A Madona de Cedro

Especial Carlos Coimbra


A Madona de Cedro
Direção: Carlos Coimbra
Brasil, 1968.

Por Adilson Marcelino

A Madona de Cedro foi dirigido por Carlos Coimbra pouco antes do cineasta encerrar seu ciclo do cangaço- já havia realizado A Morte Comanda o Cangaço (1960), Lampião, o Rei do Cangaço (1962), Cangaceiros de Lampião (1966), e voltaria ao gênero com Corisco, o Diabo Loiro (1969), depois de A Madona.

Grande produção para a época – recebeu dinheiro da distribuidora Metro pela nova lei de investimento de empresas estrangeiras no cinema nacional  -, o que salta aos olhos de imediato vendo o filme é a semelhança com O Pagador de Promessas realizado em 1962 por Anselmo Duarte. O tema religioso, a presença de Leonardo Villar – o mesmo de O Pagador –  como protagonista e até a participação do próprio Anselmo reforça isso tudo. Soma-se a esses fatores, a presença de Oswaldo Massaini como produtor, que também assinara a produção do vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes.

Ainda assim, A Madona de Cedro, adaptado do romance homônimo de Antônio Callado, mantém o interesse, sobretudo, pelo domínio técnico do cineasta na condução de sua trama, mesmo que haja um acento hipérbole na sua narrativa. O filme conta a história de Delfino (Leonardo Villar), um morador da cidade histórica mineira Congonhas do Campo, que é pressionado a associar-se a uma quadrilha para roubar a tal madona do título, uma relíquia do santuário local. Só que o remorso vai corroer Delfino e novos desdobramentos acontecerão devido à atitude que irá tomar.

A Madona de Cedro tem destaque no elenco para a presença de Leila Diniz, que interpreta Marta, a esposa de Delfino, em registro mais dramático e desassociado a sua sensualidade nata. Destaque também para Sérgio Cardoso fugindo da pecha de galã e dando vida ao escroque sacristão Pedro.


Entrevista: Astolfo Araújo

Dossiê Astolfo Araújo

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Entrevista com Astolfo Araújo

Por Gabriel Carneiro
Fotos de Adriana Câmara

Nascido em 1937, Astolfo Araujo vive em uma casa na Zona Sul de São Paulo. Formado em Direito, adepto da literatura – tem dois romances publicados: Via Carnal, em 1996, e Devoradores, em 2007 -, começou no cinema no meio dos anos 60. Foi assistente de direção de Roberto Santos em A Hora e a Vez de Augusto Matraga antes de se associar a Rubem Biáfora, que viria a ser seu cunhado, na formação da Data Cinematográfica, companhia responsável por filmes como O Quarto e A Casa das Tentações, ambos de Biáfora e produzidos por Astolfo, Noites de Iemanjá, de Maurice Capovilla, e os três longas dirigidos por Astolfo: As Armas, As Gatinhas e Fora das Grades. Forte teor político parece ter direcionado um pouco a carreira de Araujo.

Ex-marido de Joana Fomm, Astolfo ainda faria mais um filme, o episódio Roy, o Gargalhador Profissional, do longa O Ibraim do Subúrbio. Astolfo, que ficou debilitado por conta de um AVC que sofreu há alguns anos, julga que boa parte do que aconteceu em sua vida foi por acaso, pois apenas seguiu a onda, aproveitou as oportunidades que surgiam. Em entrevista exclusiva para a Zingu!, Astolfo Araujo nos conta sobre sua vida e carreira.

Parte 1 – infância, literatura, cinema, encontro com Biáfora

Parte 2 – o cineasta, os filmes, a política


Entrevista: Astolfo Araújo – Parte 1

Dossiê Astolfo Araújo
Parte 1 – infância, literatura, cinema, encontro com Biáfora

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Entrevista com Astolfo Araújo

Por Gabriel Carneiro
Fotos de Adriana Câmara

Zingu! – Como era sua infância?

Astolfo Araujo – Nasci em Ribeirão Preto, mas cresci em São Paulo. Meu pai era militar, da Força Pública. Vim pra cá com uns dois ou três meses. Minha infância era normal, boa pra mim. Estudei em escolas públicas, que eram muito boas. Cresci na Pompéia. Lia desde pequeno, mas ia pouco ao cinema. Depois entrei na Faculdade de Direito da São Francisco (USP), mas nunca tive interesse em exercer a profissão.

DSC04656-300x225Z – Foi lá que surgiu o interesse pela literatura?

AA – Tinha um pessoal que fazia literatura – fui colega inclusive do Raduan Nassar – e me meti no meio. Lá fundei a revista de literatura Escrita, com o Waldyr Nader e Hamilton Trevisan.

Z – E pelo cinema?

