Inscrições ao Concurso cultural O Brasil em Cartaz

O Brasil Em Cartaz 2010 é um concurso cultural criado especialmente para dar visibilidade ao cinema nacional e estimular os jovens cineastas. O projeto, realizado pela rede Cinemark em parceria com algumas das principais instituições de comunicação e cinema do país, premia roteiros de universitários e dá a estrutura para que o melhor roteiro seja filmado e assistido por 1 milhão de pessoas.

Para participar dessa segunda edição do concurso, o estudante deve criar um roteiro original de 60 segundos com o tema “Valorização do Cinema Nacional”. Todos os roteiros inscritos serão analisados por um profissional que selecionará os 10 melhores trabalhos. Os TOP 10 passam pela banca julgadora e o vencedor será anunciado no dia 2 de outubro.

O melhor roteiro, além dos R$ 30 mil para a produção do filme, recebe um prêmio no valor de R$ 10 mil e uma carteirinha de passe livre nas salas da rede Cinemark válida para o ano de 2011. O making off será postado no blog do concurso e o filme será lançado nas salas da Rede no dia do Projeta Brasil e será exibido até atingir a impressionante marca de 1 milhão de espectadores. O segundo colocado recebe R$ 5 mil e uma carteirinha de passe livre nas salas da rede Cinemark válida para o ano de 2011. Por fim, a universidade onde estuda a equipe vencedora também ganha: o prêmio será a veiculação gratuita de um filme institucional de 30” nas salas Cinemark durante nada menos que 20 cinesemanas.

Leia o regulamento e inscreva-se em http://cinemarkbrasilemcartaz.com.br

Eu trabalhei com José Lopes

Dossiê José Lopes

Eu trabalhei com José Lopes
Depoimento de Thiago B. Mendonça

Índio é um produto da Boca. Sobrevivente, macunaímico, migrou da aldeia aos tele-catchs. Estreou como ator nos ringues, substituto do Índio Paraguai. Depois emprestou o rosto aborígene para os westerns feijoadas e filmes de gênero da Boca com a paixão que só aqueles que amam o cinema podem compreender. Paixão que o leva a zanzar até hoje pela região da Luz relembrando os “tempos de ouro” do cinema da Boca. Perambula pelas ruas do centro à espera do próximo papel, que o renova para as rodas de cachaça e sacanagem com a boemia do antigo Triunfo.

Sou amigo de Índio, que trabalhou em meu primeiro curta (Minami em Close-up – A Boca em Revista) fazendo o papel dele mesmo. Um dia, durante as filmagens, perguntei a ele quais, em sua opinião, eram os maiores diretores brasileiros. Sem hesitar ele respondeu: Glauber Rocha, Ozualdo Candeias e Tony Vieira. Assim é o Índio, síntese antropofágica de nosso cinema e de nossa gente, bárbaro e nosso.

Thiago Mendonça, 31, é cineasta e dirigiu José Lopes em Minami em Close-Up – A Boca Em Revista (2008)

Entrevista com José Lopes – Parte 1

Dossiê José Lopes

Entrevista com José Lopes

Parte 1: Infância, adolescência e a vinda para São Paulo

Por Matheus Trunk

Zingu! – Como era sua infância na Bahia?

José Lopes – Nasci em 1941. Sou baiano da cidade de Senhor do Bonfim. Mas a minha cidade de coração é São Paulo. Eu amo essa terra. Vivi com a minha mãe até os 12 anos, numa cidade chamada Monte Santo. Monte Santo é um lugar maravilhoso, onde tem uma festa religiosa itinerante que passa por 28 igrejas. Nessa cidade foi rodado Deus e o Diabo na Terra do Sol, do Glauber Rocha. Você não viu aquelas igrejas no filme? É lá. Depois, eu fui morar em Alagoinhas, outra cidade que amo e fui trabalhar na Petrobras. Quando trabalhei lá, ainda era menor de idade. A vida da gente tem umas coisas curiosas. Sempre se vê, na televisão, pessoas sem família que vem pra São Paulo batalhar e dar certo na vida. O ‘certo’ que digo não é estar rico, milionário. O certo é você ter a oportunidade de fazer o que você gostaria de fazer e lutar pelo seu ideal. Na Bahia, meus pais eram separados. Depois, fui morar com a minha tia. São pessoas que amo até hoje. Infelizmente, são pessoas que não existem mais, já se foram. Em Alagoinhas, nos anos 50, trabalhei com solda na Petrobrás, aprendi a soldar e uma série de coisas.

Z – O senhor estudou até que ano na escola?

JL – Fiz só o primário. Depois já fui trabalhar. Em Monte Santo, era muito difícil ter escola. Meu pai foi me buscar depois para eu estudar. Com ele, fui morar em Alagoinhas, que já era uma cidade bem maior, e lá pude estudar um pouco. Já tinha doze anos. Não deu muito certo. Depois nós mudamos de novo, porque meu pai tinha emprego federal. Meu pai era uma pessoa maravilhosa, mas, naquele tempo, a gente não se entendia muito. Inclusive, as minhas irmãs me perguntavam se eu tinha mágoa do meu pai. Mas não tenho e nunca tive mágoa dele. Pelo contrário, tenho orgulho dele porque ele me ensinou muitas coisas. O que sou hoje de personalidade foi muito do que eu aprendi com ele. Tive umas cinco mães.

Z – Eram suas tias?

JL – Sim. Mas tem uma que não era parente minha: dona Guilhermina. Inclusive o filho dela hoje é médico. Eu o tenho como um irmão e ele me tem como irmão também.

Z – Qual era o trabalho da sua mãe?

JL – A minha mãe vivia na roça e era parteira. Ela inclusive tinha feito o parto de quase todo pessoal daquela região. Por isso, ela tinha um monte de afilhados. Isso era um negócio que acontecia muito no Norte e no Nordeste, do nosso país de quarenta, cinqüenta anos atrás. Ela era tida pela população daquela região como uma médica. Mas ela era uma pessoa maravilhosa, respeitada e considerada por todo aquele pessoal da Bahia.

Z – E qual era o trabalho do seu pai?

JL – Ele trabalhava na empresa ferroviária federal.

Z – Naquele tempo, o transporte ferroviário era bastante importante.

