Pecado Horizontal

Dossiê José Miziara

Pecado Horizontal
Direção: José Miziara.
Brasil, 1982.

Por Andrea Ormond

Quase tudo o que se produziu na Boca do Lixo alçou por décadas o estigma de frouxo, submetido a uma perversidade que poluiu até mesmo o imaginário de técnicos sobreviventes do local e do período. Comum ouvi-los repetindo o óbvio, introjetando uma ética auto-depreciativa. E por essa brecha instala-se outra praga: os menos atentos, os mais burros e ingênuos, podem achar que, para acabar com o ataque sofrido por milanos, a defesa há de ser tão intransigente quanto. Para matar uma gazela, cria-se outra – desde que, dessa outra, tenha-se agora total controle.

Sinto muito, senhores, julgamento errado. Trará problemas a longo prazo, é o reverso do espelho. Defender não significa fechar os olhos aos erros. Combater não significa vestir a histeria homicida. A Boca não foi um pacote homogêneo. Ter o símbolo de auto-sustentáveis não iguala as produções realizadas por lá. Este o soberano – nome do bar de larga história – fato.

Aprendiz de feiticeiro, José Miziara embarca no sonho quando os dramas de costumes, as invenções udigrudi, os filmes garnizés, o tosco e o sublime rodavam alucinados, em espiral. Tarefa inglória a de conviver com pontas de lança. Pior: autores de reputação construída por motivos insólitos, frágeis, aparentemente naturais. Walter Hugo Khouri era o homem dos filmes complicados. Ody Fraga, o intelectual libertino. Jean Garrett – para ficarmos em um dos garotos – se esforçava, fazendo o que podia, contrabandeando erotismo em tragédias e cinema de gênero.

Miziara, tentando colocar o anel de alquimista, joga umas ervas, cozinha o caldeirão. Aonde ele se encaixa, de verdade? Ex-artista de circo, faz-tudo da Rádio Nacional, dublador, cômico, seguiu os filões do rádio que moldaram os pioneiros da televisão. O bem e o mal, o homem e a mulher, o esperto e o enganado. Salpicou de anos 70 a regra e desaguou na malícia, no sexo depois da pílula.

Assim fez enorme sucesso em O Bem Dotado: O Homem de Itu (1977) – o jeca versus o povo da cidade grande. Tateia uma reportagem esperta sobre o swing em Embalos Alucinantes (1979) , cruzamento de revista Veja e Vai Trabalhar Vagabundo sem nuances, puro deboche. No polêmico As Intimidades de Analu e Fernanda (1980) avança no paternalismo – homem e mulher, colunas estanques. Tenta vender as carícias loucas entre Fernanda e a separada Analu. Na prática, coloca a sombra do homem rondando em loop, desestabilizador da relação das duas. Um garoto na praia significa o elemento fálico faltante, a justificar interdição. Analu diz ao garoto que vá embora, mente que o marido chegará. Ambas se vêem através de um terceiro, não por si. O filme não alcança a voragem de Jean Garrett , que fez de Karina, Objeto do Prazer (1981), A Mulher que Inventou o Amor (1979), Possuídas Pelo Pecado (1976), antros do exploitation, quicando o feminismo e o machismo superficiais.

Pecado Horizontal (1982), gravado no ano limite entre a chanchada e o pornô, consegue um caminho mais hábil. Acerta. Coloca o corpo em foco não apenas dos moços, mas das moças. Elas a fim, procuram, gozam, sem o terror da vergonha, da racionalização.

Dirigido e escrito por Miziara, busca a atmosfera, bem nacional, dos subterrâneos de uma cidade do interior. A se prestar atenção na trilha sonora – a valsa Oh, Minas Gerais –, chegamos ao estado das Alterosas.

Três conhecidos reúnem-se em volta de uma mesa, bebem cerveja e contam “causos” passados de suas vidas. Relatá-los seria perda de tempo. Estão no limite do grosseiro – o protagonista não consegue traçar Matilde Mastrangi por conta de hemorróidas – e do engraçadíssimo, principalmente o segundo. O que interessa é que idas, vindas e deslizes dos personagens têm um objetivo: a obcecada fornicação. Sentem prazer absurdo em quase perderem a vida por conta desse mito. As mulheres, quando “dão”, sorriem; os homens, vivenciam um êxtase.