AA – Com 24 anos, fui começar a ir ao cinema; via de tudo. Frequentava muito os cinemas japoneses, na Liberdade. Gostava muito, me influenciou muito. Gostava de Kenji Mizoguchi, Tomu Uchida, Yasujiro Ozu, Kon Ichikawa, Shoji Matsumura, Heinosuke Gosho. Lá que conheci o Rubem Biáfora e iniciei nossa amizade. Não o lia, a princípio. Fui ler só depois. Quando o conheci, já queria fazer cinema. Fazia documentários pra algumas companhias produtoras. Fiz um documentário que ele assistiu e foi me cumprimentar. Nós freqüentávamos o Bar Costa do Sol, na Sete de Abril.

Z – Como foi fazer esses documentários?

AA – Tinha um rapaz que mexia com cinema e me disse que tinha um montador precisando de assistente. Fui lá. O montador era o Sylvio Renoldi. Através dele, comecei a montar filmes e a mexer com documentários, nessa empresa documental. Eu tinha amizade com o Roberto Santos e logo fui chamado pra fazer a assistência de direção de A Hora e a Vez de Augusto Matraga. Conheci o Biáfora depois.

Z – E como era trabalhar com o Roberto Santos?

AA – Muito complicado. Muito. Não fiquei até o final. Ele, que fez pela produtora dele, exigia todas as condições de set hollywoodiano, tudo minimamente planejado. Simplesmente não conseguíamos manter isso, por questões de produções limitadas que tínhamos. O Matraga tinha pouco dinheiro.

Z – Depois foi trabalhar com o Biáfora?

AA – Encomendaram a ele um documentário sobre um pintor famoso. Era para o INC. Deu certo e continuamos a trabalhar juntos. Foi nessa época que DSC04673-300x225montamos a Data Cinematográfica. Acho que foi 1966.

Z – Foi nessa época que ele virou seu cunhado?

AA – Foi depois (risos). Ele frequentava muito minha casa, e lá conheceu a irmã da minha ex-mulher, a Eva.

Z – Como era o Biáfora no dia a dia?

AA – Ótimo, ótimo! Estive nessa semana [em dezembro de 2011] no Rio com o produtor Pedro Rovai e ele me disse que aquele cineasta e crítico, Gustavo Dahl, antes de morrer, fez um artigo falando de quando conheceu o Biáfora, que era uma pessoa incrível. No set, era tranqüilo. Como todo diretor, tinha seus ataques, mas era boa pessoa.

Z – O primeiro longa que fizeram juntos foi O Quarto, do Biáfora, em que você é o produtor executivo.

AA – O filme não tinha nada de dinheiro (risos). Cinema brasileiro, na época, era todo arranjado. Minha função era administrar o dinheiro. Costumava ir ao set. O Biáfora era muito meticuloso, o filme teve bastante tempo de preparação.

Z – Como foi a escolha da equipe?

AA – Biáfora, muito por conta da atividade crítica dele, era muito respeitado. Todo mundo queria trabalhar com ele.

Z – E a do elenco?

AA – Ele não gostava de fazer teste. Eram pessoas que ele imaginava para o papel e chamava.

Z – O Ewerton de Castro, em entrevista, comentou que fez teste.

AA – Não teve teste não.

Z – O filme deu lucro?

AA – Deu lucro, mas o dinheiro sumiu, desapareceu. Não tínhamos controle de nada, acabamos não ganhando nada. Vi na Ancine agora, que tem a relação de bilheterias, que o meu filme As Gatinhas, quando foi lançado em 1970, fez mais de 600 mil espectadores. Imagine! Não vi um tostão.

Parte 2

Entrevista: Astolfo Araújo – Parte 2

Dossiê Astolfo Araújo
Parte 2 – O cineasta, os filmes, a política

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Entrevista com Astolfo Araújo

Por Gabriel Carneiro
Fotos de Adriana Câmara

Z – Como surgiu As Armas?

AA – Eu sempre fiz as coisas a base dos contos. A revolução já estava perdida e fui atrás da história. Fiz junto com o Biáfora. Uma parte de As Armas, ele escreveu – tanto que assina como argumentista -, mas não fizemos junto o roteiro. Depois do filme pronto e lançado, fui acusado de imperialista (risos).

DSC04652-225x300Z – Até queria saber mesmo como foi a recepção do filme, feito em 1969, um ano apenas após o AI5, no auge da guerra armada, com um olhar um tanto desiludido para a questão?

AA – Sempre tive esse lado de escola de direito, e conheci pessoas que participaram do movimento armado. Em 1963, fazia parte de um grupo anarquista, então tinha esse contato com o pessoal. Não cheguei a pesquisar a fundo, mas acompanhava nos jornais. Quanto à recepção, não tive problemas com a censura. Acho que teve um, mas o Galante resolveu. O filme acabou ficando meio no limbo, porque logo acusaram de direita e acabou. Mas o Biáfora era de direita pra eles também.

Z – Quando começou a trabalhar com cinema, já queria dirigir ou foi algo que surgiu do momento?