JL – Era muito importante. Meu pai trabalhava em trens especiais de passageiros. Tinha um tal de Estrela do Norte. Inclusive, tive o prazer de andar naqueles trens antigos e isso me dá muito saudade. Aquele barulhinho do trem era muito gostoso. Quando trabalhei na Petrobras, tive um problema de saúde. A gente tinha ido pros lados de Sergipe trabalhar com solda e eu quase fiquei tuberculoso. Naquele tempo, se tinha poucos recursos pra fazer aquele trabalho de soldagem. Tinha umas máscaras, mas quase não funcionava. Fiquei doente e voltei para Alagoinhas e fiquei na casa de pessoas muito especiais, minhas queridas tias Bia e Duda, que eram irmãs de meu pai – inclusive, minha mulher tem uma foto da última vez em que estivemos com a tia Duda, que morreu com bastante idade. Acabei não indo pra casa do meu pai, que morava na mesma rua delas. Ele achou ruim, mas minhas tias mandavam, elas eram bem guerreiras.

Z – Depois o senhor foi pra Salvador?

JL – Em um determinado dia, estava melhorando e acabei brigando com a mulher do meu pai (risos). E você já imaginou, brigar com a mulher do teu pai naquele tempo? Eu pensei: “Meu pai está viajando, quando ele chegar, o bicho pega” (rindo). Tive uma discussão e terminei indo pra Salvador. Estava com 18 anos. Com essa briga com o meu pai, cheguei na capital baiana e fiquei procurando emprego. Mas não achava nada. Um dia, estava desorientado na Cidade Baixa, e, de repente, vejo um caminhão com um bocado de cargas. Eu estava somente passando perto. Quando percebi, o dono do caminhão era um amigo meu, o Miguel. Ele tinha trabalhado comigo na Petrobras. Ele era motorista, mas tinha saído da empresa e comprado um caminhão. Era um Alfa-Romeu (rindo).

Z – Esse caminhão não era conhecido como FNM?

JL – Sim! FNM, lá no Norte, a gente conhecia como fome, necessidade e miséria (risos). Então, quando encontrei esse cara na Cidade Baixa, apareceu Deus na minha frente. Conversamos e falei: “Miguel, briguei com a mulher do meu pai. Cara, quase dei uns tapas nela e se voltar pra casa, eu danço”. Falei pra ele que tinha procurado emprego em todos os lugares, mas não tinha achado. Ele me falou: “Estou indo pra Petrolina em Pernambuco. Mas depois vou pra São Paulo. Se você quiser ir embora pro Sul, nós vamos”. Respondi: “Só se for agora, cara”. Pegamos esse caminhão, carregamos de gesso em Petrolina e seguimos viagem. Hoje, de Salvador pra Petrolina, de ônibus, são umas seis horas, mas a gente levou bem mais tempo. Depois, fomos descendo pro Sul. Em Minas, pegamos uma chuva que acabou furando o pneu de dentro do caminhão. A gente usou um macaco grande, de manivela, para tentar trocar o pneu do veículo. O macaco enterrou no asfalto que estava muito molhado. Então, não saia nem o pneu, nem o macaco. Dormimos dentro do caminhão e no outro dia passou outro carro. O Miguel me falou: “Fica no caminhão que eu vou buscar ajuda”. Passaram-se dois dias.

Z – Você ficou sozinho?

JL – Sozinho. Mas não tinha perigo, o caminhão estava carregado de gesso. Mas fiquei com fome. No veículo, só tinha umas bolachinhas e tal. Do outro lado da estrada, tinha um bananal com várias bananas verde. Eu comi algumas. No outro dia, o tempo estava terrível, um frio danado. Olhei e meio longe dava pra ver uma casinha saindo fumaça. Pensei: “vou lá”. Quando cheguei perto, vi a dona da casa. Expliquei para ela a situação. “Minha senhora, sou daquele caminhão lá que está quebrado. Só queria um cafezinho quente, pago pra senhora”. Ela tinha uma porção de criança, um monte, todos peladinhos. Devia ter umas cinco ou seis. Ela fez o cafezinho e eu pedi pra ela fazer uma comida, um frango que eu pagava pra ela. A mulher fez e depois começamos a conversar. Ela me falou: “Moro aqui nessa fazenda, o meu marido foi embora pra São Paulo e me deixou aqui com todos esses filhos e nunca mais apareceu”. Aquilo me cortou o coração. Você sabe que fui no caminhão e dei para as crianças todas as camisas que eu tinha, fiquei somente com duas e o resto eu dei pras crianças. Depois o Miguel voltou e prosseguimos a viagem.

Z – Na viagem, o senhor estranhou o frio?

JL – Nossa, teve um pedaço que foi terrível. Eu nunca tinha sentido frio na minha vida. Quando chegou em Minas, tava um frio, meu irmão (risos), e eu só tinha trazido umas roupinhas da Bahia. Hoje, de Salvador pra Petrolina, nesses ônibus que andam bem, são umas seis, sete horas de viagem. Naquele caminhão, a gente deve ter ficado umas doze horas (risos). O Miguel já conhecia o caminho e me falou: “Tem muita gente que vai pedir carona pra gente. Então, você vai em cima do caminhão e quando você os vir, bate na cabine que eu paro. Eles entram aí atrás e acabam pagando uma graninha pra gente”. E deu certo, os caras subiam e davam um dinheiro pra gente.

Z – Quanto tempo foi de viagem até vocês chegarem em São Paulo?

JL – Deve ter sido um mês e mais alguns dias. Os caminhões hoje são todos modernos, mas naquele tempo era bem diferente. A gente vinha carregando umas dezoito toneladas de gesso.

Z – Como foi a chegada em São Paulo? Qual o primeiro lugar em que ficou?

JL – O primeiro lugar em que nós paramos em São Paulo foi na rua Vitor Hugo, no Pari, numa pensão só de caminhoneiros. Era uma pensão meio cara. O Miguel deixou quinze dias pagos de pensão pra mim. Ele chegou pra dona Sofia, a dona da pensão, e falou: “Olha, isso é se ele precisar de alguma coisa e não arrumar emprego”. Porque até então, não tinha profissão. Lá na Bahia, tinha sido soldador, tratorista, mas nem carteira eu tinha (risos).

Z – Como conseguira aquele emprego na Petrobras?

