já causou furor na capa de Fatos e Fotos.

Essa carreira de modelo fotográfico faria de Nydia de Paula uma das mulheres mais desejadas do país, pois ilustrou inúmeros calendários daqueles gigantes da Pirelli que enfeitavam dez entre dez oficinas mecânicas espalhadas pelo país e faziam a alegria dos marmanjos, além de se tornar objeto marcante do imaginário popular brasileiro.

A estreia no cinema foi em Missão: Matar, em 1972, produção carioca dirigida por Alberto Pieralisi. E é no Rio de Janeiro que Nydia de Paula vai rodar seus primeiros filmes: Tormento: A Sombra de Um Sorriso (1972), de Ozen Sermet; e Um Virgem na Praça (1973), de Roberto Machado.

Nesta época, um dos destaques em solo carioca é no interessante filme do ator e diretor Paulo Porto, As Moças Daquela Hora (1973), em que jovens vivenciam situações adversas que acabam carimbando seus passaportes para o território de uma cafetina.

A estreia de Nydia de Paula nos domínios da Boca do Lixo se dá em Como Evitar o Desquite (1973), dirigido por Konstantin Tkaczenko. Protagonizado por Roberto Bataglin e pela musa Suely Fernandes, o filme tem na trama as desavenças de um casal às voltas com a infidelidade. A atriz marca presença como a chefe da Olho por Olho, uma agência de investigações,  em que o maridão bate á porta para tentar resolver seu caso.

Nydia de Paula passa então a circular entre a produção carioca e paulista. No Rio de Janeiro atua nos filmes Os Mansos (1973), em episódio de Braz Chediak; Um Varão Entre as Mulheres (1974), de Victor di Mello; o ótimo Ainda Agarro Esta Vizinha (1974), de Pedro Carlos Róvai; Costinha e o King Mong (1977), de Alcino Diniz; O Homem de Seis Milhões de Cruzeiros Contra as Panteras (1975/78), de Luis Antonio Piá.

Já na Boca do Lixo, Nydia de Paula brilha em vários filmes, alcançando o posto de musa amada e desejada.

Em Trote dos Sádicos (1974), uma produção da Servicine dirigida por Aldir Mendes, Nydia integra a turma de veteranos que barbariza os calouros em uma universidade com trotes que vão ficando cada vez mais violentos. Já em O Supermanso (1974), encontra o cinema do grande Ary Fernandes, que já realizara a série cult O Vigilante Rodoviário e mais alguns outros tantos longas.

Nydia de Paula é um chamariz tão grande de público, que em O Sexualista (1975), de Egydio Eccio, faz apenas uma participação fazendo um strip tease, mas isso não a impede de ter destaque no cartaz do filme protagonizado por Agildo Ribeiro, Rogéria e pela musa Nadyr Fernandes.

E é o ator e cineasta Egydio Eccio que reserva um de seus melhores papéis para a atriz em O Leito da Mulher Amada (1975).

O filme em episódios Cada Um Dá o Que Tem (1975) reúne os talentos dos cineastas Adriano Stuart, John Herbert e Sílvio de Abreu nesta produção de Aníbal Massaíni Neto.

Nydia, que está belíssima, atua em Uma Grande Vocação, de Silvio de Abreu. Na trama, Ewerton de Castro está a caminho do seminário, mas antes passa um final de semana na casa de parentes. O que ele não imaginava é que cairá em um verdadeiro covil, onde circulam deusas como Suzana Gonçalves, Meiry Vieira, Matilde Mastrangi, Tânia Caldas e a própria Nydia, a priminha com quem brincava de médico quando criança e que agora abraçará sua bíblia para tentar se afastar da tentação.

1979 marca os últimos filmes de Nydia de Paula, dessa vez em títulos de dois dos mais importantes cineastas da Boca, os veteranos Carlos Coimbra e José Miziara.

Com Carlos Coimbra, Nydia atua no épico O Caçador de Esmeraldas, filme produzido por Aníbal Massaini Neto sobre a bandeira de Fernão Dias Paes Leme, interpretado por Joffre Soares. Aqui, Nydia é uma índia capturada e alçada ao posto de amante de José Dias, o filho bastardo de Fernão, interpretado por Roberto Bonfim.

Já com Miziara, faz pequena,  mas marcante participação em Nos Tempos da Vaselina, como a garota do pôster que povoa as fantasias de João Carlos Barroso, que se alivia em uma bananeira, em uma divertida associação com os delírios que atriz provocou em muita gente com seus calendários sensuais.

 

Filmografia

Missão: Matar, 1972, Alberto Pieralisi
Tormento: A Sombra de Um Sorriso, 1972, de Ozen Sermet
Um Virgem na Praça, 1973, de Roberto Machado
As Moças Daquela Hora, 1973, de Paulo Porto
Como Evitar o Desquite, 1973, de Konstantin Tkaczenko
Os Mansos, 1973, em episódio de Braz Chediak
Um Varão Entre as Mulheres, 1974, de Victor di Mello
Ainda Agarro Esta Vizinha, 1974, de Pedro Carlos Róvai
Trote de Sádicos (1974), de Aldir Mendes
O Supermanso, 1974, de Ary Fernandes
O Sexualista, 1975, de Egydio Èccio
O Leito da Mulher Amada, 1975, de Egydio Éccio
Cada Um Dá o Que Tem, 1975, em episódio de Sílvio de Abreu
Costinha e o King Mong, 1977, de Alcino Diniz
O Homem de Seis Milhões de Cruzeiros Contra as Panteras, 1975/78, de Luis Antonio Piá
O Caçador de Esmeraldas, 1979, de Carlos Coimbra
Nos Tempos da Vaselina, 1979, de José Miziara

 

Onda Nova

Dossiê Ênio Gonçalves

Onda Nova
Direção: Ìcaro Martins e José Antonio Garcia
Brasil, 1983.