AA – Surgiu do momento, íamos passar para o próximo filme e o Biáfora achou que poderia dirigir o projeto seguinte. O que o Biáfora fez, além de participar do processo criativo, foi escolher elenco e equipe, ele que levou todo mundo. Muita gente foi reaproveitada de O Quarto, várias pessoas que conheci lá. Rodamos em Campos do Jordão e em São Paulo. Aprendi a fazer cinema muito intuitivamente, vendo filmes e participando do processo. O filme deu um bom resultado, abrindo portas para fazer o filme [As Gatinhas] com o [Antonio Polo] Galante, por exemplo. Mas também não vi dinheiro.

Z – E como era trabalhar com o Sylvio Renoldi?

AA – Ótimo. Nós montávamos junto, estive sempre ao lado dele.

Z – Depois, você fez As Gatinhas, que era coprodução entre Data e Servicine, do [Alfredo] Palácios e Galante. Como a produção chegou a eles?

AA – O Biáfora e eu circulávamos no meio. Eles se interessaram em fazer um filme conosco, e acabou sendo As Gatinhas. Eles não interferiram na produção, apenas faziam a parte que lhes cabia. Fiquei muito surpreso quando descobri que o filme havia feito mais de 600 mil espectadores, porque ele não tem nada demais.

Z – Porque trabalhar com esse tema?

AA – O filme é um drama romântico que escrevi com o Hamilton Trevisan. É sobre um cara de 40 anos que descobre que o filho dele está saindo com umas gatinhas. Ele fica louco da vida e vai até Santos tirar satisfação. O filho foge e o cara fica com a Adriana Prieto e Joana Fomm (risos). Levamos o projeto pra Servicine e eles toparam. Tanto que o Biáfora nem foi produtor, apesar de ser uma coprodução com a Data. O título As Gatinhas foi, inclusive, já pensando num público que surgia interessado em filmes mais libertinos. O elenco foi novamente escolhido por mim e pelo Biáfora. Ele era muito fã da Adriana e da Joana. Conheci ambas para o filme. Elas eram ótimas atrizes e foi muito tranqüilo trabalhar com elas. De boas atrizes, se tira o máximo. O Sergio Hingst também era ótimo, muito simpático.

Z – Depois você fez Fora das Grades, em 1971, mais uma vez com um tema político. O que te interessava tanto nesses temas?DSC04680-300x225

AA – (risos) Engraçado. Você me diz isso, mas nunca pensei a respeito. São coisas que estão na minha alma. Há três anos, escrevi o livro Devoradores, que também é bem político. A revolução dentro da revolução.

Z – E porque falar da tentativa de ex-presidiários se encontrarem dentro da sociedade?

AA – Porque a vida leva a isso. As pessoas querem sair para se expressarem melhor. Era mais isso: a vida te dando a possibilidade de viver melhor, de se reconstruir. Tem, no filme, o personagem Profeta, que é o Hingst, que tenta levar esses ex-presidiários a um novo caminho, mas numa espécie de sociedade alternativa. O elenco todo era ótimo e já os conhecia: Luigi Picchi, Joana Fomm, Toni Cardi, Roberto Maya, Francisco Curcio. O José Julio Spiewak, que faz produção, era amigo nosso. O filme foi feito com pouco dinheiro, mas nunca faltei no salário de ninguém. O filme fez um público mediano.

Z – No mesmo ano, você produziu Noite de Iemanjá, do Maurice Capovilla, pela Data. Como o filme chegou a vocês?

AA – O Flávio Tambellini levou o projeto para a gente, mas eu não queria dirigir. O Biáfora também não. Aí chamamos o Capovilla. Nós gostávamos dele. Aquele O Profeta da Fome era muito bom. Não cheguei a trabalhar no set. Fizemos só a pré-produção.

Z – Depois disso, até 75, nem a Data nem você aparecem em mais nenhum crédito.  O que o senhor fez nesse período?

AA – Nada (risos). Não cheguei a procurar outros projetos. Fiquei trabalhando com o Pedro Rovai, escrevendo roteiros, projetos com ele. Nessa época, já estava morando no Rio. Me casei com a Joana Fomm em 1972. Ela queria se mudar pro Rio e fui junto. Trabalhei em algumas companhias de cinema, mas não tinha muito contato com o pessoal de lá, só com o Rovai. Para A Casa das Tentações, voltei para São Paulo só durante as filmagens.

Z – Por que essa demora do Biáfora fazer outro filme?

AA – Não tinha dinheiro.

Z – Como foi a produção desse filme?

AA – Muito louca demais, porque era muita coisa que o Biáfora queria pegar. Eu briguei com o Biáfora no final e abandonei o set. Não sei porque brigamos. Por dois anos, não nos falamos. Foi nessa época que acabou a Data, também por isso.

Z – Houve retorno comercial? Já é um filme que o Biáfora brinca mais com o gênero da pornochanchada.

AA – Não. Nada. Foi mal lançado.

Z – A Embrafilme entrou só na distribuição, ou colocou dinheiro?

AA – Colocou dinheiro, mas pouco. Não mudou em nada a produção. Também distribuíram.

Z – Em 1976, você escreveu e dirigiu o episódio Roy, o gargalhador Profissional, para o longa O Ibraim do Subúrbio, produzido pelo Rovai. Como surgiu o projeto?