Essa vontade natural impressiona as normas egoístas e atualíssimas de conduta. Colocando-se em perspectiva, a “busca existencial” do sexo parece ter morrido no século XXI. Deu lugar ao aspecto esquizóide, narcísico, em que a aparente liberalidade oculta uma perturbação moralista. Ir pra cama não é mais libido, recompensa. Necessita de enrolação, de pose, de frieza. José Miziara nunca foi Betty Friedan, mas Pecado Horizontal coloca o desejo feminino atuante. Notem que as três protagonistas são mulheres insatisfeitas, que escolhem seus parceiros e desejam somente aquilo que toda fêmea heterossexual deseja, mas que certos homens costumam atrapalhar com grilos e lentidões.

Um mergulho nos documentos da censura revela dado espantoso: nenhum vigilante do governo militar implicou com a terceira história, na qual um menino de doze anos transa uma coquete aflita. Em 82, o duvidoso intercurso entre menino e mulher podia ser visto tanto no cinema de Miziara, quanto em Amor Estranho Amor, de Khouri. Implicando com cenas de sodomia, por outro lado a censura aceitava tranqüilamente o garoto Ric Ostrower cobrindo Mariza Sommer.

Além do princípio de que cinema popular não é pornochanchada, precisamos entender que, dentro dos filmes legítimos do gênero, existem sutilezas a serem pesquisadas e resgatadas. O passado de má vontade dos críticos explicava-se por um (falso) ideal de melhora, que não faz mínimo sentido quando o tempo e as influências são outros. Hoje, um chiste como Pecado Horizontal vira subversivo, libertário, porque nos ensina um espanto: a picardia pelo prazer de ser vivida. E que ocorreu, de igual maneira, fora da Boca do Lixo. Carlo Mossy, leitor de Schopenhauer, não fez Giselle à toa: nada mais importante para a menina “recém-chegada da Europa” que a vontade cega do corpo. Em tantas pornochanchadas – algumas de Mozael Silveira – o corpo é quem manda. E tal imperativo pede para destroçarmos o labirinto, entendermos as pistas falsas que o enfoque bruto – favorável ou contrário – cisma em corromper.

Os Rapazes da Difícil Vida Fácil

Dossiê José Miziara

Os Rapazes da Difícil Vida Fácil
Direção: José Miziara
Brasil, 1980
Por William Alves

 

 

 

 

A vida de João (interpretado por Ewerthon de Castro) já era boa na primeira cena de Os Rapazes da Difícil Vida Fácil. Apesar do emprego modesto de cozinheiro em uma cantina italiana, o rapaz não sofria de nenhuma debilidade psicológica por conta dessa condição de proletário. Afinal, suas animadas interpretações de canções italianas tradicionais no restaurante lhe ajudavam a conquistar diversas admiradoras, que não raro o presenteavam com bilhetes indiscretos que propunham encontros românticos a dois.

No entanto, João é noivo da bela Carla (Silvia Salgado, lindíssima), moça ciumenta e virgem. Ela resiste com galhardia às investidas sexuais (cada vez mais freqüentes) do noivo, sob a justificativa de poder trajar com a devida castidade o vestido matrimonial. João lamenta, mas entende – mais ou menos.

Até que João é abordado por uma cafetina chamada Gilberto (!) e seu empregado, uma bicha simpática que atende por Luizinho. Gilberto já estava acompanhando os passos de João há um bom tempo, e havia notado o frisson que a presença carismática dele despertava nas garotas. A cafetina então transforma o rapaz, como ela mesma diz, em um “cinco estrelas”, um michê de alto gabarito. Gilberto é interpretado (a) por Yolanda Cardoso, ainda uma beldade em 1980.