Por Leonardo Amaral

 

Em 1983, o Brasil vinha de uma eliminação traumática para a Itália na Copa do Mundo do ano anterior. Um time tido por muitos como um dos melhores que o país já teve, mas que acabou sucumbindo e não sendo campeão. Essa equipe é reflexo de uma época fértil em ótimos jogadores (Zico, Sócrates, Toninho Cerezo, Reinaldo, Eder, Júnior, Falcão) do futebol brasileiro. Um período que também ficou marcado por um movimento realizado por alguns jogadores no Corínthians que ficou conhecido como Democracia Corintiana. Sócrates, Casagrande, Wladimir eram os líderes dessa política que decidia se os jogadores se concentrariam para as partidas ou não, se deveriam fazer isso ou aquilo. Não é à toa que Casagrande (mesmo brigando com a produção do filme e abandonando as filmagens) e Wladimir fazem parte do elenco de Onda Nova. A década de 1980 tem esse traço de liberdade, tanto no cinema como no futebol, e isso reflete diretamente nas opções estéticas e temáticas feitas pelos diretores Zé Antônio Garcia e Ícaro Martins.

Já no começo do filme, os créditos com as funções e elenco são apresentados ao ar livre, pichados em panos pelas atrizes. Em seguida, uma partida de futebol: homens vestidos com roupas femininas (dentre os quais, Casagrande e Wladimir) contra mulheres, com um desafio entre a goleira Lili (Cristina Mutarelli), do Gaivotas Futebol Clube e Casagrande, do time adversário. Se ele marcasse um gol, ela teria que cortar o cabelo estilo Waldir Peres, goleiro do São Paulo e da seleção brasileira na época. São muitas as referências a ícones do cinema e do futebol daquele momento: em certo momento, a mãe de uma das jogadoras (Cyda Moreira), taxista, fala que conhecia intimamente Vicente Mateus, folclórico presente do Corínthians; há também instantes em que a personagem Rita (Carla Camurati) sonha em trabalhar em um filme de Walter Hugo Khouri e insiste em encontrá-lo na cidade; sem contar no próprio Chacrinha, que é citado quando as meninas supostamente vão ao seu programa para falarem de futebol.

Se hoje pensarmos as dificuldades encontradas pelo futebol feminino e o cinema nacional, na década de 1980 as coisas ainda eram mais complicadas. Não é por menos que a goleira Lili precisa fugir de casa, pois os pais, conservadores, não vêem com bons olhos o fato da garota ser jogadora de futebol e muito menos viver um caso amoroso com um casal homossexual. Preconceitos e conservadorismos oitocentistas que acabam desconstruídos por Ícaro Martins e Zé Antônio Garcia em um instante histórico no Brasil, com a proximidade do encerramento do regime ditatorial no país. Onda Nova não teme o erro (por isso mesmo não vai se furtar de mostrar uma cena em que Carla Camurati sai de uma mesa de bar para ir a outro lugar, e, ao correr, cai no chão enquanto todos os outros começam a rir), o erotismo (são várias as cenas de sexo, nudez de belos corpos) e o caráter libertário (as meninas rompem com tradições, jogam futebol, saem de casa, se libertam sexualmente).

Essa liberdade se reflete, inclusive, na mise-en-scène, oferecendo ao espectador algumas cenas bastante memoráveis. Como, por exemplo, a de Tânia Alves, que é casada com um ex-jogador Ado (Ênio Gonçalves) e é mãe de Batata, craque do time das Gaivotas. Em um bar, Tânia Alves canta ‘Vale Tudo’, de Tim Maia, enquanto as meninas trocam flertes no local. Um filme libertário que mostra seus extremos nas relações de duas famílias bem diferentes. Em contraponto à família conservadora de Lili, a relação liberal dos personagens de Tânia Alves e Ênio Gonçalves, em seus momentos de intimidade e também com a família. Em um desses instantes, uma bela cena, que reflete a proximidade de pai e filha, quando Gonçalves joga futebol de botão com a filha enquanto comentam de coisas da vida. Onda Nova é também essa forma de falar daquele tempo a partir desses vários fragmentos.

Em outro momento recordável, Vera Zimmermann beija uma outra garota dentro do taxi. A intimidade das duas é filmada por uma meia luz e essa fotografia de Antônio Meliande ressalta os contornos dos corpos. A sensualidade do filme está muito ligada a esse trabalho de iluminação e câmera.

Em uma das melhores cenas de Onda Nova, Caetano Veloso entra em um taxi para se atracar com uma fã. Eles se pegam no banco de trás e percorrem uma parte de São Paulo: Liberdade, Trianon, Minhocão. A cada parada, pedem para que a corrida continue, a cada mudança, uma alteração na trilha, finalizada com Dirty Love, de Frank Zappa. Ao final, sem dinheiro para pagar o deslocamento, Caetano solta uma pérola: “é que não estou acostumado a andar com dinheiro, pois todo mundo paga as coisas para mim”. Essa é apenas uma das várias partes nada protocolares do roteiro de Onda Nova, como no caso de uma das mais novas meninas do Gaivotas, que vai até o centro de treinamento corintiano para pedir que Casagrande seja o responsável por tirar sua virgindade. O filme segue sempre nessa quebra dos padrões, com diversas colagens de situações que evidenciam uma juventude de São Paulo ansiosa por novas experiências. E o longa segue essas experimentações, inclusive em sua trilha sonora, com canções de Tim Maia, Michael Jackson, David Bowie, e outro ícones pops da década.