AA – O Rovai, havia muito tempo, queria fazer algum filme comigo. A ideia era ser um episódio meu e um do Cecil Thiré. Quem descobriu o conto que originou o Roy foi o Rovai. Aí fiz o roteiro escrito em cima do conto. A produção era pequena, mas o Rovai sempre acertou na escolha da equipe, as pessoas eram adequadas.

Z – Você sabe porque o longa chama O Ibraim do Subúrbio, sendo que esse é apenas um dos episódios?

AA – Não sei (risos). Coisa do Rovai.

Z – Você trabalhou paralelamente à equipe do Thiré?

AA – Não me lembro. Eram duas equipes diferentes.

Z – Como foi a escolha dos atores?

AA – Escolhi o Paulo Hesse aqui em São Paulo, peguei o Fregolente, o Wilson Grey.

Z – Como que conseguiu, numa época em que o erotismo já havia invadido o mercado, fazer um filme sem sequer nudez?

AA – (risos). O Rovai ficou quieto, não falou nada. Também não teve problema pra ser lançado. Deu bom público.

Z – Depois disso, ficou mais um hiato sem fazer cinema. O que fez nessa época?

AA – Tive dificuldade de encontrar projeto. Continuava escrevendo, mas não conseguia viabilizar. Escrevi literatura, lancei dois livros. Assim foiDSC046851-225x300 (risos).

Z – No começo dos anos 80, você fez o roteiro de Profissão Mulher com o Cláudio Cunha.

AA – É, mais ou menos. Fiz alguma coisa, a Márcia Denser também, e depois o roteiro desapareceu quando foi para o Cunha. Nem cheguei a ver o filme. Fui chamado para fazer alguma coisa com a Márcia, que era autora do livro que deu origem ao filme.

Z – Você frequentava a Boca do Lixo?

AA – Sempre, todo o período, ia sim. Lá era um ponto de encontro, as pessoas iam lá se encontrar. Pessoas de produção, de pornochanchadas. Ia lá só encontrar os amigos. Era um lugar animado.

Z – Ainda aparece um crédito de que você escreveu o roteiro e chegou a começar a produção e direção do filme Uma Banana para Bergman. Como foi isso?

AA – Não sei que projeto é esse. Não escrevi nada, não fiz essa produção.

Z – Você não quis fazer mais nada em cinema?

AA – Não era essa a questão. Comecei a fazer meus romances. Fui deixando o cinema. Trabalhei para editoras, na área de editoração. Isso em São Paulo, voltei para cá nos anos 80.

Z – E porque resolveu focar mais na literatura?

AA – Foram as coisas que me aconteceram. Fui pego pela literatura. Já tinha feito a revista Escrita.

Z – Como surgiu Devoradores?

AA – Tenho muita coisa para escrever, mas até engatar, demora. Demorei cinco anos para escrevê-lo. Terminei em 2007. Tenho um livro anterior, Via Carnal, que também demorei quatro anos escrevendo. Publiquei em 1996. São livros bem diferentes. Devoradores é bem mais moderno.

Z – Gostaria de acrescentar algo?

AA – Não. Você tirou o máximo que consegui falar.

Parte 1 / Início

Expediente

EDITOR-CHEFE: Adilson Marcelino

CONSELHO EDITORIAL: Adilson Marcelino, Andrea Ormond, Gabriel Carneiro, Matheus Trunk e Vlademir Lazo Correa

REDATORES: Adilson Marcelino, Ailton Monteiro, Andrea Ormond, Daniel Salomão Roque, Diniz Gonçalves Júnior, Edu Jancz, Filipe Chamy, Gabriel Carneiro, Marcelo Carrard, Matheus Trunk, Sergio Andrade e Vlademir Lazo Correa.

REDATOR CONVIDADO: Leo Cunha.

CONTATO: revistazingu@gmail.com

Adilson Marcelino tem paixão pelo cinema nacional em geral e acredita piamente na máxima atribuída a Paulo Emílio Salles Gomes, de que o pior filme brasileiro nos diz mais que o melhor estrangeiro. Chamado por um grupo de jornalistas como o Super Adilson do Cinema Brasileiro, é graduado em Letras e em Jornalismo. Trabalha com cinema desde 1991: foi bilheteiro, gerente, assessor de imprensa, programador, redator e apresentador de programa de rádio. É pesquisador, editor do site Mulheres do Cinema Brasileiro – premiado com o troféu Quepe do Comodoro, outorgado pelo Carlão Reichenbach -, e do blog Insensatez. É o atual Editor-Chefe da Zingu!

Ailton Monteiro é mestrando em Letras-Literatura pela Universidade Federal do Ceará. Mantém desde 2002 o blog Diário de um Cinéfilo, um espaço muito querido (pelo menos por parte de seu realizador) e agraciado com o Quepe do Comodoro. Tem um gosto tão diversificado por cinema que quer ver a maior quantidade possível de filmes que o seu tempo de vida puder lhe proporcionar. Contribui eventualmente para os sites Scoretrack e Pipoca Moderna. Também tem forte interesse por literatura, religião (em seu sentido mais amplo) e rock’n’roll.

