Entrevista com José Lopes, o Índio

Dossiê José Lopes

Entrevista com José Lopes, o Índio

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Por Matheus Trunk
Foto de capa: Beto Ismael

Conheço José Lopes, o Índio, há algum tempo. Sempre o encontro na galeria Boulevard, na rua Dom José de Barros, no centro de São Paulo. Nesse local, vários veteranos da Boca se reúnem para bater papo e beber cerveja. Índio é um dos mais falantes, sempre contando grandes histórias sobre seus trabalhos no cinema. Creio que faltava na Zingu! um dossiê a altura deste importante personagem.

Aos 68 anos, ele é uma das pessoas mais queridas do cinema paulista. O ator participou de inúmeras produções cinematográficas, nas mais diversas funções. Além de atuar, foi assistente de direção, diretor de produção e até diretor de efeitos especiais. Segundo ele, os efeitos de O Beijo da Mulher Aranha são de sua autoria. “O Babenco é um cara muito legal. Só que ele creditou o Marquesino, que saiu no meio da produção”, rememora.

Índio é mais lembrado por sua presença nas películas do cineasta, ator e produtor Mauri Queiroz de Oliveira, o Tony Vieira (1938-1990). “Eu e o Tony não éramos amigos, éramos irmãos”, relembra Lopes. Nesta entrevista, o ator recorda sua infância na Bahia, a vinda para São Paulo e seu início de carreira na TV Excelsior. Índio também fala de seu envolvimento no movimento cinematográfico da Boca, seus trabalhos atuais e comenta a situação atual do cinema brasileiro.

Durante vários momentos da entrevista, Índio achou que eu queria colocá-lo na parede com algumas perguntas. “Você me perguntou isso porque você sabe o que eu vou responder”. Este depoimento me foi concedido numa tarde do segundo semestre de 2009 no hall do apartamento de Lopes, no bairro Bela Vista, na zona central de São Paulo.

Entrevista divida em cinco partes:

Parte 1: Infância, adolescência e a vinda para São Paulo
Parte 2: TV Excelsior e o início no cinema
Parte 3: A parceria e os trabalhos com Tony Vieira
Parte 4: A participação no cinema da Boca
Parte 5: Trabalhos atuais, cinema brasileiro hoje e o futuro

Carta ao leitor.

Primeiro, um pedido. Quem tiver a Zingu! linkada em blog ou site, e ainda não o tiver feito, favor atualizar o endereço para www.revistazingu.net E, se possível, espalhar a notícia, divulgar a revista.

Agora, falemos da edição #38, a nova edição da Zingu! que acaba de aportar no mundo virtual. O responsável pelo dossiê desse bimestre é o grande amigo Matheus Trunk, que comandou a Zingu! até abril do ano passado. Matheus realizou uma longa e esclarecedora entrevista com José Lopes, o Índio, ator e técnico da Boca do Lixo, que fez também muita televisão. Não estive presente, mas pela sua leitura, uma coisa fica bem clara. Se não houvesse pessoas como o Matheus, que se debruçam sobre a obra de um cara como o Índio, provavelmente não leríamos histórias tão fascinantes sobre os bastidores da Boca, e não saberíamos nada sobre esse cinema. Lá, na parte 3, ficamos sabendo de quase tudo sobre Tony Vieira, por exemplo. (Aliás, Tony ganhou um museu em sua cidade natal, Contagem/MG, com direito a uma mostra de cinema e festividades. Ficamos muito felizes com esse feito. É uma valorização ao cineasta popular que não vemos por aí.)

Índio e Tony foram muito amigos e Matheus explora isso bastante. Mas os melhores momentos da entrevista estão na parte 1. Nela, Lopes conta toda sua trajetória para chegar a São Paulo e ao cinema – e aqui, talvez, seja o mais proveitoso, porque é quando temos o retrato de José Lopes que não teremos de outra forma. Conhecer a infância e juventude, e o caminho percorrido por um personagem do cinema para chegar a ele, é uma das coisas mais fascinantes de longas entrevistas. É o tipo de coisa que raramente se encontra por aí, especialmente pela mídia de pautas quentes, que tem necessidade de cobrir só o que é notícia.

E é não lidando com essa questão de pauta quente que só agora fazemos esse especial Anselmo Duarte. O cineasta e ator faleceu no começo de dezembro de 2009, e só agora, três meses depois, que essa revisita à sua carreira vai ao ar. Sua perda é enorme para o cinema brasileiro. Anselmo tinha fama e ressentido e não era à toa. Nunca se perdoou, bem como aos críticos cinemanovistas, pelo rumo que sua carreira tomou. De galã para cineasta popular, premiado em Cannes, em 1962, por O Pagador de Promessas, para fracassos de bilheteria e de crítica, até a feitura de filmes por encomenda, realizados a toque de caixa, sem paixão alguma. A década de 70, enquanto diretor, não lhe foi muito proveitosa. Seus filmes só mostravam como lhe haviam derrotado. Anselmo estava cansado, dirigia, parece, por birra. Não havia mais o mesmo vigor de seus dois primeiros filmes, o ótimo Absolutamente Certo! e a obra-prima O Pagador de Promessas.

A carreira do cineasta é retomada. Além de ótimo texto de Andrea Ormond (Tragam-me a cabeça de Anselmo Duarte), Adilson Marcelino rememora sua carreira enquanto ator. Temos, também, resenhas de quase todos seus filmes como diretor. Algumas, republicadas de outros críticos, outras inéditas.

É um bimestre de memórias aqui na Zingu!.

Gabriel Carneiro
Editor-chefe

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