JL – Isso foi quando eu tinha uns catorze pra quinze anos. O pessoal da Petrobras trabalhava três meses no mato e tirava folga na cidade mais próxima. Sempre fui meio boêmio, nasci boêmio (risos). E nessa folga dos caras, conheci um tal de mister George, um americano. Ele gostou de mim, fizemos amizade, ele tomava todas. Ele falou pra mim: “Vai lá na firma que arranjo um trabalho para você”. Expliquei pra ele que eu era menor, mas ele não entendia. Eu fiquei naquela. Deu uns três meses e ele voltou a aparecer na cidade: “Você não apareceu”, falou todo enrolado. Uns amigos meus chegaram para mim: “Tanta gente querendo trabalhar nessa companhia, esse cara é o chefe de campo, e ele que está correndo atrás de você”. Eu acabei indo, o cara ficou meu amigo. Quando terminou o contrato dele, ele foi pro Canadá. Ele queria me levar, mas eu ainda era menor e não quis ir. Trabalhei lá até os 18 anos; foram 4 no total.

Z – Era lá em Alagoinhas?

JL – Era uma companhia de pesquisa itinerante. Companhia de pesquisa vai fazendo posições pra achar petróleo. Então, eu trabalhei em Alagoinhas, no Sergipe, Alagoas, em vários lugares.

Z – Nessa primeira pensão em São Paulo, morou por quanto tempo?

JL – Fiquei quinze dias na pensão e pensei: “Poxa, o cara já fez tudo isso pra mim, me trouxe até aqui, deixou pensão paga”. Sempre tive vergonha disso, de depender dos outros. Nesse tempo, fiz amizade com o pessoal de uma transportadora que era perto da pensão. A dona era uma senhora, ela me falou: “Meu filho, aqui o único trabalho que tem é para carregar as coisas do caminhão”. Resolvi encarar e fui ser carregador. Eram três caras pra carregar; se tivesse dez geladeiras, eu e os outros tínhamos que colocar as dez geladeiras no caminhão. Encarei isso, mas, quando era de noite, o meu pescoço não virava. Mas eu encarei, encarei, mas vi que não dava certo e fui ser chapa. O cara chegou pra mim: “Poxa, pra esse trabalho aqui tem que ser forte. Por que você não aprende a levar os caras nas empresas e ganha uma grana?”. Esse era o serviço do chapa. Mas fiquei pouco tempo nisso também. Aprendi nas empresas, eles me pagavam uma grana, fiz amizade com essa senhora dona da pensão. Quando era sexta-feira, todo mundo ia embora da pensão e eu ficava numa boa; fiz grande amizade com dona Sofia. Depois, a dona da transportadora onde eu trabalhava, a dona Iolanda, me arrumou emprego numa metalúrgica. Eu também não sabia de nada desse serviço. O meu chefe lá explicou: “Você vai fazendo as coisas que os caras pedirem e vai fazendo”. Com três meses, eu aprendi a ser prensista. Nesse emprego, eu fiquei dois anos e pouco. Um dia, vi o cara perder a mão lá e me apavorei (risos).

Z – O senhor já tinha vontade de trabalhar com arte?

JL – Sim, sim. Eu era apaixonado, gostava de música e tudo. Já fazia serenata com os meus amigos na Bahia. O meu pai corria atrás de mim e eu tomando umas e fazendo serenata (risos). Acontece que tinha um irmão de criação aqui em São Paulo e tinha o endereço dele. Esse cara trabalhava aqui na Air France. Era um bom emprego. Ele era bem mais velho que eu. Quando vim pra São Paulo, ele já estava trabalhando há mais de quinze anos na Air France. Tinha o endereço dele, mas falava comigo mesmo: “Não vou procurar porque depois ele vai falar com meu pai”. Meu pai que tinha criado ele. Ele era filho duma ex-esposa do meu pai. Depois que trabalhei nesse lugar, me arrumei e não precisava pedir nada, e falei: “Vou ver esse cara na Air France”. Fui na avenida São Luís, atrás da viação, e quando apareci, ele me falou: “Poxa, o pai tem escrito pra mim pra procurar você. Você não me procurou aqui”. Isso já fazia uns quatro anos que estava em São Paulo. Só fui procurá-lo quando estava com umas roupas bonitinhas, dinheiro no bolso (rindo). Ele me recebeu muito bem e acabou me arrumando um emprego na Air France. Fiquei uns dois anos e pouco lá. Lá, eu era tipo um contínuo. Ficava na sala do chefe, atendia as pessoas, tinha algum negócio na rua eu fazia.

Z – O salário que o senhor teve na Air France era melhor que os anteriores?

JL – Sim. Era um emprego legal. A única coisa que não gostava era que tinha de andar de gravata. Trabalhei na Air France e o seu Nelson, diretor de propaganda da empresa, era muito amigo do diretor artístico da TV Excelsior. Eu vivia perturbando o seu Nelson: “Poxa, me apresenta lá e tal”. Já tinha andado nessas escolinhas de artistas, mas nunca tinha pagado nada. Ia só ver. Inclusive conheci o finado Enoque Batista num curso desses. Um belo dia, o seu Nelson estava falando no telefone com o amigo dele diretor da Excelsior: “Tem um funcionário nosso que quer ser artista”. Depois, ele me falou assim: “O meu amigo falou que pra artista lá não tem vaga. Mas ir lá pra fazer alguma pontinha e ajudar em produção tem”. Bem, não é que o maluco largou a Air France e foi? Sempre fui meio maluco mesmo. Fui pra lá e graças a Deus sempre fui uma pessoa que me dei bem, sempre respeitei as pessoas. Logo fiz amizade com o Valentino Guzzo, meu grande amigo, que depois foi fazer o personagem da Vovó Mafalda no SBT. Fui ser assistente de produção dele. Depois fiz um papel numa novela do Walter Avancini chamada Minas de Prata.

Parte 2

Carta ao leitor.

Primeiro, um pedido. Quem tiver a Zingu! linkada em blog ou site, e ainda não o tiver feito, favor atualizar o endereço para www.revistazingu.net E, se possível, espalhar a notícia, divulgar a revista.