Andrea Ormond, pesquisadora e crítica de cinema, mantém desde 2005 o blog Estranho Encontro  (http://estranhoencontro.blogspot.com), inteiramente dedicado à revisão crítica do cinema brasileiro. Escreve na revista Cinética, além de integrar o conselho editorial da revista Zingu!. Colaborações publicadas nas revistas Filme Cultura e Rolling Stone, dentre outros veículos.

Daniel Salomão Roque possui um gosto cinematográfico bipolar, oscilante entre Jacques Tati e Jörg Buttgereit. Afeito a filmes dos mais diversos tempos, recantos e tendências, ele tem, contudo, um carinho especial pelo film noir e suas derivações, pelas fitas B estadunidenses dos anos 50/60 e pelo cinematografia popular latino-americana. Adepto de Samuel Fuller, acredita que o cinema é um campo de batalha e também uma área de garimpo: o prazer da descoberta anda lado a lado com os extremos da emoção. Ele já fez curadoria de cineclubes em parceria com a Prefeitura de Osasco, colaborou com a finada Revista Zero, manteve uma coluna sobre quadrinhos nos primórdios da Zingu! e hoje estuda História na Universidade de São Paulo.

Diniz Gonçalves Júnior é paulistano e poeta. Tem trabalhos publicados na Cult, no Suplemento Literário de Minas Gerais, naArtéria, na Nóisgrande, na Sígnica, em O Casulo, na Zunái, na Germina, na Paradoxo, no Mnemocine, no Jornal de Poesia, na Freakpedia, e no Weblivros. Autor do livro Decalques (2008).

Edu Jancz (pseudônimo de José Edward Janczukowicz) é jornalista diplomado, formado em Cinema pela FAAP e pelas críticas de Rubem Biáfora, Carlos M. Motta e Alfredo Sternheim (no Estadão). Gosta de cinema. Sem nenhum preconceito. Nenhum pré-conceito. Vê todos os filmes – dos faroestes italianos (dos quais é grande fã) aos clássicos mais e menos conceituados. Sua lista dos 100 melhores filmes do mundo nunca empata com a crítica “acadêmica”. Cobriu para a revista Big Man Internacional o período explícito da Boca do Lixo: desde Coisas Eróticas até o fim de sua atividade. Acredita que a Boca do Lixo – com sua vasta produção  de cinema brasileiro (sem dinheiro da Embrafilme) –  merece um resgate digno, sempre relegado pela “grande e preconceituosa imprensa”.

Filipe Chamy é geralmente descrito pelas pessoas que convivem com ele como sendo um idiota; mas é muito mais do que simplesmente isso. Fundamentalmente, é um apreciador de coisas belas, mesmo quando elas são feias. Groucho-marxista convicto, nunca fala sério — mesmo que pensem o contrário —, e tem ojeriza a autoridades (e alergia a poderosos). Tenta viver a filosofia “Hakuna Matata”, mas acaba se preocupando mais do que deveria. É escritor frustrado, músico falido e apaixonado consumidor de arte.

Gabriel Carneiro é um pretenso jornalista e crítico de cinema, mais pretenso ainda pesquisador. Formado em Jornalismo na Faculdade Cásper Líbero, o que gosta mesmo é de assistir filmes e ponderar sobre eles. Como iniciação científica, pesquisou a filmografia de Guilherme de Almeida Prado. Já escreveu no portal Cinema com Rapadura, e manteve por três anos e meio o blog Os Intocáveis. Rascunhou em alguns outros lugares. Atualmente, também escreve no Cinequanon e na Revista de CINEMA. Adora resmungar, e adora as feminices das mulheres que o rodeiam – é fato, a falta da simples presença feminina o deixa deprimido. A cada dia sua admiração por filmes de baixo orçamento aumenta – tanto que fez um TCC sobre a ficção científica de 1950-64 e planeja fazer um filme de terror. Foi editor-chefe da Zingu! entre maio de 2009 e dezembro de 2010. Atualmente, faz parte do Conselho Editorial da revista.

Marcelo Carrard é jornalista e crítico de cinema. Autor da tese de mestrado: O Cozinheiro, O Ladrão, Sua mulher e o Amante – Peter Greenaway e Os Caminhos da Fábula Neobarroca, colaborou no livro O Cinema da Retomada – Depoimentos de 90 Cineastas dos Anos 90, organizado pela pesquisadora Lúcia Nagib. Nesse livro, foi o responsável pelas entrevistas com os diretores José Joffily, Silvio Back e Neville de Almeida. Doutorado em cinema pela Unicamp. Grande conhecedor de cinema oriental, europeu e mesmo brasileiro, ministra cursos e workshops. Manteve o blog Mondo Paura, premiado no troféu Quepe do Comodoro. Carrard é também crítico do site Boca do Inferno, o maior em português dedicado ao Cinema Fantástico. Muito sincero e honesto, o que lhe causa grandes problemas frente os pseudointelectuais de esquerda que pensam que escrevem na “Cahiers du Cinema”. Assina a coluna Cinema Extremo, dedicado a filmes feitos fora da linguagem comum.