Experimentar sem medo talvez seja a expressão maior de Onda Nova. O futebol torna-se, então, uma espécie de metáfora de libertação. Em uma das imagens mais poéticas do filme, Marcelo, após a morte acidental de seu amante Ruy (após transarem, eles brincam de roleta russa e, por infelicidade, a arma estava carregada com uma bala), tenta avisar Lili sobre o que havia acontecido. Mas ela estava numa partida das Gaivotas contra a seleção feminina italiana (sugestão de vingança contra a Itália, dita inclusive por Osmar Santos, que narra a partida). Chocado pela morte do namorado, Marcelo caminha, solitário e desolado, pelas avenidas de São Paulo até encontrar um campinho batido de terra, onde joga, seminu, uma partida de futebol com desconhecidos. Os sons da cidade se fundem à narração de Osmar Santos do jogo que se passa. Futebol e vida se misturam, ambos são partes de uma mesma narrativa e sinônimos de uma mesma coisa: liberdade.

Leonardo Amaral é crítico pela revista Filmes Polvo e co-editor da Revista Lateral.

Força Estranha – Estranhos Prazeres de Uma Mulher Casada

Dossiê Ênio Gonçalves

Força Estranha – Estranhos Prazeres de Uma Mulher Casada
Direção: Pedro Mawashe
Brasil, 1980.

Por Leo Pyrata

Força Estranha – Estranhos Prazeres de Uma Mulher Casada é uma deliciosa picaretagem nonsense que só o glorioso período do cinema brasileiro em sua forma mais lasciva poderia produzir. Começa com a jornalista Meg, interpretada por Aldine Müller, sendo pautada para fazer uma matéria em Paris. e daí rolam os créditos com ela passeando pela Cidade Luz. A seqüência em si está no filme de uma forma meio gratuita, ainda que possa existir a justificativa que a Cidade Luz serviria para aflorar as inquietações dessa mulher casada (ops outro filme) a partir da viagem. Rola merchandise da finada Varig e meu chute é que a viagem deve ter sido um “diferencial”  para a starlet entrar no projeto. Mas isso, sou apenas eu divagando sem chegar a lugar algum.

Enfim, depois de inserir alguns cartões postais na produção e ter uma conversa sobre fidelidade com um amigo residente em Paris, a jornalista retorna ao Brasil e é recebida pelo marido, interpretado por Ênio Gonçalves, no aeroporto. O detalhe engraçado é que ele se encontra com ela e já do saguão do aeroporto ruma para outro compromisso alegando estar atrasado. Em seguida Meg se torna alvo dos olhares dos machos de plantão. Entra num rolls royce ciceroneada por um chofer de quepe trajando uma elegante camiseta havaiana, óculos escuros e bigode. O carro conduz nossa heroína até um casarão.

Chegando lá e sem perguntar nada, ela adentra a porta de um dos cômodos e fica impossível para quem conhece um pouco da era de ouro do porno não se lembrar do Behind the Green Door, dos irmãos Mitchell. Rola um cenário kitch futurista, onde Meg é pintada num esquema surrealista do naipe Hans Donner, numa espécie de suruba cerimonial com ballet e bolero de Ravel, que lembra um pouco o começo de Sucubbus (necronomicon) do Jesus Franco. Daí pra frente, torna-se recorrente as incursões da moça em alucinações que vêm compensar sua insatisfação em sua vida de casada. Tá lembrando de Mulher Objeto?… pois é. Daí pra frente, o que temos é um cardápio bem variado de fantasias envolvendo até um sadomasoquismo bizarro com direito a um anão, um gigante e um outro cara com um chicote.

Só que ela se sente culpada com tais acontecimentos e, por ficar em dúvida e confusa sobre os eventos serem reais ou não, acaba procurando um analista pra tentar entender o que está acontecendo. Desnecessário dizer que o profissional traça a paciente e ainda diz que nunca tinha feito isso antes, afinal existe limites éticos. Mas deitar no divã ajuda Meg a avançar em sua jornada e ela decide procurar o casarão onde seus devaneios acontecem para tentar montar de uma vez aquele quebra-cabeça erótico.

Auxiliada por Silvia, uma amiga marido interpretada por Selma Egrei, que desenha pra ela a fachada dão casarão, ela segue sua busca até encontrar nas coisas do marido uma foto do casarão. Putz, eu estou contando o filme quase todo, mas vou parar por aqui, até porque o final é tão maluco que dá vontade de conhecer o roteirista só pra saber de onde ele tirou essas ideias.

Pode parecer mais uma vez que eu não gosto do filme e que o estou tratando de forma rude, sem levar em conta o contexto da época. Longe disso. Existe até um certo rigor na fotografia e Aldine Müller preenche a tela com seu carisma e seu corpo maravilhoso, mas a direção de atores inexiste. Ênio Gonçalves está bem, mesmo não tendo muito espaço no filme. A atuação do analista é bisonha e nossa querida Aldine Müller se excede um pouco nos momentos em que se enfurece, mas ainda sim a experiência de assistir um filme como Força Estranha é impar. É um banquete pra quem curte as delicias de um drama exploitation da boca e é uma aula de misticismo pra essa leva de filmes espíritas chapa branca recentes.

Leo Pyrata é estudante de cinema, ator do curta Contagem – Prêmio de Melhor Direção para Gabriel Martins e Maurílio Martins no Festival de Brasília -, diretor do curta Retrato em Vão, co-diretor do longa Estado de Sítio, e vocalista da banda Grupo Porco de Grindcore Interpretativo.