O novo contratado da “agência” não tarda a descobrir os percalços da nova profissão, que exige que ele esteja em ponto de bala para quantas clientes pintarem no dia. Ele aceita a ajuda de Rodolfo, um prostituto picareta de relevância nula no estabelecimento, que convence João a acreditar que a sua idade avançada é sinônimo de experiência. Ou know-how, como ele insiste em afirmar. E tome gemada afrodisíaca no novato ingênuo.

Os Rapazes da Difícil Vida Fácil se ancora nos princípios básicos da pornochanchada: um roteiro minimalista (rapaz bem dotado fazendo sucesso no prostíbulo), bom humor e um monte de mulher pelada. José Miziara capricha no vasto ,i>cast de clientes de João, que engloba diversas nacionalidades e etnias. Tudo dura 90 minutos e algumas piadas são garantidas, como quando João, quase morto de medo, transa com uma mulher no parapeito de uma janela aberta.

Miziara é um diretor eclético, que durante a sua carreira transitou pelo dramalhão (Mulheres do Cais, 1979), flertou com o noir (As Amantes de Um Homem Proibido, 1982) e com a putaria sem pudores (Rabo I, 1985). Mas nenhum vestígio desse ecleticismo dá as caras quando se tem apenas este Os Rapazes de Difícil… em mãos. É uma produção objetiva, que abusa do humor instantâneo – um dos personagens do puteiro é um anão, que é solicitado por uma senhora que não agüenta mais “o complexo de superioridade” do marido, um craque do basquete.

As cenas de sexo rendem planos curtos, como que para mostrar que João é um cliente solicitado e não pode perder tempo com uma mulher só. Roberto Maya, que também trabalhou com Miziara em Como Faturar a Mulher do Próximo e Mulheres do Cais, também está presente, como o empresário que tenta traçar Carla, a noiva santa de João. Aliás, aí reside a essência do longa: com exceção da bem intencionada Carla, todos os personagens querem comer o maior número possível de gente.

Mulheres do Cais

Dossiê José Miziara

 

Mulheres do Cais
Direção: José Miziara
Brasil, 1979

Por William Alves

Terezinha (interpretada por Wanda Estefânia) está se mudando. De uma bucólica casinha adornada com muitas gaiolas de pássaros no interior para Santos, a abonada cidade portuária paulista. Mulheres do Cais não esconde as suas intenções. Logo no início do filme, a gente já fica sabendo que a garota chegou ao município para trabalhar no baixo meretrício. Não se trata, então, de uma história sobre a garota interiorana que se vê forçada a usar o corpo em troca de alguns trocados, após malfadadas tentativas de outras carreiras de vida na metrópole. Mas sim da história da moça caipira que já chega na cidade com somente a sua constituição física para comercializar.

Ela, pois, já é uma prostituta no exato momento em que seu navio atraca. Acolhida por uma governanta conhecida como Mãezona, ela logo é apresentada ao seu novo universo. Nele habitam Caixeta e Pepe, dois contrabandistas de alto calibre (e clientes da moça), Calu (o homossexual caricato que também trabalha no rendez-vouz) e as outras garotas da pensão, como a belíssima mulata Lídia, noiva do falastrão e pretenso jogador de futebol Dante. A despeito do título, somente Terezinha tem sua trajetória explorada. As outras tais mulheres do cais só aparecem para dançar e desfilar seus atributos.

Terezinha parece inicialmente empolgada com a recém-adquirida profissão. Em uma sequência no início do filme, em uma boate adulta pertencente ao misterioso Caixeta, ela aplaude entusiasticamente o desempenho das colegas de trabalho, que também trabalham como strippers. Mas a rotina do meretrício vai desgastando mentalmente a garota, que passa a freqüentar assiduamente os bares da região, se embriagando e disparando chiliques aos quatro pontos cardeais. Paralelamente, se desenvolve a trama de Pinote, um contrabandista subordinado a Pepe, um dos barões do crime em Santos.