Matheus Trunk é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo. Foi editor-chefe da Zingu! entre outubro de 2006 e abril de 2009. Trabalhou na revista Transporte Mundial, no jornal Nippo-Brasil e no jornal Metro ABC. Atualmente é assessor de imprensa. Fanático por cinema brasileiro, música popular e pela Sociedade Esportiva Palmeiras, é editor do blog Violão, Sardinha e Pão.

Sergio Andrade é bibliotecário e cinéfilo dos mais atuantes. É fã de cinema extremo, mas também de grandes diretores. Em matéria de cinema brasileiro também é grande entendido, sendo fã de carteirinha do saudoso crítico Rubem Biáfora. Mantém uma relação de amor com a Cinemateca Brasileira, por ter trabalhado lá nos arquivos da entidade. Mantém os blogs Kinocrazy e Indicação do Biáfora.

Vlademir Lazo Correa é gaúcho de nascimento e tem como única qualidade inquestionável nessa vida o fato de ser torcedor fanático do Sport Club Internacional, de Porto Alegre. Escritor sem obra e atleta cujo único esporte é o jogo de xadrez, é apaixonado por antiguidades das mais diversas, dedicando-se a colecionar discos de vinil que ninguém mais quer e livros velhos de sebos empoeirados que quase ninguém lê. Desde que se conhece por gente aprecia o cinema em suas mais diferentes formas, vertentes e direções ao ponto de estar se convertendo em um museu de imagens e só prestar nesse mundo para assistir filmes e, ocasionalmente, escrever sobre eles. Foi colunista do site Armadilha Poética e mantém (só não sabe até quando) o blog O Olhar Implícito.

O Signo de Escorpião

Especial Carlos Coimbra

O Signo de Escorpião
Direção: Carlos Coimbra
Brasil, 1974.

Por Adilson Marcelino

A Rainha do Crime Agatha Christie tem uma obra fascinante, com seus livros de mistérios e assassinatos aparentemente insondáveis caso os criminosos não encontrassem pelo caminho seus personagens célebres, como Hercule Poirot e Miss Marple. Só que quase nunca a maestria da autora foi levada a cabo com o mesmo talento para o cinema.

Na década de 1950, o cineasta Carlos Coimbra realizou o filme de seus sonhos: O Signo de Escorpião. Não era uma adaptação de nenhum dos inúmeros títulos da autora, mas em muito lembrava uma de suas tramas mais famosas: O Caso dos Dez Negrinhos.

Como se sabe, no romance policial um grupo de pessoas é reunido em uma ilha e, aos poucos, vão sendo assassinadas uma a uma sem que imaginemos quem seria o assassino. Apenas que seria uma entre aquelas pessoas já que não havia mais ninguém na ilha.

O mesmo se dá neste O Signo de Escorpião, só que aqui cada personagem representa um signo do zodíaco, uma boa sacada do roteiro de Coimbra – como se sabe, ele não só escrevia suas histórias como também dirigia e montava seus filmes.

No filme, Rodolfo Mayer é um famoso astrólogo que lança um livro e reúne um grupo de convidados em sua ilha. Só que durante a festa, uma mulher é morta e os outros descobrem que estão isolados, sem contato com o continente. E o pior, começa uma série de mortes associadas a um signo específico e sempre anunciadas por um computador.

Carlos Coimbra reuniu elenco estelar, com grandes nomes do teatro: Rodolfo Mayer, Maria Della Costa, Carlos Lyra, Kate Lyra, Sandro Polonio, Wanda Kosmo. E contou com o astrólogo Omar Cardoso, que fez assessoria sobre o tema para o filme.

O Signo de Escorpião foi um projeto acalentado por Carlos Coimbra, fã de filmes se suspense, sobretudo do cinema de Alfred Hitchcock. Só que o resultado foi um fracasso absoluto de público, trazendo enorme prejuízo para o cineasta, que dessa vez havia também produzido o filme.

Filmografia

Especial Carlos Coimbra

Filmografia – Direção

Armas da Vingança, 1955 – co-direção Alberto Severi
Dioguinho, 1957
Crepúsculo de Ódios, 1958
A Morte Comanda o Cangaço, 1960
Lampião, o Rei do Cangaço, 1962
O Santo Milagroso, 1965
Cangaceiros de Lampião, 1966
Madona de Cedro, 1968
Corisco, o Diabo Loiro, 1969
Se Meu Dólar Falasse, 1970
Independência ou Morte, 1972
Signo de Escorpião, 1974
O Homem de Papel, 1976
Iracema, a Virgem dos Lábios de Mel, 1978
Os Campeões, 1981

Carta ao Leitor

A Zingu! 53 está no ar.

E traz em suas páginas dois cineastas importantes do nosso cinema: os paulistas Astolfo Araújo e Carlos Coimbra.