Agora, falemos da edição #38, a nova edição da Zingu! que acaba de aportar no mundo virtual. O responsável pelo dossiê desse bimestre é o grande amigo Matheus Trunk, que comandou a Zingu! até abril do ano passado. Matheus realizou uma longa e esclarecedora entrevista com José Lopes, o Índio, ator e técnico da Boca do Lixo, que fez também muita televisão. Não estive presente, mas pela sua leitura, uma coisa fica bem clara. Se não houvesse pessoas como o Matheus, que se debruçam sobre a obra de um cara como o Índio, provavelmente não leríamos histórias tão fascinantes sobre os bastidores da Boca, e não saberíamos nada sobre esse cinema. Lá, na parte 3, ficamos sabendo de quase tudo sobre Tony Vieira, por exemplo. (Aliás, Tony ganhou um museu em sua cidade natal, Contagem/MG, com direito a uma mostra de cinema e festividades. Ficamos muito felizes com esse feito. É uma valorização ao cineasta popular que não vemos por aí.)

Índio e Tony foram muito amigos e Matheus explora isso bastante. Mas os melhores momentos da entrevista estão na parte 1. Nela, Lopes conta toda sua trajetória para chegar a São Paulo e ao cinema – e aqui, talvez, seja o mais proveitoso, porque é quando temos o retrato de José Lopes que não teremos de outra forma. Conhecer a infância e juventude, e o caminho percorrido por um personagem do cinema para chegar a ele, é uma das coisas mais fascinantes de longas entrevistas. É o tipo de coisa que raramente se encontra por aí, especialmente pela mídia de pautas quentes, que tem necessidade de cobrir só o que é notícia.

E é não lidando com essa questão de pauta quente que só agora fazemos esse especial Anselmo Duarte. O cineasta e ator faleceu no começo de dezembro de 2009, e só agora, três meses depois, que essa revisita à sua carreira vai ao ar. Sua perda é enorme para o cinema brasileiro. Anselmo tinha fama e ressentido e não era à toa. Nunca se perdoou, bem como aos críticos cinemanovistas, pelo rumo que sua carreira tomou. De galã para cineasta popular, premiado em Cannes, em 1962, por O Pagador de Promessas, para fracassos de bilheteria e de crítica, até a feitura de filmes por encomenda, realizados a toque de caixa, sem paixão alguma. A década de 70, enquanto diretor, não lhe foi muito proveitosa. Seus filmes só mostravam como lhe haviam derrotado. Anselmo estava cansado, dirigia, parece, por birra. Não havia mais o mesmo vigor de seus dois primeiros filmes, o ótimo Absolutamente Certo! e a obra-prima O Pagador de Promessas.

A carreira do cineasta é retomada. Além de ótimo texto de Andrea Ormond (Tragam-me a cabeça de Anselmo Duarte), Adilson Marcelino rememora sua carreira enquanto ator. Temos, também, resenhas de quase todos seus filmes como diretor. Algumas, republicadas de outros críticos, outras inéditas.

É um bimestre de memórias aqui na Zingu!.

Gabriel Carneiro
Editor-chefe

Site: www.revistazingu.net

Blog: www.revistazingu.wordpress.com

Twitter: www.twitter.com/revistazingu

 

 

A Noite do Chupacabras

A mais nova produção do diretor de Mangue Negro, Rodrigo Aragão, está sendo filmada lá nos confins do Espírito Santo. O filme se chama A Noite do Chupacabras, e segundo o próprio diretor tem os melhores efeitos e maquiagem que ele já fez.

O filme conta com Joel Caetano e Petter Baiestorf no elenco, também realizadores de cinema independente. O filme promete.

Confiram a ficha técnica e algumas fotos. As filmagens vão até o final de julho.

Sinopse: Um jovem casal retorna para a sua terra de origem, no interior do Espírito Santo, numa jornada por entre florestas e montanhas repletas de mistérios, lendas e belezas naturais. Douglas reencontra os parentes transtornados pela morte misteriosa de todos os animais da fazenda e os velhos conflitos que desde o passado atormentam duas famílias rivais. Os irmãos Silva estão cada vez mais certos da vingança planejada pelos Carvalho, porém, o pai sabe que algo muito mais sinistro se esconde na mata. As famílias em guerra, se deparam com um mal maior do que eles podem mensurar. Entre brigas, perseguições, caçadas e muitos tiros, a mítica figura do Chupa Cabras apresenta pela primeira vez sua face assassina.

Ficha técnica

Produtor Executivo: Hermann Pidner
Direção: Rodrigo Aragão
Direção de Fotografía: Secundo
Produção de campo: Ana Carolina Braga, Kika Oliveira e Mayra Alarcón
Efeitos especiais e Efeitos visuais: Rodrigo Aragão, Douglas Belasco e Reginaldo
Direção de Arte: Giovanni Coio e Ulisses Debian
Cenário: Walderram dos Santos
Figurino: Ana Cristina e Mayra Alarcón
Continuidade: Giovanni Coio
Trilha sonora: Projeto Mangueré
Edição musical, Sonoplastia e mixagem: Hermano Pidenr
Pirotecnia e Eletrônica: Alzir Vaillant, Jorgemar de Oliveira e Rodrigo Aragão

Elenco:

Chupa Cabras: Walderrama dos Santos
Kika: Kika Oliveira
Maria Alicia: Mayra Alarcón
S. Pedro: Markus Konká
Dona Clara: Margó
Douglas: Joel Caetano
Ricardo: Ricardo Araújo
Alzir: Alzir Vaillant
Jorge: Jorgemar de Oliveira
Roberto: Fonzo Squizzo
Ivan: Petter Baiestorf
Bruno: André Lobo
Agnaldo: Foca Magalhães
Velho Chico: Cristian Verardi
F. Matilde: Milena Zacché
F. Tadeu: Luiz Tadeu Teixeira
Seu Otto: Afonso Abreu

