Carlos Coimbra – paixão pelo cinema

Especial Carlos Coimbra


Por Adilson Marcelino

Carlos Coimbra nasceu em 13 de agosto de 1927 em Campinas. São Paulo.

O interesse pela carreira artística surgiu ainda na infância, quando integra o coral e o teatro do colégio salesiano em que estudava em Campinas. O interesse pelo cinema também, chegando a ser baleiro para ver os filmes repetidamente e de graça.

Mais tarde, a vocação para o canto se profissionalizou, participou do programa de calouros de Ary Barroso, teve programa de rádio e foi crooner em bailes na cidade natal. Já o trabalho no cinema começou quando foi contratado para a produtora Brasfilmes, pela qual fez sua primeira assistência de direção em Luzes Nas Sombras, de Carlos Ortiz, em 1952. Fez também figurações em filmes da Atlântida.

A segunda assistência de direção em Cavalgada da Esperança, de Heládio Fagundes, selou definitivamente o destino de Coimbra no cinema. Em 1955, estreia como cineasta com Armas da Vingança, co-dirigido por Alberto Severi, produzido por Konstantin Tkaczenko, e estrelado por Aurora Duarte, Luigi Picchi, Hélio Souto e Vera Nunes. Foi um início em grande estilo, pois apesar das dificuldades de produção, o filme acabou recebendo cinco prêmios Saci, o mais importante da época, de Melhor Filme, Diretor, Música, Fotografia, Ator (Luigi Picchi).

Começava aí, de verdade, uma filmografia importante, formada pela direção de 15 longas. Um capítulo especial nesta trajetória é o ciclo do cangaço, que teve em Coimbra um dos mais memoráveis representantes com os filmes A Morte Comanda o Cangaço (1960), Lampião, o Rei do Cangaço (1962), Cangaceiros de Lampião (1966), e Corisco, o Diabo Loiro (1969).

Carlos Coimbra dirigiu também filmes controvertidos: Independência ou Morte (1972), acusado injustamente de servir aos objetivos da ditadura militar; e Iracema, a Virgem dos Lábios de Mel (1978), também associado ao regime pelos seus desafetos.

Carlos Coimbra é exemplo de cinema comercial brasileiro de qualidade, sem que isso signifique que sua obra esteja subjugada incondicionalmente ao mercado. O que se vê em seus filmes, antes de tudo, é um verdadeiro amor pelo ofício e uma entrega apaixonada à realização deles. Fica nítido o fato de que estamos frente a um contador de história, mas jamais burocratizado no empenho. O domínio da técnica – escreve, dirige e monta seus filmes – e o uso de cores e de personagens fortes marcaram sua cinematografia, que muitas vezes dialogou com o público, ainda que a crítica não lhe reservasse um papel de destaque que sempre mereceu.

Carlos Coimbra faleceu em 14 de fevereiro de 2007.

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