Astolfo Araújo tem no currículo quatro filmes como diretor: As Armas, As Gatinhas, Fora das Grades e o episódio Roy, o Gargalhador Profissional, de O Ibrahim do Subúrbio.

Além da direção, também atuou no cinema como roteirista e produtor – montou a produtora Data Cinematográfica com Rubem Biáfora, crítico e cineasta, e que também era seu cunhado.

Dono de uma obra com forte acento político, Astolfo Araújo é o dossiê do mês. Nesta edição, entrevista que concedeu ao redator Gabriel Carneiro e na qual repassa sua trajetória, críticas de seis filmes e filmografia

Já no especial, o cinema popular de qualidade de Carlos Coimbra.

Diretor de grandes sucessos de público, como Independência ou Morte e Iracema, a Virgem dos Lábios de Mel, Coimbra tem uma obra que precisa ser melhor avaliada – e a Zingu! faz esse resgate/homenagem em seus cinco anos de aniversário de morte completados no mês passado.

Em seu currículo cinematográfico, destaque para o ciclo do cangaço, gênero em que realizou quatro filmes e do qual é representante de altíssimo quilate: A Morte Comanda o Cangaço, Lampião, o Rei do Cangaço, Cangaceiros de Lampião, e Corisco, o Diabo Loiro.

No especial, texto perfil, críticas de dez filmes e filmografia.

Nas colunas, Filipe Chamy e seu olhar sobre os trailers em Reflexos em Película; a participação do professor de cinema e crítica Leo Cunha respondendo a coluna/pergunta O Que É Cinema Brasileiro?; Vlademir Lazo em ótimo texto sobre o compositor Sérgio Ricardo e a trilha de Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha, na coluna Nossa Canção; Edu Jancz homenageia Zsa Zsa Gabor em Musas Eternas; e esse escriba mira o foco em Nadyr Fernandes no Inventário Grandes Musas da Boca.

Tenham todos uma ótima leitura!

Adilson Marcelino
Editor-Chefe da Zingu!

Inventário Grandes Musas da Boca

Nadyr Fernandes

Por Adilson Marcelino

Algumas musas da Boca do Lixo são amadas pela beleza e sensualidade. Outras, também pelo talento como atriz. Como é o caso da paulista Nadyr Fernandes.

Nadyr Fernandes nasceu em São Paulo, em 27 de fevereiro de 1937.

O ofício de atriz sempre foi destaque na carreira dessa bela paulistana, que desenvolveu carreira importante em vários veículos: teatro, televisão e cinema.

Na televisão, ficou conhecida por atuar em novelas de diferentes emissoras: foi Carolina em As Pupilas do Senhor Reitor, de Lauro César Muniz, exibida em 1970/71 na Record; foi a Ziza de Rosa dos Ventos, de Teixeira Filho, exibida na Tupi em 1973; e foi Nadir em Pecado Capital, de Janete Clair, exibida em 1975 na Globo.

No início da carreira no cinema, Nadyr Fernandes participa de filmes importantes, como São Paulo S.A (1965), de Luis Sérgio Person. Mas sua grande primeira atuação se dá em O Anjo Assassino (1967), de Dionísio Azevedo, uma produção de Osvaldo Massaini. Por esse trabalho, a atriz recebeu menção honrosa no Festival de Cabo Frio, ao lado de Flora Geny.

Em 2000 Anos de Confusão (1970), atua nessa comédia protagonizada por Dedé Santana e que é o primeiro longa que Fauzi Mansur assina a direção sozinho. Ainda no início da década de 70, participa do ótimo O Enterro da Cafetina (1970), de Alberto Pieralisi, e de Balada dos Infiéis (1970), de Geraldo Santos Pereira.

Um novo encontro com Dionísio Azevedo, um dos grandes diretores da Boca do Lixo, vai garantir à Nadyr Fernandes outra grande atuação em A Virgem (1973). Neste filme, Nádia Lippi é moça do título que tem sua virgindade disputada no palitinho entre seu namorado e sua turma de amigos. Nadyr está exuberante como Tina, uma das namoradas da tal turma que professa ideais hippies de amor livre.

Com posto de musa assegurado da Boca do Lixo, Nadyr Fernandes vai mostrar todo seu talento em filmes de nomes importantes do pedaço como Osvaldo de Oliveira em Os Garotos Virgens de Ipanema (1973), e Ody Fraga em Adultério: As Regras do Jogo (1974). Outro momento de destaque é sua atuação como Maria Sorvete em A Virgem e o Machão (1974), de J. Avelar (pseudônimo de José Mojica Marins), prostituta seduzida pelo galã da fita, Aurélio Tomassini.

Também na Boca, Nadyr Fernandes atuou no divertido Kung Fu Contra as Bonecas (1975), do GRANDE Adriano Stuart. Já com Egidio Éccio tem destaque em O Leito da Mulher Amada (1974), atuando também em O Sexualista (1975), do diretor. E com Roberto Mauro participa de O Incrível Seguro de Castidade (1975).

O encontro com o cinema de Claudio Cunha renderia à Nadyr Fernandes outro momento luminoso nas telas como a atriz decadente Tati Ibanez em Snuff – Vítimas do Prazer (1977), que empolgou a atriz.