Além dos belos travellings que apresentam a cidade ao espectador, grande parte do conteúdo das imagens projetadas é, obviamente, erótico. Não faltam closes nos seios das strippers e Terezinha passa grande parte do longa vestindo apenas uma calcinha. Só que diferente de outras obras de Miziara, Mulheres do Cais é uma densa experiência. Ao contrário do irreverente Os Rapazes da Difícil Vida Fácil, por exemplo, que é uma típica pornochanchada oitentista.

Verdade seja dita, não há grandes atuações aqui. Wanda Estefânia definitivamente não convence, principalmente quando sua personagem recorre aos gritos para externar a frustração. O veterano Roberto Maya se sai melhor, ao encarnar o maquiavélico Caixeta, uma espécie de microempresário da putaria santista, cínico e pouco confiável.

No entanto, o grande mérito de Miziara é a forma com que ele constrói a sequência de acontecimentos que revela a intensa sensação de abandono que permeia o espírito de Terezinha. Na primeira cena, ela é abraçada e beijada por todos os seus parentes, deslumbrados com a possibilidade de uma integrante do clã poder se aventurar numa cidade grande de verdade, com asfalto e telefones em abundância. Mas quando a moça chega lá, não demora muito para que ela dê conta de que ninguém se importa muito. Todos os outros personagens estão preocupados demais com as suas próprias vidas e problemas – como, por exemplo, em determinado momento do filme, quando ela tenta conversar com Calu, mas este está ocupado demais copulando com o garoto que ele seduziu. Como os pais desprezados do seminal Tokyo Story, de Ozu, Terezinha não era esperada. E ninguém tampouco parece muito interessado em ciceronear a recém-chegada.

Nos Tempos da Vaselina

Dossiê José Miziara

Nos Tempos da Vaselina
Direção: José Miziara
Brasil, 1979

Por Filipe Chamy

Ainda boa parte dos apreciadores do cinema brasileiro de gênero suspira com saudades das pornochanchadas. Mas a se julgar por exemplos aparentemente representativos como este Nos Tempos da Vaselina, essa forma canhestra de comédia de costumes saiu muito tarde do cardápio do espectador brasileiro, dando-lhe a impressão de estar com a barriga cheia mas em verdade causando-lhe uma indigestão que ainda hoje o cinema pós-Retomada não conseguiu sanar.

A tal censura dos últimos anos da ditadura militar é um dos motivos alegados para o reputado escracho das fitas, como se viver em época de controle repressivo por parte do Estado impedisse não apenas a exposição da libertinagem, violência e outras facetas humanas como também extinguisse a competência, o talento, a vontade de fazer algo realmente interessante e não apenas juntar rascunhos de idéias com um molde formulaico para agradar ao máximo de pessoas possível. O cinema que quer agradar a todos, a ninguém agrada. Nos Tempos da Vaselina nada tem de engraçado e pouco tem de realmente erótico, então qual é a função de uma pornochanchada em condições assim?

O mote do filme é o deslocamento do protagonista, sujeito metido a malandro que pretende estrear uma grande vida na casa do primo, no Rio de Janeiro. Promessa de volúpia e irresponsabilidade, o litoral embriaga as expectativas do caipira abobado, mas não custava nada alguma alma caridosa lembrar a ele o ditado popular que diz: “malandro é malandro, metido a malandro é mané”. O tal viaja todo alegre e sonhando com farras, mulheres, dinheiro, a fama e o poder dos pobres de espírito. Claro que treinamento nenhum é praticado, apenas a cara e a coragem já servem de escudo. Mas não se pode esperar nada muito bom de alguém que abre o filme satisfazendo suas animalescas vontades sexuais em um oco de árvore, não é? Nesse sentido, o filme é justo, porque compensa a infâmia do personagem com uma galeria de constrangimentos por que ele terá de passar.