Sexo às Avessas

Dossiê Ênio Gonçalves

Sexo às Avessas
Direção: Fauzi Mansur
Brasil, 1982

Por Leo Pyrata

Nâo vi e não gostei dos Se eu fosse Você do Daniel Filho. Talvez, pois “vai contra os meus princípios, apesar de não tê-los” (valeu Guará) e os limites do meu amor pelo cinema brasileiro ficam bem antes das cercas eletrificadas do Projac. Sexo às Avessas, filme de 82 de Fauzi Mansur, opera na farsa partindo de uma premissa próxima às fitas do ator de Espelho de Carne, produzindo resultados muito mais interessantes. O filme já começa com um universo concretizando onde a inversão de papéis entre Homens e Mulheres já é fato consumado. Nele, os homens têm seu lado feminino aflorado de modo hiperbolicamente tosco e as mulheres são masculinizadas de forma caricata de acordo com a visão paternalista e retrógrada cara à época de chumbo e que ainda hoje assombra o mundinho em que vivemos – a ideia da marcha do orgulho heterossexual não me deixa mentir.

O filme começa de forma marcante com grunhidos de uma dupla de papagaios e mais adiante saberemos que, junto com tucanos e araras, faz parte do coro que comenta o filme. Logo depois temos Heleno vivido pelo sensacional Serafim Gonzales travestido de dona de casa cuidando do jardim de uma casa grande e cantarolando “você não sabe o que é consciência”, e nessa citação da canção Ai que saudades da Amélia de Mário Lago e Ataulpho Alves, as definições de universo masculino e feminino do diretor já estão mais que claras.

A definição de um gênero às avessas está caracterizada justamente na negação daquilo que o define. É como um mergulho na cabeça de uma criança que coloca a definição de ser menino como não fazer tudo aquilo que as meninas fazem. Era a lógica da época e parecer que muita coisa não mudou. Ser sensível é sinônimo de ser afeminado e ser homem é ser truculento e canalha. Até determinado momento essa simetria as avessas é respeitada e mesmo com os gêneros travestidos a orientação sexual é mantida. Depois tudo desanda e a figura masculina afeminada e submissa parece se interessar pelo semelhante. E também pelo fato de o figurino dos personagens do gênero masculino ser composto por roupas espalhafatosas que acabam por distorcer a própria proposta do filme.

Os homens que ocupam o espaço das mulheres usam roupas que reforçam a ideia de que na visão de mundo de Sexo às Avessas a única maneira de um homem ter feminilidade é desmunhecar e se vestir de forma espalhafatosa. Porém, é sintomático que nenhum deles (ou a maioria, caso eu esteja esquecendo algum momento isolado) apareça de vestido. O que não deixa de produzir um subtexto em que o papel de homem enquanto provedor (ainda que representado por mulheres de terno e gravata) é incorruptível e perdoável em seus deslizes, pois é o chefe de família. E o lugar da mulher representada pelo homem com vestuário de uma caricatura grotesca de homossexual é a cozinha. Impossível não pensar o que figuras como o Jean Garrett poderiam ter subvertido num filme que partisse de uma premissa como essa.

Um leitor desavisado pode, nessa altura do texto, achar que eu não gosto do filme e que o estou espinafrando. O que, alias, não é verdade. Acho impossível um filme comentado por papagaios, araras e tucanos (dos bons) ser ruim. Principalmente um filme do Fauzi Mansur, que antes de tudo é sincero na sua forma de ver e representar o mundo. O filme é cínico e me agrada muito a maneira contraventora com que as atrizes captam o gestual de “macho”. O trio de atores do sexo masculino formado por Ênio Gonçalves, Arlindo Barreto e pelo já citado Serafim Gonzalez consegue matizar os estereótipos do que seria uma representação feminina dentro desse universo farsesco. O filme é fiel ao raciocínio da época e assisti-lo hoje no mínimo serve para tentar entenderes melhor como fósseis e fossas da TFP ainda existem.

Leo Pyrata é estudante de cinema, ator do curta Contagem – Prêmio de Melhor Direção para Gabriel Martins e Maurílio Martins no Festival de Brasília -, diretor do curta Retrato em Vão, co-diretor do longa Estado de Sítio, e vocalista da banda Grupo Porco de Grindcore Interpretativo.

O Menino e o Vento

Dossiê Ênio Gonçalves

O Menino e o Vento
Direção: Carlos Hugo Christensen
Brasil, 1967.

Por Adilson Marcelino

Há todo um grupo de cineastas que deveria ser mais elencado quando se fala nos grandes diretores do cinema brasileiro, como Jean Garret, Claudio Cunha, Aurélio Teixeira, Paulo Porto, Alberto Salvá, Denoy de Oliveira, Xavier de Oliveira. E de ponta a ponta entre esses injustiçados está Carlos Hugo Christensen. Cineasta argentino que desenvolveu sua carreira em alguns países da América Latina – Argentina. Chile, Peru e Venezuela -, fez no Brasil uma obra arrebatadora, desde que se radicou aqui em 1954.

Um dos filmes realizados em solo brasileiro é esse estupendo O Menino e o Vento, que adaptou da obra de Aníbal Machado – O Iniciado do Vento. Aliás, Christensen revelou-se um mestre apaixonado pela literatura, que sempre serviu de base para seus grandes filmes que dirigiu no país: Aníbal Machado – Viagem aos Seios de Duília (1964) e  O Menino e o Vento; Carlos Drummond de Andrade – Enigma para Demônios (1974); Jorge Luis Borges – A Intrusa (1979).

O Menino e o Vento começa com a maria fumaça trazendo Enio Gonçalves de volta para a cidade mineira de Bela Vista, onde correu um processo à sua revelia e onde terá seu julgamento final. A acusação? o desaparecimento do adolescente Zeca da Curva – Luiz Fernando Ianelli, com quem manteve relacionamento estreito quando passou 28 dias em férias no local. Os moradores acusam-no de abuso sexual e assassinato, suspeita de crime homossexual reforçada e alimentada por Wilma Henriques, a dona do hotel que se apaixona pelo engenheiro, sem ser correspondida.