Na época das filmagens, ela declarou à mítica revista Cinema Em Close-Up: “Estou chegando de uma filmagem. Passei quase um mês em Limeira, filmando com uma turma maravilhosa o “Vítimas do Prazer”. Cada um de nós deu o sangue na fita e é gratificante a gente sentir que deu o melhor de si, fazendo alguma coisa que realmente valha a pena. Não que eu tenha alguma coisa contra o cinema por pura diversão. Acho totalmente válido levar entretenimento através do riso. Mas quando a gente sente que fez algo maior, nos sentimos recompensados pelos sacrifícios como agora, um mês longe da minha família.”

Filmografia

Escravo do Amor das Amazonas, 1957, Curt Siodmak
São Paulo S.A., 1965, Luis Sérgio Person
Três Histórias de Amor, 1966, de Alberto D´Aversa
O Anjo Assassino, 1967, Dionísio Azevedo
2000 Anos de confusão, 1969, Fauzi Mansur
O Enterro da Cafetina, 1970, Alberto Pieralisi
Balada dos Infiéis, 1970, Geraldo Santos Pereira
Cordélia, Cordélia, 1971, Rodolfo Nani
A Virgem, 19733, Dionísio Azevedo
Trindade… É Meu Nome, 1973, Edward Freund
Os Garotos Virgens de Ipanema, 1973, Osvaldo de Oliveira
Adultério, As Regras do Jogo, 1974, Ody Fraga
A Virgem e o Machão, 1974, J, Avelar (José Mojica Marins)
Kung Fu Contra as Bonecas, 1975, Adriano Stuart
O Leito da Mulher Amada, 1975, Egídio Éccio
O Sexualista, 1975, Egídio Éccio
O Incrível Seguro de Castidade, 1975, Roberto Mauro
As Desquitadas em Lua de Mel, 1976, Victor di Mello
E as Pílulas Falharam, 1976, Carlos Alberto Almeida
Snuff, Vítimas do Prazer, 1977, Cláudio Cunha
Os Melhores Momentos da Pornochanchada, 1978, Victor di Mello e Lenine Otoni

Carlos Coimbra – paixão pelo cinema

Especial Carlos Coimbra


Por Adilson Marcelino

Carlos Coimbra nasceu em 13 de agosto de 1927 em Campinas. São Paulo.

O interesse pela carreira artística surgiu ainda na infância, quando integra o coral e o teatro do colégio salesiano em que estudava em Campinas. O interesse pelo cinema também, chegando a ser baleiro para ver os filmes repetidamente e de graça.

Mais tarde, a vocação para o canto se profissionalizou, participou do programa de calouros de Ary Barroso, teve programa de rádio e foi crooner em bailes na cidade natal. Já o trabalho no cinema começou quando foi contratado para a produtora Brasfilmes, pela qual fez sua primeira assistência de direção em Luzes Nas Sombras, de Carlos Ortiz, em 1952. Fez também figurações em filmes da Atlântida.

A segunda assistência de direção em Cavalgada da Esperança, de Heládio Fagundes, selou definitivamente o destino de Coimbra no cinema. Em 1955, estreia como cineasta com Armas da Vingança, co-dirigido por Alberto Severi, produzido por Konstantin Tkaczenko, e estrelado por Aurora Duarte, Luigi Picchi, Hélio Souto e Vera Nunes. Foi um início em grande estilo, pois apesar das dificuldades de produção, o filme acabou recebendo cinco prêmios Saci, o mais importante da época, de Melhor Filme, Diretor, Música, Fotografia, Ator (Luigi Picchi).

Começava aí, de verdade, uma filmografia importante, formada pela direção de 15 longas. Um capítulo especial nesta trajetória é o ciclo do cangaço, que teve em Coimbra um dos mais memoráveis representantes com os filmes A Morte Comanda o Cangaço (1960), Lampião, o Rei do Cangaço (1962), Cangaceiros de Lampião (1966), e Corisco, o Diabo Loiro (1969).

Carlos Coimbra dirigiu também filmes controvertidos: Independência ou Morte (1972), acusado injustamente de servir aos objetivos da ditadura militar; e Iracema, a Virgem dos Lábios de Mel (1978), também associado ao regime pelos seus desafetos.

Carlos Coimbra é exemplo de cinema comercial brasileiro de qualidade, sem que isso signifique que sua obra esteja subjugada incondicionalmente ao mercado. O que se vê em seus filmes, antes de tudo, é um verdadeiro amor pelo ofício e uma entrega apaixonada à realização deles. Fica nítido o fato de que estamos frente a um contador de história, mas jamais burocratizado no empenho. O domínio da técnica – escreve, dirige e monta seus filmes – e o uso de cores e de personagens fortes marcaram sua cinematografia, que muitas vezes dialogou com o público, ainda que a crítica não lhe reservasse um papel de destaque que sempre mereceu.

Carlos Coimbra faleceu em 14 de fevereiro de 2007.