O percurso é desastroso. Logo que o homem chega ao Rio é roubado, perde o endereço do primo, quando acha se indispõe com alguns de seus conhecidos por razões diversas etc. A saga do cidadão é fadada ao fracasso, e caso José Miziara não dirigisse o filme na inércia e considerasse seus personagens como seres humanos (e não como tipos específicos, que é o que faz), talvez o filme tivesse a sombra de algum mérito. Mas é esperar demais de uma pornochanchada corriqueira como esta uma atenção aos atores e aos personagens que não resume a coisa toda aos clássicos “pé rapado folgado tenta cantar de galo e se dá mal”, “coroa ninfomaníaca arrasta garotões para o quarto para satisfazer seu fogo pós morte do marido”, “gostosa safada quer sexo com todos que encontra e vira refeição familiar” e outras decorrências desse maniqueísmo bobo e que só traz ao filme a qualidade (negativa) de ser ridículo, em um sentido certamente não pretendido pelo diretor, mas que faz com que não possamos nos importar menos com tudo aquilo mostrado a nós.

Some-se a isso (ou diminua-se) a tradicional falta de apuro técnico em todas as etapas de construção do filme, e teremos mais um exemplar do cinema industrial (com fama de anárquico, vejam só!) praticado por aqui naqueles anos tão “inocentes” quanto “rebeldes”. Se já é bastante medonho intitular um filme com um produto lubrificante utilizado para o sexo, isso diz muito sobre a qualidade do filme. Senão vejamos: o que os responsáveis por fazer uma obra de nome Nos Tempos da Vaselina esperam senão tentar lubrificar a paciência do espectador? Ocorre que o produto (filme e vaselina) de péssima qualidade não presta para aquilo a que se propõe. E assim como no sexo mal lubrificado, o filme mal feito não dá prazer.

Embalos Alucinantes

Dossiê José Miziara


Embalos Alucinantes
Direção: José Miziara.
Brasil, 1979.

Por Matheus Trunk

“O que faz um jovem de boa aparência, que não sabe fazer nada, não tem diploma de nada e odeia salário mínimo? Apela para a pilantragem!”. Este é o texto publicitário de Embalos Alucinantes, que foi encaminhado para os principais jornais do país durante o lançamento do filme. Pode parecer besteira, mas esse é um bom resumo de todo o enredo desse engraçadíssimo longa-metragem.

O protagonista da história é Ramon (mais uma vez Nuno Leal Maia), um rapaz malandro que aplica pequenos golpes para conseguir seu sustento. Estamos em 1979, época do governo João Figueiredo, período de redemocratização do Brasil. Mas isso não interessa ao nosso herói. Embora seja estudante de psicologia, ele não perde tempo com livros do assunto. Sua preocupação é continuar tendo uma boa vida na maior cidade do país. Isso sem precisar trabalhar.

O rapaz mora na ante-sala do consultório de seu primo, um dentista homossexual (Hélber Rangel, sempre muito bem), completamente fascinado por Ramon. Lendo uma edição da revista Veja, o protagonista descobre que a novidade da troca de casais está em moda no Brasil. Para aplicar um grande golpe num casal grã-fino, ele finge ser casado com sua amiga Cris (Lenilda Leonardi). Por meio dos classificados, o falso casal acaba conhecendo os milionários Felipe (Anselmo Duarte) e Rosária, que além de adeptos da nova prática sexual também freqüentam as discotecas.

Os diálogos divertidos e as engraçadas situações em que o protagonista acaba se metendo (num humor pastelão bem A Praça É Nossa) dão o tom da fita. Quando vemos Embalos Alucinantes podemos perceber claramente que se trata de um filme de José Miziara. O Bem Dotado pode ser visto como uma comédia padrão da época feita sob encomenda para o produtor Aníbal Massini Neto. Já Pecado Horizontal é um trabalho mais pessoal, cuja trama parece muito com as comédias eróticas italianas do período. Embalos fica no meio-termo, mas tendo o mesmo tipo de humor e malícia de todas as demais comédias de Miziara.

A melhor forma de avaliar Ramon é que ele é um vagabundo elegante, um alpinista social de classe. Por isso, ele precisa enganar as mulheres que se relacionam com ele, como a colega de faculdade Valdete (Ana Maria Braga). O final é meio bobo, mas quem se importa com isso? A trilha sonora do filme é feita pelo impagável grupo Os Carbonos, que ficou famoso por acompanhar cantores românticos como Paulo Sérgio e Wanderley Cardoso.

