Eterno Arena

Especial Rodolfo Arena

 
Por Adilson Marcelino

Alguns atores e atrizes fizeram do cinema brasileiro sua verdadeira casa e para ele ofereceram toda uma vida.

E um desses notáveis artistas é, sem dúvida, o paulista Rodolfo Arena, que ainda que tenha desenvolvido carreira extensa também no teatro, foi no cinema que se eternizou em personagens inesquecíveis.

Rodolfo Arena nasceu em Araraquara, São Paulo, no dia 15 de dezembro de 1910. Sua morte foi em 31 de agosto de 1980, portanto já são 31 anos que ficamos órfãos de seu extraordinário talento.

Arena estreou na carreira artística no cinema ainda criança, aos 9/10 anos, fazendo uma ponta em O Crime do Cravinhos (1920),  de Arturo Carrari. Porém, sua trajetória artística começa mesmo na adolescência, quando inicia os trabalhos no circo e no teatro – atua nas companhias de Procópio Ferreira, e, posteriormente, monta companhia com Iracema de Alencar, sua futura parceira como protagonistas no filme Em Família (1971), de Paulo Porto.

A carreira profissional no cinema se dá em Vidas Solitárias (1945), de Moacyr Fenelon,  mas o destaque já se dá no filme seguinte, O Ébrio (1946), o arrasa-quateirão dirigido por Gilda de Abreu e protagonizado por Vicente Celestino, em que ele faz o vilão José.

Bom, começa aí de fato nas telas uma das mais longínquas, e importantes,  trajetórias do cinema brasileiro, em que Arena passa por diferentes ciclos e escolas: Cinédia, chanchadas, Cinema Novo, Cinema Marginal, cinema popular, pornochanchada, era de ouro da Embrafilme nos anos 70 e 80.

Rodolfo Arena mostrou sua versatilidade atuando com cineastas de escolas tão  díspares como Eurídes Ramos, Carlos Coimbra, Carlos Diegues e Julio Bressane. Aliás, Diegues e Bressane reservaram personagens marcantes para o ator, como em Xica da Silva (1976) e Chuvas de Verão (1977), de Carlos Diegues,  no caso do primeiro; e Matou a Família e Foi ao Cinema (1969) e Barão Olavo, O Horrível (1970), no segundo.

Debruçar-se sobre a obra de Rodolfo Arena é descortinar uma galeria impressionante de filmes e de cineastas.

Alguns deles?

Watson Macedo, José Carlos Burle, Nelson Pereira dos Santos, Roberto Pires, Jece Valadão, J.B Tanko, Miguel Borges, Paulo Cesar Saraceni, Mozael Silveira, Daniel Filho, Walter Lima Jr, Paulo Thiago, Carlos Alberto Prates Correia, David Neves, Zelito Viana, Victor di Mello, Alberto Pieralisi, Leon Hirszman, Hugo Carvano, Alcino Diniz, Carlos Hugo Christensen, Flávio Migliaccio, Carlo Mossy, Claudio MaCdowell, Victor Lima, Ovaldo de Oliveira, Xavier de Oliveira, Reginaldo Faria, Marcos Farias, Fernando Campos, Renato Santos Pereira, Denoy de Oliveira, Claudio Cunha, Antonio Calmon, Jean Garrett, Neville D´Almeida.

São muitos personagens importantes, mas sem dúvida é impossível não destacar o aposentado Palhaço Guaraná, vizinho de Joffre Soares em Chuvas de Verão,  e o Seu Souza de Em Família, de Paulo Porto – Prêmio Coruja do Ouro e Premio Governador do Estado de São Paulo de Melhor Ator.

Como não se lembrar também de suas atuações em Menino de Engenho (1965), de Walter Lima Jr.,  Macunaíma (1969), de Joaquim Pedro de Andrade, e Independência ou Morte (1972), de Carlos Coimbra?

Rodolfo Arena encarnou com tanta propriedade seus personagens, aliando uma certa fragilidade a um forte tempero de ranhetice, que eles se desprendem da tela para nos acompanhar na memória e no coração.

São etenos, como ele.

 

 

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