Novo filme de Woody Allen estréia no Brasil

O novo filme de Woody Allen (que estréia nessa semana nos cinemas brasileiros) é muito bom. Ao contrário dos seus últimos dois filmes, em Tudo Pode Dar Certo o diretor volta a se sentir em casa na sua Manhattan querida, tendo como protagonista um velho intelectual que ficou manco após uma tentativa de suicídio. Sempre tive certa preferência pelos filmes em que o próprio Woody Allen representa o personagem principal, no entanto mais uma vez ele não surge em cena nesse novo trabalho, porém não é necessário mais do que quinze minutos para reconhecer que a escolha do pouco conhecido nas telas de cinema Larry David (mais famoso por ser o co-criador do Seinfeld) como o protagonista Boris Yellnikoff é bastante acertada. O seu personagem é um fracassado de mente brilhante em torno de gente medíocre, um divorciado de humor sarcástico e demolidor, rabugento e hipocondríaco, cheio de fixações mórbidas, raiva contida e aversão ao ser humano. Ele conhece na porta de sua casa uma garota sulista, Melody Celestine (Evan Rachel Wood), que fugiu após a separação dos pais e que foi para Nova York sem dinheiro e sem ter onde morar. Não tendo como se livrar dela, o velho aloja a garota em sua residência, só que por mais chato que ele possa ser, Boris é uma figura simpática que parece saída de um desenho animado, e não demora muito a despertar o interesse amoroso da jovem, para ceticismo do intelectual, que resiste as investidas da garota. No entanto, quando Melody lhe conta sobre alguns de seus flertes com homens mais jovens, Boris se decide a encarar essa empreitada, e as confusões continuam com o progressivo aparecimento da mãe, depois do pai da garota, e de sucessivos interesses românticos de cada um desses personagens principais. Pode-se dizer que Tudo Pode Dar Certo é um triunfo como comédia, mas sem ambições maiores como as que vez por outra tem passado pela cabeça de Woody Allen nos últimos anos. Dizer que os diálogos (que incluem citações a E o Vento Levou e A Felicidade Não se Compra) são excelentes é chover no molhado em relação ao diretor-roteirista, e deve-se destacar também o elenco formado por rostos pouco conhecidos, mas todos ótimos em seus papéis.

Filme Cultura # 50

A revista Filme Cultura, referência entre 1966 e 1988, quando foi editada, volta com tudo, na número #50, e já é possível ser encontrada em livrarias de referência (o site promete colocar a lista dos postos de venda) ou através do email distribuicao@filmecultura.org.br. A publicação será trimestral e é editada por Marcelo Cajueiro. O mais bacana talvez seja o fato de disponibilizarem a revista, integralmente, na internet, e aos poucos estar fazendo o mesmo com as edições antigas. A número 1 já está no site.

O projeto é uma parceria entre CTAv e o Instituto Herbert Levy, viabilizado pela Lei Rouanet. O tema é o Cinema Brasileiro Agora, comentando as diferentes cinematografias do país.

No corpo de redatores da edição, estão a queridíssima Andrea Ormond, redatora da Zingu!, Inácio Araujo, Francis Vogner dos Reis, Filipe Furtado, Daniel Caetano, Marcelo Miranda, Marcus Mello, Joana Nin, João Carlos Rodrigues, Carlos Alberto Mattos e. Luiz Joaquim

A Zingu! saúda com muito gosto essa volta da fundamental Filme Cultura. Que a revista continue por muitos anos!

Para saber mais: http://www.filmecultura.com.br
Para ler a edição #50, clique aqui.

PS.: Imagem retirada do blog Estranho Encontro, da Andrea Ormond.

Cinema de Bordas 2 começa hoje

Do release:

Cinema de Bordas volta ao Itaú Cultural com obras de brasileiros anônimos que improvisam para  fazer filmes 

Segunda edição da mostra Cinema de Bordas do Itaú Cultural traz 13 filmes inéditos assinados por diretores desconhecidos espalhados por todo o país, três dos quais vêm ao instituto para um bate papo com o público; produzidos sem recursos e com equipamento precário estes filmes demonstram o talento e a garra de brasileiros apaixonados por cinema 

De 20 a 25 de abril, o Itaú Cultural apresenta a segunda edição da mostra Cinema de Bordas, que no ano passado atraiu mais de 800 pessoas. Trata-se de 13 filmes inéditos, realizados por anônimos de todo o país apaixonados por cinema. Sem orçamento, nem técnica e com equipamento rudimentar, eles contam com vizinhos, parentes e amigos para realizar o sonho de fazer filmes. Desta vez o ciclo, que volta a ter a curadoria de Bernadette Lyra, doutora em cinema pela Escola de Comunicações e Artes (ECA-USP) e de Gelson Santana, doutor e mestre em Ciências da Comunicação, também da ECA, conta com a presença de três destes diretores para um bate papo em que irão discutir com o publico o desafio de fazer cinema ainda que sem qualquer recurso financeiro. 

Um deles é Rodrigo Aragão, capixaba da pequena aldeia de pescadores de Perocão, da cidade de Guarapari no Espírito Santo. Outro, é o paulista Joel Caetano. O terceiro é uma mulher, a também paulistana Liz Marins. Os dois diretores, que também apresentaram filmes na edição passada, costumam trabalhar com a mesma equipe e assinam filmes de terror com muito sangue e muitos sustos.  

Neste ano, Aragão mostra seu curta-metragem Chupa Cabra – na edição passada ele havia apresentado o longa-metragem Mangue Negro, sobre zumbis canibais. Chupa Cabras, filmado em 2005, foi a primeira experiência mais séria de Rodrigo como diretor e serviu de inspiração para seu próximo longa metragem que está sendo gravado e deve estrear no começo do ano que vem. “Com a mostra no Itaú Cultural, muita gente descobre que é possível fazer muito com pouco, e acabam colocando a mão na massa também. Estou muito animado porque desta vez poderei acompanhar tudo de perto. É uma oportunidade única de conhecer pérolas das bordas”, comenta. 

Com 32 anos, Caetano já dirigiu 11 filmes e fundou, com a sua esposa-produtora-atriz e um amigo-ator-diretor de fotografia, a Recurso Zero Produções. Inspirado pelos filmes de Sessão da Tarde exibidos na televisão dos anos 80 e a estética dos quadrinhos, ele apresenta o filme de terror Gato no ano passado, havia apresentado O Assassinato da Mulher Mental. “Com os conhecimentos adquiridos nos filmes anteriores, acredito que conseguimos um salto um pouco maior em relação ao roteiro, às atuações e à técnica. É claro que ainda existem aspectos a serem melhorados, mas é interessante notar que em cada um de seus filmes a Recurso Zero Produções deu um passo a  mais em relação à qualidade e à competência em contar histórias que envolvam o público, que pra nós, é quem mais importa nesse processo todo”, explica. 