Sugêneros Obscuros

Prosperi & Jacopetti

Por Daniel Salomão Roque

O mondo é um dos grandes paradoxos da história do cinema. De todos os subgêneros, talvez seja o de maior influência: os clichês que desenvolveu e consagrou acabaram por extrapolar o terreno dos filmes e infiltraram-se para sempre no jornalismo, na televisão, na cultura popular e no modo como enxergamos os costumes alheios. A clássica série Acredite se Quiser, apresentada por Jack Palance e baseada nas tirinhas de Robert Ripley, é um dos seus vários filhos bastardos, dividindo espaço com outras iniciativas mais despudoradas – os noticiários policiais vespertinos, o saudoso Documento Especial da TV Manchete, as incontáveis antologias vagabundas feitas diretamente para o mercado de vídeo e repletas de incêndios, pára-quedistas de pouca sorte, adestradores desastrados… uma gigantesca prole, de genealogia desconhecida para a esmagadora maioria dos espectadores.

Suas raízes, no entanto, são muito bem definidas e remontam à Itália sessentista, onde dois inquietos cidadãos, Franco Prosperi e Gualtiero Jacopetti, deram início a uma prodigiosa parceria que se estenderia até a metade da década seguinte. Em 2003, a história deles seria devidamente registrada num documentário cujo título, The Godfathers of Mondo, é menos exagerado do que parece: Prosperi e Jacopetti são uns dos poucos, senão os únicos cineastas com condições de reivindicarem, sem constrangimento algum, a paternidade de um gênero.

Prosperi era biólogo e não tardou a descobrir que o cinema sempre foi muito mais interessante que as ciências naturais; quando, por intermédio do jornalista Carlo Gregoretti, conheceu Jacopetti, este já acumulava alguma bagagem no ofício cinematográfico: fizera uma ponta em Un giorno in pretura (no Brasil, O Juiz Dirige a Comédia), fita de 1954 com direção de Steno, escrita por Lucio Fulci e estrelada por Sophia Loren; e, não menos importante, havia sido narrador de cinejornais, função que despertou-lhe o gosto e interesse pela linguagem dos documentários – em 1959 já havia roteirizado dois, Europa di notte e Il mondo di notte.

Ambos os filmes lançavam mão de abordagens geográficas para se debruçar num tema de forte apelo sensacionalista – no caso, os desvarios da vida noturna nas principais cidades da Europa e do mundo. Europa di notte e Il mondo di notte constituíram o embrião de um gênero que nasceria definitivamente apenas alguns anos mais tarde, quando Prosperi e Jacopetti se reuniriam a Paolo Cavara na maravilhosa empreitada chamada Mondo Cane.

Mondo Cane era irresistível, o anti-documentário por excelência. Insólito caleidoscópio de bizarrices humanas coletadas nos quatro cantos do globo, combinava narrações debochadas e planos contrastantes – o belo sempre sucedia o grotesco, e vice-versa –, além de ostentar uma das mais célebres trilhas sonoras de seu tempo: More, o tema-chiclete que Riz Ortolani compôs para o filme, chegou a disputar o Oscar com direito ao favoritismo, tendo sido regravado por Frank Sinatra, Duke Ellington, Nat King Cole e Count Basie. Lançado em março de 1962 nos cinemas da Itália, disputou a Palma de Ouro dois meses depois, deixando rastros de controvérsia por onde quer que tenha passado.

“Todas as cenas que você verá nesse filme são verdadeiras e foram tiradas única e exclusivamente da vida real. Se muitas vezes elas são chocantes, é porque há muitas coisas chocantes no mundo. Ademais, nosso dever não é suavizar a verdade, mas relatá-la objetivamente”, dizia o letreiro no início do filme. E isso fez surgir um problema: Mondo Cane tinha, sim, muitos atributos, mas a objetividade não era um deles – brecha perfeita para que a crítica caísse matando em cima da obra e de seus autores. Prosperi e Jacopetti receberam suas primeiras acusações de eurocentrismo, estigma que lhes acompanharia durante toda a parceria; nas tacanhas palavras de Pauline Kael, não seriam mais que “falsificadores de documentários”.