Carlos Hugo Christensen produziu, dirigiu e também assinou o roteiro junto com Millôr Fernandes, que trouxe seu talento de gênio para os diálogos do filme. Diálogos aliás decifrados e produzidos por ótimo elenco e com um Ênio Gonçalves no auge da beleza e já com o talento que demonstraria em tantos outros filmes dirigidos por cineastas de diferentes linhagens.

Há na figura e na persona de Ênio toda uma carga sutil de misterioso encanto que cabe como uma luva ao seu personagem, todo ele cheio de revelações íntimas e profundas que são encandeadas no encontro com o menino. O ator faz dobradinha perfeita com o garoto Ianelli, que viria a atuar em outros filmes do cineasta, também surpreendente como o amante do vento, elemento capaz de confortar e libertar suas descobertas do corpo e da sexualidade.

No elenco de apoio,  Wilma Henriques, a Grande Dama do Teatro Mineiro, também acerta no tom da dona de hotel que tem o desejo desperto e sedento por reciprocidade a qualquer custo.

Em O Menino e o Vento – assim como em A Ostra e o Vento (1997), que o cineasta Walter Lima Jr faria 30 anos depois -, os personagens são açoitados pelo vento, que se revelará para eles e para a cidade (ou para uma ilha)  como força libertária ou como força de punição. Destaque para a  fotografia de Antônio Gonçalves, com closes que invadem rostos e revelam o que se quer esconder como se atravessasem almas.

O Menino e o Vento é momento luminoso na cinematografia nacional e um dos grandes da década de 1960. Afinal, não é todo dia que a sexualidade é retratada em nossas telas com tamanho vigor, poesia, complexidade e beleza.

 

 

A Noite das Taras II – episódio Solo de Violino

Dossiê Ênio Gonçalves

 
A Noite das Taras II  – episódio Solo de Violino
Direção: Ody Fraga
Brasil, 1982.

 Por Matheus Trunk

Um dos maiores êxitos comerciais da carreira da produtora Dacar, A Noite das Taras dominou as salas brasileiras no seu lançamento. A película iniciou sua carreira comercial no Cine Marabá em junho de 1980. Com roteiro caprichado e direção acima da média, o longa tornou-se um dos grandes clássicos da Triunfo.

Com o dinheiro da primeira produção, o “rei da pornochanchada” preparou a continuação do filme. Infelizmente, Noite das Taras II não tem a força criativa da primeira fita. Os episódios possuem alguma inventividade e certa nostalgia. Um exemplo claro é a São Paulo focalizada em Solo de Violino. Percebemos que passados quase trinta anos, a capital paulista é outra cidade.

O episódio tem certos méritos de dramaturgia. Ody Fraga tenta imprimir um conflito na relação estabelecida entre uma mãe, Débora (Wanda Kosmo) e seu filho Rodrigo (Ênio Gonçalves). Dominadora, ela não deixa o jovem construir a própria trajetória. O personagem de Ênio tem algo de sonhador. Afinal, viver de tocar e ensinar violino na Sampa dos anos 80 tem algo de heróico. Ao final do filme, percebemos que os atores e os próprios personagens estão sendo mal aproveitados.

 Solo de Violino possui elementos centrais da obra de Fraga. Aspectos que seriam aprofundados em outros trabalhos do realizador. Dentro do cinema paulista, a produtora Dacar teve altos e baixos. Este é um filme médio com aspectos positivos e negativos. Ênio Gonçalves sempre será lembrado por seus trabalhos em dramas autorais como Filme Demência ou em comédias como Sexo ás Avessas. Este episódio fica como uma interessante tentativa de parceria de trabalho entre o ator gaúcho e a produtora Dacar do ator e produtor David Cardoso.

Nossa Canção

Por Adilson Marcelino

ADamadoA

Todo o pecado de uma Dama

No Brasil costuma-se confundir talk show com programa jornalístico e compositor de música popular com filósofo. No primeiro exemplo estão aí nomes como Jô Soares, e no segundo craques dos versos como Chico Buarque. Jô Soares não é jornalista, e aqui não vai nenhuma defesa de reserva de mercado, assim como Chico Buarque não é filósofo.

Mas temos tantos compositores geniais, de ontem e de hoje, donos de alguns versos parecem mesmo maiores que a vida. Letras de músicas como Último Desejo, de Noel Rosa, e As Rosas Não Falam, de Cartola, parecem mesmo frutos da mais alta filosofia.

Nesse time de craques, Caetano Veloso, que politicamente anda cada vez mais chato,  é danado para compor esses versos derradeiros.  Alguns exemplos? “De perto ninguém é normal”; “meu coração não se cansa de ter esperança de um dia ser tudo o que quer”; “da feia fumaça que sobe apagando as estrelas”; “todo mundo quer saber com quem você se deita, nada pode prosperar”.

ADamado2-150x146O que dizer então de “a gente não sabe o lugar certo de colocar o desejo”? Nu, é mesmo genial! Além de fazer espelho com o  Luis  Buñuel  de Esse Obscuro Objeto do Desejo – aliás, os títulos do gênio são um assombro, né?: O Anjo Exterminador; A Bela da Tarde; O Discreto Charme da Burguesia -, o verso cai como uma luva para a Solange de Sônia Braga em A Dama do Lotação.

Sim, estou falando de Pecado Original, a canção-tema que apresenta os letreiros de A Dama do Lotação (1978), de Neville D´Almeida, e de cara apresenta a trama em altíssimo estilo. Como se sabe, o filme é uma adaptação de umas das histórias de A Vida Como Ela É, de Nelson Rodrigues. E também como quase todo mundo já sabe, conta as andanças de Solange, que depois de uma noite de núpcias violenta com o maridão Nuno Leal Maia, que não aguentou mais segurar o tesão e praticamente estupra a esposa, passa a rejeitar o moço e sai, em vingança, todos os dias para trepar com quem aparece pela frente – sobretudo motoristas e passageiros, já que com seu vestido vermelho torna-se a tal Dama do Lotação do título.