Liz Marins, a terceira diretora a participar do bate papo com o público da mostra, exibe o curta-metragem Aparências, sobre uma garota que por causa dos preconceitos que carrega acaba passando por experiências assustadoras. Mas não são apenas filmes de terror que aparecem entre os selecionados pelos curadores. Em Cyberdoom, Igor Simões Alonso transforma sua cidade natal – São Paulo – em um cenário futurista típico de filmes de ficção cientifica e coloca seus habitantes numa guerra civil pelo direito à água.  

Outro gênero que aparece entre os filmes é a comédia representada pelo filme Entrei em Pânico ao Saber o que Vocês Fizeram na Sexta-feira 13 do Verão Passado. Nele Felipe Guerra, da pequena cidade de Carlos Barbosa no Rio Grande do Sul, satiriza filmes de serial killers dos anos 90. Já em O Show Variado, Simião Martiniano, de Jaboatão dos Guararapes, Pernambuco, parodia os filmes de artes marciais. 

Segunda mão dos gêneros cinematográficos

Apesar da variedade, os filmes reunidos na mostra são exemplos de um tipo de cinema bem específico que é pesquisado desde 2006 pelos seus curadores e um grupo de estudos com intelectuais de todo o Brasil. Periodicamente, eles discutem o assunto e promovem debates na Socine (Sociedade de Estudos de Cinema e Audiovisual) e na Compós (Associação de Programas de Pós-Graduação em Comunicação).  

“Todas as produções de bordas, embora sejam particulares e diferentes, têm como característica comum o uso feito em segunda mão dos gêneros cinematográficos”, explica Bernadette. De acordo com ela, são filmes que usam e abusam, sem nenhum medo ou preconceito, de imagens, narrativas, sons e situações já vistas em outros filmes de horror, de ficção científica, de melodramas, de comédias, de velhas fitas de faroeste. A curadora observa, ainda, que dessas realizações de bordas, nenhuma tem pretensões de ser ‘vanguarda’ nem ‘original’.  

“Por isso resultam tão ricas e interessantes: elas fazem um apanhado de tudo que já foi exibido, misturam e mandam ver”, diz Bernadette para completar: “Além disso, são um espelho da performance da própria cultura brasileira. O detalhe é que, como os filmes são produzidos nas mais diversas regiões do país, com pessoas de comunidades, usos, histórias e sotaques particularizados de acordo com os lugares em que se realizam, cada uma dessas produções de bordas se torna o exemplar único de uma espécie de ‘regionalismo cinematográfico’.” 

Na abertura do evento para convidados, no dia 20, às 20h, haverá uma palestra com os curadores seguida de sessão do “Programa Especial” com dois filmes que serão exibidos exclusivamente neste dia. Vlad, de Pedro Daldegan de Campinas (SP), em que um garoto depois de ter uma estranha premonição enfrenta um grande perigo. E Ninguém Deve Morrer, de Petter Baiestorf, de Palmitos (SC), um faroeste musical com direito a ex-bandido que vira mocinho, uma mulher, um boi de estimação e um grupo de cineastas assassinos de aluguel. Depois da palestra e da exibição dos filmes, aproximadamente às 21h, haverá um coquetel de abertura. 

PROGRAMAÇÃO 

20 de abril, terça-feira

Abertura da mostra

20h
Palestra com curadores Bernadette Lyra e Gelson Santana e Programa Especial com a exibição dos filmes: 

Vlad, de Pedro Daldegan (1989, 5 min.) Campinas (SP)
Um garoto tem uma visão de si próprio na floresta, amarrado em uma árvore, num estado beirando a morte, e então encontra Vlad, que transformará sua premonição em realidade. 

Ninguém deve morrer, de Petter Baiestorf (2009, 30 min.), Palmitos (SC)
O pistoleiro Ninguém decide largar tudo o que sempre considerou importante para mudar de vida: sua mulher amada, um grupo de amigos cineastas assassinos de aluguel e seu boi de estimação. No entanto, antes de se redimir, precisará enfrentar a fúria de seus antigos comparsas em um faroeste musical que reúne o maior elenco de astros do underground brasileiro jamais filmado. 

21h
Coquetel de abertura

 21 de abril, quarta-feira

16h 
Gato, de Joel Caetano (2009, 23 min.), São Paulo (SP)
Um conto de terror e suspense sobre um homem, um gato e muito sangue. 

A bruxa do cemitério 2, de Semi Salomão, 2009, 83 min, Apucarana/PR
“Grande Urso’’ o índio protetor das matas adverte para nunca pisarem em solo amaldiçoado. Dante(Semi Salomão), o primogênito de uma família do campo sofre de distúrbios mentais e psicológicos. Ele é manipulado e atormentado por uma bruxa que no passado foi morta injustamente para atrair pessoas ao vale onde serão vitimas de forças sobrenaturais.

 18h

Bate papo com diretor Rodrigo Aragão e curador  

18h30

Chupa-cabras, de Rodrigo Aragão (2005, 12 min.), Guarapari (ES)Uma vitima de sequestro se vê  perdida em uma floresta e logo descobre que não está sozinho, o Chupa cabras está a espreita. 

Morgue story, sangue, baiacu e quadrinhos , de Paulo Biscaia Filho (2009, 78 min.), Curitiba (PR)
Ana Argento, uma quadrinista de sucesso frustrada em seus relacionamentos, se encontra com dois homens solitários de vida curiosa. Tom é um vendedor de seguros de vida que sofre de catalepsia. Daniel Torres é um médico legista sociopata e estuprador que tem um método de crime peculiar: envenena suas vítimas com uma poção feita à base de baiacu que induz a catalepsia. A vítima é considerada morta e enviada para o necrotério, mas quando acorda se depara com o legista esperando para estuprá-la e sufocá-la até a morte. Os planos começam a dar errado quando Tom também acorda no necrotério.  

22 de abril, quinta-feira

18h
Doutor Ekard, de Marcos Bertoni (2002, 18 min.), São Paulo (SP)Palestra sobre parapsicologia, hipnose e auto-ajuda é ministrada com fins duvidosos.  

Coronel Cabelinho vs Grajaú  Soldiaz, de Pepa Filmes (2001, 80 min.), Rio de Janeiro (RJ)
O filho de um diplomata foi assassinado! A imprensa cobra resultados e a polícia está acuada! A única solução é trazer de volta para a cidade o policial mais HARDCORE dos tempos da ditadura militar, CORONEL CABELINHO; ele e seus amigos vão empregar toda a força necessária para mandar para a vala mais funda o responsável por mais esse escândalo nacional. Mas os calejados policiais não vão conseguir isso facilmente, pois os assassinos são do GRAJAÚ SOLDIAZ, a gangue de rua mais sinistra do RJ.  