Quanto mais malhado pelos connoisseurs, mais assistido o filme era. E mais imitado também: Mondo Bizarro, Mondo Freudo, Mondo Balordo, Mondo Mod, Mondo Hollywood, Mondo Sex, Malamondo, Mondo Oscenitá, Mondo Teeno… a lista de imitações não tinha fim e abrangia todo tipo de picaretagem. As cópias, inquestionavelmente divertidas, pareciam ignorar a estilização e beleza pictórica do original para exagerar naquilo que os detratores de Mondo Cane viam de pior na obra de Prosperi e Jacopetti: forjamento de cenas, etnocentrismo, nudez gratuita, violência excessiva. A exceção vinha de Russ Meyer e seu Mondo Topless, onde o chacoalhar ininterrupto de seios gigantescos é pretexto para uma aula de fotografia e montagem. Enquanto isso, John Waters batizava de Mondo Trasho seu primeiro longa-metragem, e, no Brasil, Jacinto Figueira Junior declarava que as desgraças apresentadas em seu programa nada mais eram que retratos do nosso “mundo cão”, transformando o título do documentário italiano em sinônimo de sensacionalismo.

Nem mesmo os próprios criadores do gênero escaparam ao modismo. Em 1963, cedendo à pressão dos produtores, os mesmos cineastas rodaram Mondo Cane 2, que, se por um lado era infinitamente superior a todas as cópias mal-feitas do original, por outro não acrescentava absolutamente nada de novo ao cenário cinematográfico. Era, sem tirar nem pôr, uma obra requentada, que hoje amarga a rejeição de seus autores. Nas palavras de Jacopetti: “’Mondo Cane 2’? O feitiço havia se quebrado. Era apenas comércio, dinheiro, não tinha relação alguma com processos criativos. Imagine A Doce Vida 2 ou 8 ¾. Pouquíssimos diretores aceitariam uma proposta assim”. Naquele mesmo ano, lançariam também La donna nel mondo, filme que seguia exatamente os mesmos procedimentos estilísticos dos anteriores na construção de um painel geral dos costumes femininos ao redor do planeta.

Em 1966, a renovação – Africa Addio, talvez o melhor filme da dupla e certamente o mais apedrejado. A descolonização do continente africano e as turbulências a rodear este processo eram o mote da primeira obra assumidamente política de Prosperi e Jacopetti, que, além das tradicionais acusações de racismo, passaram a conviver com a pecha de colonialistas. Não há como negar: ,i>Africa Addio, de fato, era ideologicamente ambíguo. A despedida do título se refere à “África dos grandes exploradores, a enorme terra de caça e aventuras adorada por tantas gerações de meninos, varrida e destruída pela enorme velocidade do progresso”, um lugar que, se estava chafurdado na miséria e servia de palco para atrocidades inacreditáveis, não havia sido por culpa dos dominadores: nas palavras dos realizadores, a África era o “bebê negro que a Europa cuidou”.

Ambíguo, mas poderoso. Os planos de Africa Addio, vivos e pulsantes, davam testemunho do que os cineastas viram nos três anos que passaram por lá: como de praxe, havia muita crueldade animal e situações insólitas aos olhos ocidentais, mas a esses elementos os autores acrescentaram outros – segregação, conflitos étnicos, desigualdade social, rebeliões populares, guerras civis, terrorismo. As caçadas e os rituais tribais já não pareciam ter tanta importância num cenário conturbado como aquele, e seu poder de sedução sobre as platéias não era o mesmo de 1962; a eles, vieram fazer companhia as chacinas, atentados e tiroteios, registrados, pasmem, com grande beleza estética e, às vezes, no exato momento em que ocorriam. Numa cena emblemática, prisioneiros políticos são executados em frente às câmeras, razão pela qual Prosperi e Jacopetti foram acusados de crimes de guerra; tablóides da época chegaram a noticiar que os carrascos atiraram sob gritos de “Ação!”, embora nada de concreto tenha sido provado até hoje. De qualquer forma, esse caso ilustra muito bem uma curiosa ironia: para os críticos de Mondo Cane, acostumados a atacar os procedimentos recreativos do documentário, o problema com Africa Addio era que certos momentos do filme eram realistas até demais.

