A Noite das Taras II – episódio Solo de Violino

Dossiê Ênio Gonçalves

 
A Noite das Taras II  – episódio Solo de Violino
Direção: Ody Fraga
Brasil, 1982.

 Por Matheus Trunk

Um dos maiores êxitos comerciais da carreira da produtora Dacar, A Noite das Taras dominou as salas brasileiras no seu lançamento. A película iniciou sua carreira comercial no Cine Marabá em junho de 1980. Com roteiro caprichado e direção acima da média, o longa tornou-se um dos grandes clássicos da Triunfo.

Com o dinheiro da primeira produção, o “rei da pornochanchada” preparou a continuação do filme. Infelizmente, Noite das Taras II não tem a força criativa da primeira fita. Os episódios possuem alguma inventividade e certa nostalgia. Um exemplo claro é a São Paulo focalizada em Solo de Violino. Percebemos que passados quase trinta anos, a capital paulista é outra cidade.

O episódio tem certos méritos de dramaturgia. Ody Fraga tenta imprimir um conflito na relação estabelecida entre uma mãe, Débora (Wanda Kosmo) e seu filho Rodrigo (Ênio Gonçalves). Dominadora, ela não deixa o jovem construir a própria trajetória. O personagem de Ênio tem algo de sonhador. Afinal, viver de tocar e ensinar violino na Sampa dos anos 80 tem algo de heróico. Ao final do filme, percebemos que os atores e os próprios personagens estão sendo mal aproveitados.

 Solo de Violino possui elementos centrais da obra de Fraga. Aspectos que seriam aprofundados em outros trabalhos do realizador. Dentro do cinema paulista, a produtora Dacar teve altos e baixos. Este é um filme médio com aspectos positivos e negativos. Ênio Gonçalves sempre será lembrado por seus trabalhos em dramas autorais como Filme Demência ou em comédias como Sexo ás Avessas. Este episódio fica como uma interessante tentativa de parceria de trabalho entre o ator gaúcho e a produtora Dacar do ator e produtor David Cardoso.

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