A Dama do Lotação é ponto alto na carreira do interessante Neville D´Almeida, que quando começou a fazer remakes ou novas adaptações, como gosta de dizer – Matou a Família e Foi ao Cinema (1991) e Navalha na Carne (1997), sucumbiu feio. Dizem que vai refilmar sua Dama, e tremo só de pensar.

Pecado Original é daquelas músicas que grudam como chiclete, mas não como as de refrão fácil que a gente cantarola mesmo sem querer. O chiclete aqui é outro, é no imaginário, pois para quem é fã absoluto do filme como eu sou – muitos não gostam, como nosso redator Gabriel Carneiro – fica quase impossível ouvi-la sem já se lembrar do filme todo.

São muitos os versos e estrofes maravilhosos:

 Todo mundo, todos os segundos do minuto/ Vivem a eternidade da maçã /
Tempo da serpente nossa irmã /  Sonho de ter uma vida sã.

Todo beijo, todo medo / Todo corpo em movimento / Está cheio de inferno e céu /
Todo santo, todo canto /Todo pranto, todo manto /Está cheio de inferno e céu /
O que fazer com o que DEUS nos deu? /O que foi que nos aconteceu?.

Todo homem, todo lobisomem / Sabe a imensidão da fome / Que tem de viver /
Todo homem sabe que essa fome / É mesmo grande / Até maior que o medo de morrer /
Mas a gente nunca sabe mesmo / Que que quer uma mulher.

Também como se sabe, A Dama do Lotação arrastou uma multidão para os cinemas e confirmou Sônia Braga como um dos maiores sexy simbols que o Brasil já produziu.

E com certeza, Pecado Original foi a trilha perfeita.

Eterno Arena

Especial Rodolfo Arena

 
Por Adilson Marcelino

Alguns atores e atrizes fizeram do cinema brasileiro sua verdadeira casa e para ele ofereceram toda uma vida.

E um desses notáveis artistas é, sem dúvida, o paulista Rodolfo Arena, que ainda que tenha desenvolvido carreira extensa também no teatro, foi no cinema que se eternizou em personagens inesquecíveis.

Rodolfo Arena nasceu em Araraquara, São Paulo, no dia 15 de dezembro de 1910. Sua morte foi em 31 de agosto de 1980, portanto já são 31 anos que ficamos órfãos de seu extraordinário talento.

Arena estreou na carreira artística no cinema ainda criança, aos 9/10 anos, fazendo uma ponta em O Crime do Cravinhos (1920),  de Arturo Carrari. Porém, sua trajetória artística começa mesmo na adolescência, quando inicia os trabalhos no circo e no teatro – atua nas companhias de Procópio Ferreira, e, posteriormente, monta companhia com Iracema de Alencar, sua futura parceira como protagonistas no filme Em Família (1971), de Paulo Porto.

A carreira profissional no cinema se dá em Vidas Solitárias (1945), de Moacyr Fenelon,  mas o destaque já se dá no filme seguinte, O Ébrio (1946), o arrasa-quateirão dirigido por Gilda de Abreu e protagonizado por Vicente Celestino, em que ele faz o vilão José.

Bom, começa aí de fato nas telas uma das mais longínquas, e importantes,  trajetórias do cinema brasileiro, em que Arena passa por diferentes ciclos e escolas: Cinédia, chanchadas, Cinema Novo, Cinema Marginal, cinema popular, pornochanchada, era de ouro da Embrafilme nos anos 70 e 80.

Rodolfo Arena mostrou sua versatilidade atuando com cineastas de escolas tão  díspares como Eurídes Ramos, Carlos Coimbra, Carlos Diegues e Julio Bressane. Aliás, Diegues e Bressane reservaram personagens marcantes para o ator, como em Xica da Silva (1976) e Chuvas de Verão (1977), de Carlos Diegues,  no caso do primeiro; e Matou a Família e Foi ao Cinema (1969) e Barão Olavo, O Horrível (1970), no segundo.

Debruçar-se sobre a obra de Rodolfo Arena é descortinar uma galeria impressionante de filmes e de cineastas.

Alguns deles?

Watson Macedo, José Carlos Burle, Nelson Pereira dos Santos, Roberto Pires, Jece Valadão, J.B Tanko, Miguel Borges, Paulo Cesar Saraceni, Mozael Silveira, Daniel Filho, Walter Lima Jr, Paulo Thiago, Carlos Alberto Prates Correia, David Neves, Zelito Viana, Victor di Mello, Alberto Pieralisi, Leon Hirszman, Hugo Carvano, Alcino Diniz, Carlos Hugo Christensen, Flávio Migliaccio, Carlo Mossy, Claudio MaCdowell, Victor Lima, Ovaldo de Oliveira, Xavier de Oliveira, Reginaldo Faria, Marcos Farias, Fernando Campos, Renato Santos Pereira, Denoy de Oliveira, Claudio Cunha, Antonio Calmon, Jean Garrett, Neville D´Almeida.

São muitos personagens importantes, mas sem dúvida é impossível não destacar o aposentado Palhaço Guaraná, vizinho de Joffre Soares em Chuvas de Verão,  e o Seu Souza de Em Família, de Paulo Porto – Prêmio Coruja do Ouro e Premio Governador do Estado de São Paulo de Melhor Ator.