20h

Bate papo com diretora Liz Marins e curador 

20h30
Aparências, de Liz Marins (2006, 8 min.), São Paulo (SP)
A história de uma bela garota loura e preconceituosa, que à noite voltando da escola, pela crença em uma série de errôneos julgamentos impostos pela sociedade, passa por sinistras experiências.  

Entrei em pânico ao saber o que vocês fizeram na sexta-feira 13 do verão passado [Recut], de Felipe M. Guerra (2001-2009, 90 min.), Carlos Barbosa (RS)
S
átira/homenagem aos filmes de horror adolescentes dos anos 1990 que, por sua vez, resgatavam um subgênero do horror muito popular nos anos 1980: o slasher movie, que são filmes caracterizadas pela presença de psicopatas do sexo masculino que matam adolescentes em série.  

23 de abril, sexta-feira

18h
O massacre da espada elétrica, de Merielli Campi, Lucio Gaigher, Rodolfo Arrivabene, Gerson Castilho, (2008, 15 min.), Guarapari(ES)
Muhamed Aki Haul é um garoto palestino gordo e desajeitado que sofre bullying na escola. No Brasil, onde mora e estuda, ele é isolado de todas as formas por seus colegas e se transforma em objeto de piada e chacota entre eles. O “Pequeno Mamute” resolve então se vingar das humilhações diárias que vem sofrendo. Para tanto, recebe ajuda do seu guru, “Mestre Coruja”, na forma de uma espada elétrica chamada Cheeewbacca.

O Show Variado, de Simião Martiniano (2008, 40 min.), Jaboatão dos Guararapes(PE)
Uma série de esquetes que envolvem comédia e artes marciais. Um doutor, o empregado e o delegado maluco são alguns dos personagens do filme.  

Cyberdoom , de Igor Simões Alonso (2009, 40min.), São Paulo(SP)
São Paulo, 2054. O planeta passa por escassez de água, o sol se tornou uma ameaça e o mundo está repleto de novas doenças. Apesar de desenvolvido tecnologicamente a humanidade não consegue combater certas doenças e a destruição da natureza chegou a um ponto critico. A cidade foi dividia em diversos bairros fechados, com a desculpa do risco de doenças e para controlar melhor a população. Uma gangue conhecida como Os Coletores, busca um antídoto contra os diversos vírus, a Bioágua. Que é vendida a preços exorbitantes apenas para a alta elite por um monopólio de empresas chamado de “Conglomerado”, que vive explorando a miséria biológica por todo país. Uma guerra se anuncia nas ruas decadentes da cidade enquanto a resistência busca o maior de todos os fins: a sobrevivência.
 

20h

Bate papo com diretor Joel Caetano e curador 

20h30
Gato, de Joel Caetano (2009, 23 min.), São Paulo (SP)

A bruxa do cemitério 2
, de Semi Salomão, 2009, 83 min, Apucarana/PR

24 de abril, sábado

16h
Chupa-cabras, de Rodrigo Aragão (2005, 12 min.), Guarapari (ES)

Morgue story, sangue, baiacu e quadrinhos , de Paulo Biscaia Filho (2009, 78 min.), Curitiba (PR)
 
 18h
Doutor Ekard, de Marcos Bertoni (2002, 18 min.), São Paulo (SP)

Coronel Cabelinho vs Grajaú  Soldiaz, de Pepa Filmes (2001, 80 min.), Rio de Janeiro (RJ)

25 de abril, domingo

16h
Aparências, de Liz Marins (2006, 8 min.), São Paulo (SP)

Entrei em pânico ao saber o que vocês fizeram na sexta-feira 13 do verão passado [Recut],
de Felipe M. Guerra (2001-2009,  90 min.), Carlos Barbosa (RS)

18h
O massacre da espada elétrica, de Merielli Campi, Lucio Gaigher, Rodolfo Arrivabene, Gerson Castilho, (2008, 15 min.), Guarapari(ES)

O Show Variado, de Simião Martiniano (2008, 40 min.), Jaboatão dos Guararapes (PE)

Cyberdoom, de Igor Simões Alonso (2009, 40min.), São Paulo (SP)

SERVIÇO
Mostra Cinema de Bordas
De 20 a 25 abril, terça-feira a domingo
Sala Itaú  Cultural (247 lugares)
Censura: 14 anos
Entrada franca (ingressos distribuídos com meia hora de antecedência)

Itaú Cultural
Avenida Paulista, 149, Estação Brigadeiro do Metrô
Fones: 11. 2168-1776/1777
www.itaucultural.org.br
atendimento@itaucultural.org.br

Na Zingu!, já fizemos dois dossiês sobre cinema de Bordas, que podem ser vistos aqui e aqui. Neles, você encontra entrevistas com a curadora Bernadette Lyra e os cineastas Petter Baiestorf, Felipe M. Guerra, Joel Caetano, Rodrigo Aragão e Marcos Bertoni, além de resenhas de vários filmes.

Clássicos & Raros do Nosso Cinema começa quarta, 21

A mostra Clássicos & Raros do Nosso Cinema – 2ª edição começa nessa quarta-feira, dia 21, no CCBB. O evento é uma parceria com a Cinemateca.

A programação é bem interessante, trazendo filmes como Uma Aventura aos 40 (1947), E a Paz Voltou a Reinar (1955), É Simonal (1970), A Grande Feira (1961), Gregório 38 (1969), Juventude sem Amanhã (1959), Lilian M: Relatório Confidencial (1975), Na Senda do Crime (1954), Ninfas Diabólicas (1978), Perfume de Gardênia (1992), Preço de um Desejo (1952), e muitos outros.

Além de vários encontros: Alex Prado, Aloisio T. de Carvalho, Carlos Reichenbach, Clery Cunha, Guilherme de Almeida Prado, Helena Ignez, Patrícia Scalvi, Max de Castro e Rodolfo Nanni.

A mostra vai até dia 16 de maio.