Como não se lembrar também de suas atuações em Menino de Engenho (1965), de Walter Lima Jr.,  Macunaíma (1969), de Joaquim Pedro de Andrade, e Independência ou Morte (1972), de Carlos Coimbra?

Rodolfo Arena encarnou com tanta propriedade seus personagens, aliando uma certa fragilidade a um forte tempero de ranhetice, que eles se desprendem da tela para nos acompanhar na memória e no coração.

São etenos, como ele.

 

 

Filmografia

 Dossiê Ênio Gonçalves

Filmografia

Sangue na Madrugada, 1964, Jacy Campos
Cara a Cara, 1967, Julio Bressane
O Menino e o Vento, 1967, Carlos Hugo Christensen
Juventude e Ternura, 1968, Aurélio Teixeira
Brasil Ano 200, 1969, Walter Lima Jr
Eu Dou o que Ela Gosta, 1975, Braz Chediak
Belas e Corrompidas, 1977, Fauzi Mansur
Viúvas Precisam de Consolo, 1979, Ewerton de Castro
As Intimidades de Analu e Fernanda, 1980, José Miziara
Força Estranha – Estranhos Prazeres de Uma Mulher Casada, 1980, Pedro Mawashe
P.S.: Post Scriptum, 1981, Romain Lesage
A Noite dos Bacanais, 1981, Fauzi Mansur
O olho Mágico do Amor, 1981, Ícaro Martins e José Antonio Garcia
A Noite das Taras II – episódio Solo de Violino, 1982, Ody Fraga
Sexo às Avessas, 1982, de Fauzi Mansur
Sete Dias de Agonia (O Encalhe), 1982, Denoy de Oliveira
Doce Delírio, 1982, Manoel Paiva
Tudo na Cama, 1983, Antonio Meliande
Onda Nova, 1983, Ícaro Martins e José Antonio Garcia
Promiscuidade, os Pivetes de Kátia, 1984, Fauzi Mansur
Elite Devassa, 1984, Luiz Castellini
Instinto Devasso, 1985, Luiz Castellini
Filme Demência, 1986, Carlos Reichenbach
Anjos do Arrabalde, 1987, Carlos Reichenbach
Atração Satânica, 1989, Fauzi Mansur
Gaiola da Morte, 1992, Waldir Kopesky
O Amor Está no Ar, 1997, Amylton de Almeida
Garotas do ABC, 2003, Carlos Reichenbach
Quanto Vale ou É Por Quilo?, 2005, Sérgio Bianchi
A Volta do Regresso, 2007, Marcelo Valletta

Expediente

EDITOR-CHEFE: Adilson Marcelino 

CONSELHO EDITORIAL: Adilson Marcelino, Andrea Ormond, Gabriel Carneiro, Matheus Trunk e Vlademir Lazo Correa 

REDATORES: Adilson Marcelino, Ailton Monteiro, Andrea Ormond, Daniel Salomão Roque, Diniz Gonçalves Júnior, Edu Jancz, Filipe Chamy, Gabriel Carneiro, Marcelo Carrard, Matheus Trunk, Sergio Andrade e Vlademir Lazo Correa. 

REDATORES CONVIDADOS: Cid Nader, Donny Correia, Leonardo Amaral, Leo Pyrata, Luiz Alberto Benevides, Maíra Bueno, Marcelo Miranda, Rafael Ciccarini, Ronald Perrone, Vébis Jr

CONVIDADOS ESPECIAIS: Hernani Heffner, Mário Vaz Filho 

CONTATO: revistazingu@gmail.com 

 

Adilson Marcelino tem paixão pelo cinema nacional em geral e acredita piamente na máxima atribuída a Paulo Emílio Salles Gomes, de que o pior filme brasileiro nos diz mais que o melhor estrangeiro. Chamado por um grupo de jornalistas como o Super Adilson do Cinema Brasileiro, é graduado em Letras e em Jornalismo. Trabalha com cinema desde 1991: foi bilheteiro, gerente, assessor de imprensa, programador, redator e apresentador de programa de rádio. É pesquisador, editor do site Mulheres do Cinema Brasileiro – premiado com o troféu Quepe do Comodoro, outorgado pelo Carlão Reichenbach -, e do blog Insensatez. É o atual Editor-Chefe da Zingu! 

Ailton Monteiro é mestrando em Letras-Literatura pela Universidade Federal do Ceará. Mantém desde 2002 o blog Diário de um Cinéfilo, um espaço muito querido (pelo menos por parte de seu realizador) e agraciado com o Quepe do Comodoro. Tem um gosto tão diversificado por cinema que quer ver a maior quantidade possível de filmes que o seu tempo de vida puder lhe proporcionar. Contribui eventualmente para os sites Scoretrack e Pipoca Moderna. Também tem forte interesse por literatura, religião (em seu sentido mais amplo) e rock’n’roll. 

Andrea Ormond, pesquisadora e crítica de cinema, mantém desde 2005 o blog Estranho Encontro  (http://estranhoencontro.blogspot.com), inteiramente dedicado à revisão crítica do cinema brasileiro. Escreve na revista Cinética, além de integrar o conselho editorial da revista Zingu!. Colaborações publicadas nas revistas Filme Cultura e Rolling Stone, dentre outros veículos. 

Daniel Salomão Roque possui um gosto cinematográfico bipolar, oscilante entre Jacques Tati e Jörg Buttgereit. Afeito a filmes dos mais diversos tempos, recantos e tendências, ele tem, contudo, um carinho especial pelo film noir e suas derivações, pelas fitas B estadunidenses dos anos 50/60 e pelo cinematografia popular latino-americana. Adepto de Samuel Fuller, acredita que o cinema é um campo de batalha e também uma área de garimpo: o prazer da descoberta anda lado a lado com os extremos da emoção. Ele já fez curadoria de cineclubes em parceria com a Prefeitura de Osasco, colaborou com a finada Revista Zero, manteve uma coluna sobre quadrinhos nos primórdios da Zingu! e hoje estuda História na Universidade de São Paulo. 

Diniz Gonçalves Júnior é paulistano e poeta. Tem trabalhos publicados na Cult, no Suplemento Literário de Minas Gerais, naArtéria, na Nóisgrande, na Sígnica, em O Casulo, na Zunái, na Germina, na Paradoxo, no Mnemocine, no Jornal de Poesia, na Freakpedia, e no Weblivros. Autor do livro Decalques (2008). 

Edu Jancz (pseudônimo de José Edward Janczukowicz) é jornalista diplomado, formado em Cinema pela FAAP e pelas críticas de Rubem Biáfora, Carlos M. Motta e Alfredo Sternheim (no Estadão). Gosta de cinema. Sem nenhum preconceito. Nenhum pré-conceito. Vê todos os filmes – dos faroestes italianos (dos quais é grande fã) aos clássicos mais e menos conceituados. Sua lista dos 100 melhores filmes do mundo nunca empata com a crítica “acadêmica”. Cobriu para a revista Big Man Internacional o período explícito da Boca do Lixo: desde Coisas Eróticas até o fim de sua atividade. Acredita que a Boca do Lixo – com sua vasta produção  de cinema brasileiro (sem dinheiro da Embrafilme) –  merece um resgate digno, sempre relegado pela “grande e preconceituosa imprensa”.

Filipe Chamy é geralmente descrito pelas pessoas que convivem com ele como sendo um idiota; mas é muito mais do que simplesmente isso. Fundamentalmente, é um apreciador de coisas belas, mesmo quando elas são feias. Groucho-marxista convicto, nunca fala sério — mesmo que pensem o contrário —, e tem ojeriza a autoridades (e alergia a poderosos). Tenta viver a filosofia “Hakuna Matata”, mas acaba se preocupando mais do que deveria. É escritor frustrado, músico falido e apaixonado consumidor de arte. 

Gabriel Carneiro é um pretenso jornalista e crítico de cinema, mais pretenso ainda pesquisador. Formado em Jornalismo na Faculdade Cásper Líbero, o que gosta mesmo é de assistir filmes e ponderar sobre eles. Como iniciação científica, pesquisou a filmografia de Guilherme de Almeida Prado. Já escreveu no portal Cinema com Rapadura, e manteve por três anos e meio o blog Os Intocáveis. Rascunhou em alguns outros lugares. Atualmente, também escreve no Cinequanon e na Revista de CINEMA. Adora resmungar, e adora as feminices das mulheres que o rodeiam – é fato, a falta da simples presença feminina o deixa deprimido. A cada dia sua admiração por filmes de baixo orçamento aumenta – tanto que fez um TCC sobre a ficção científica de 1950-64 e planeja fazer um filme de terror. Foi editor-chefe da Zingu! entre maio de 2009 e dezembro de 2010. Atualmente, faz parte do Conselho Editorial da revista. 

Marcelo Carrard é jornalista e crítico de cinema. Autor da tese de mestrado: O Cozinheiro, O Ladrão, Sua mulher e o Amante – Peter Greenaway e Os Caminhos da Fábula Neobarroca, colaborou no livro O Cinema da Retomada – Depoimentos de 90 Cineastas dos Anos 90, organizado pela pesquisadora Lúcia Nagib. Nesse livro, foi o responsável pelas entrevistas com os diretores José Joffily, Silvio Back e Neville de Almeida. Doutorado em cinema pela Unicamp. Grande conhecedor de cinema oriental, europeu e mesmo brasileiro, ministra cursos e workshops. Manteve o blog Mondo Paura, premiado no troféu Quepe do Comodoro. Carrard é também crítico do site Boca do Inferno, o maior em português dedicado ao Cinema Fantástico. Muito sincero e honesto, o que lhe causa grandes problemas frente os pseudointelectuais de esquerda que pensam que escrevem na “Cahiers du Cinema”. Assina a coluna Cinema Extremo, dedicado a filmes feitos fora da linguagem comum. 

Matheus Trunk é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo. Foi editor-chefe da Zingu! entre outubro de 2006 e abril de 2009. Trabalhou na revista Transporte Mundial, no jornal Nippo-Brasil e no jornal Metro ABC. Atualmente é assessor de imprensa. Fanático por cinema brasileiro, música popular e pela Sociedade Esportiva Palmeiras, é editor do blog Violão, Sardinha e Pão. 

Sergio Andrade é bibliotecário e cinéfilo dos mais atuantes. É fã de cinema extremo, mas também de grandes diretores. Em matéria de cinema brasileiro também é grande entendido, sendo fã de carteirinha do saudoso crítico Rubem Biáfora. Mantém uma relação de amor com a Cinemateca Brasileira, por ter trabalhado lá nos arquivos da entidade. Mantém os blogs Kinocrazy e Indicação do Biáfora. 

Vlademir Lazo Correa é gaúcho de nascimento e tem como única qualidade inquestionável nessa vida o fato de ser torcedor fanático do Sport Club Internacional, de Porto Alegre. Escritor sem obra e atleta cujo único esporte é o jogo de xadrez, é apaixonado por antiguidades das mais diversas, dedicando-se a colecionar discos de vinil que ninguém mais quer e livros velhos de sebos empoeirados que quase ninguém lê. Desde que se conhece por gente aprecia o cinema em suas mais diferentes formas, vertentes e direções ao ponto de estar se convertendo em um museu de imagens e só prestar nesse mundo para assistir filmes e, ocasionalmente, escrever sobre eles. Foi colunista do site Armadilha Poética e mantém (só não sabe até quando) o blog O Olhar Implícito.