Confira a programação:

PROGRAMAÇÃO 

CENTRO CULTURAL BANCO DO BRASIL
21.04 | QUARTA
17h00 A MULHER DE TODOS
19h30 ABERTURA COM CARLOS EBERT E PAULO SACRAMENTO

22.04 | QUINTA
15h00 NA SENDA DO CRIME
17h00 MATAR OU CORRER
19h30 E A PAZ VOLTA A REINAR

23.04 | SEXTA
15h00 MATAR OU CORRER
17h00 A FILHA DO ADVOGADO
19h30 NA SENDA DO CRIME

24.04 | SÁBADO

15h00 A MULHER DE TODOS
17h00 ENCONTRO COM HELENA IGNEZ
19h30 CALA A BOCA ETELVINA

25.04 | DOMINGO

15h00 E A PAZ VOLTA A REINAR
17h00 A MULHER DE TODOS
19h30 A FILHA DO ADVOGADO

28.04 | QUARTA
15h00 NEM SANSÃO NEM DALILA
17h00 LILIAN M: RELATÓRIO CONFIDENCIAL
19h30 ENCONTRO COM CARLOS REICHENBACH

29.04 | QUINTA
15h00 O MATADOR PROFISSIONAL
17h00 É SIMONAL
19h30 ENCONTRO COM WILSON SIMONINHA E MAX DE CASTRO

30.04 | SEXTA
15h00 UMA AVENTURA AOS 40
17h00 NEM SANSÃO NEM DALILA
19h30 LILIAN M: RELATÓRIO CONFIDENCIAL

01.05 | SÁBADO
15h00 NINFAS DIABÓLICAS
17h00 ENCONTRO COM PATRÍCIA SCALVI
19h30 O MATADOR PROFISSIONAL

02.05 | DOMINGO
15h00 TERRA EM TRANSE
17h00 NINFAS DIABÓLICAS
19h30 UMA AVENTURA AOS 40

05.05 | QUARTA
15h00 PERFUME DE GARDÊNIA
17h00 OS DESCLASSIFICADOS
19h30 ENCONTRO COM CLERY CUNHA

06.05 | QUINTA
15h00 DAMAS DO PRAZER
17h00 JUVENTUDE SEM AMANHÃ
19h30 É SIMONAL

07.05 | SEXTA
15h00 OS DESCLASSIFICADOS
17h00 PERFUME DE GARDÊNIA
19h30 BONITINHA, MAS ORDINÁRIA

08.05 | SÁBADO
15h00 É SIMONAL
17h00 DAMAS DO PRAZER
19h30 JUVENTUDE SEM AMANHÃ

09.05 | DOMINGO
15h00 MACACO FEIO… MACACO BONITO… | O SACI
17h00 BONITINHA, MAS ORDINÁRIA
19h30 DAMAS DO PRAZER

12.05 | QUARTA
15h00 A GRANDE FEIRA
17h00 O PAGADOR DE PROMESSAS
19h30 VIAGEM AO FIM DO MUNDO

13.05 | QUINTA
15h00 CAVEIRA MY FRIEND
17h00 PREÇO DE UM DESEJO
19h30 GREGÓRIO 38

14.05 | SEXTA
15h00 VIAGEM AO FIM DO MUNDO
17h00 A GRANDE FEIRA
19h30 O PAGADOR DE PROMESSAS

15.05 | SÁBADO
15h00 GREGÓRIO 38
17h00 CAVEIRA MY FRIEND
19h30 PREÇO DE UM DESEJO
22h00 GREGÓRIO 38
24h00 CAVEIRA MY FRIEND

16.05 | DOMINGO
15h00 O PAGADOR DE PROMESSAS
17h00 VIAGEM AO FIM DO MUNDO
19h30 A GRANDE FEIRA

CINEMATECA BRASILEIRA
22.04 | QUINTA
SALA CINEMATECA BNDES
19h30 PERFUME DE GARDÊNIA | ENCONTRO COM GUILHERME DE ALMEIDA PRADO

23.04 | SEXTA
SALA CINEMATECA BNDES
18h30 BONITINHA, MAS ORDINÁRIA
20h30 MACACO FEIO… MACACO BONITO… | O SACI
24.04 | SÁBADO

SALA CINEMATECA BNDES
16h30 DAMAS DO PRAZER
18h30 JUVENTUDE SEM AMANHÃ
20h30 OS DESCLASSIFICADOS

25.04 | DOMINGO
SALA CINEMATECA BNDES
16h30 MACACO FEIO… MACACO BONITO | O SACI | ENCONTRO COM RODOLFO NANNI
19h30 É SIMONAL

27.04 | TERÇA   SALA CINEMATECA BNDES  
19h30 PREÇO DE UM DESEJO  

28.04 | QUARTA
SALA CINEMATECA BNDES
18h30 CAVEIRA MY FRIEND
20h30 VIAGEM AO FIM DO MUNDO

29.04 | QUINTA
SALA CINEMATECA BNDES
18h30 A GRANDE FEIRA
20h30 PREÇO DE UM DESEJO 

30.04 | SEXTA
SALA CINEMATECA BNDES
20h00 GREGÓRIO 38 | ENCONTRO COM ALEX PRADO 

01.05 | SÁBADO
SALA CINEMATECA BNDES
16h30 GREGÓRIO 38
18h30 VIAGEM AO FIM DO MUNDO
20h30 CAVEIRA MY FRIEND

02.05 | DOMINGO
SALA CINEMATECA BNDES
16h30 A GRANDE FEIRA
18h30 PREÇO DE UM DESEJO | ENCONTRO COM ALOISIO T. DE CARVALHO

SERVIÇO

CINEMATECA BRASILEIRA
Largo Senador Raul Cardoso, 207
próxima ao Metrô Vila Mariana
Informações: (11) 3512-6111 (ramal 215)
Ingressos: R$ 8,00 (inteira) / R$ 4,00 (meia-entrada)
Atenção: estudantes do Ensino Fundamental e Médio de escolas públicas têm direito à entrada gratuita mediante a apresentação da carteirinha.

CENTRO CULTURAL BANCO DO BRASIL – SÃO PAULO
Rua Álvares Penteado, 112 – Centro
próximo às estações Sé e São Bento do Metrô
Informações: (11) 3113-3651 / 3113-3652
www.bb.com.br/cultura
Ingressos: R$ 4,00 (inteira) / R$ 2,00 (meia-entrada)

Mais informações: http://www.cinemateca.com.br/