No que concerne à temática, Addio Zio Tom (1971), filme seguinte dos autores, pode ser considerado um quase desdobramento de Africa Addio: planejado como resposta às acusações de racismo recebidas por Prosperi e Jacopetti, aliava a estética ,i>mondo aos mecanismos dos mockumentaries numa exploração audiovisual dos horrores escravistas na América. A intenção, de acordo com a dupla, era transformar a narrativa de Mandingo num documentário, ou então simular, da melhor maneira possível, um cinejornal de meados do século XIX – caso os cinejornais houvessem existido naqueles tempos. Curiosamente, Addio Zio Tom deveria ter sido rodado no Brasil, mas os escândalos em torno de seus realizadores acabaram despertando suspeitas no governo militar, que terminou por vetar as filmagens em território nacional. Isso não impediu, contudo, que outra ditadura latino-americana acolhesse calorosamente, a empreitada: carros blindados, apoio diplomático, guarda-costas e luxuosas hospedagens foram cedidas aos italianos por ninguém menos que François Duvalier, o Papa Doc, infame déspota que governava o Haiti desde 1957 e morreu cinco meses antes do filme ser lançado. Prosperi e Jacopetti, hoje reconhecem, falharam em seus intentos: numa época marcada pelo apogeu mundial dos movimentos negros, tal narrativa – repleta de humilhações interraciais – mais parecia uma manifestação de cinismo.

Addio Zio Tom seria também o último trabalho dos cineastas a relacionar-se, mesmo que indiretamente, ao gênero documental: em 1975 chegava às telas Mondo Candido, derradeiro fruto da parceria – e que de mondo tinha apenas o título. Na verdade, tratava-se de uma livre adaptação de Cândido e remetia, mais do que a qualquer outra coisa, ao trabalho de Pasolini: não por acaso, a fotografia era de Giuseppe Ruzzolini, o mesmo de Teorema, Édipo Rei e As Mil e Uma Noites. Surreal, psicodélico, excessivo e grotesco, Mondo Candido retorcia o enredo original de Voltaire e colocava o protagonista cara a cara com a Ku Klux Klan, a Inquisição, com as guitarras elétricas e a Nova Iorque do século XX. A frieza com que o filme fora recebido pela crítica e seu fraco desempenho nas bilheterias coroou uma série de desavenças financeiras entre os dois diretores e selou a extinção da parceria entre ambos: Jacopetti, a seguir, abandonaria para sempre o cinema; Prosperi continuaria na área, dirigindo um punhado de outros filmes, dentre eles Belve feroci e o last house movie La settima dona.

Para a dupla, o mondo poderia até ser coisa do passado; entretanto, esse não era um pensamento unânime entre os produtores cinematográficos do período. Na Itália, berço do gênero, a segunda metade da década de 70 assistiria ao surgimento de uma infinidade de documentários sensacionalistas sobre a África, dirigidos por Antonio Climati (ex-fotógrafo de Prosperi e Jacopetti) e pelos irmãos Castiglioni, dentre outros menos conhecidos. Nos EUA, John Alan Schwartz e seu ridículo Faces of Death abriram espaço para um novo filão: os death films, que apoiavam-se, basicamente, na contemplação fetichista da morte violenta. O mondo era um caminho sem volta, e, conforme sua força era provada pelo tempo, tornavam-se cada vez mais paradoxais os sentimentos dos criadores em relação à cria. O depoimento final de Jacopetti em The Godfathers of Mondo é deveras revelador: “Este gênero ainda atrai muita atenção. Tenho recebido propostas, mas não posso aceitá-las agora. Não é mais a minha época. Por outro lado, eu certamente gostaria de lançar-me a fazer algo contemporâneo. Ainda há muito o que ser contado. Não é verdade essa história de que tudo já foi feito.”

Realmente: ainda há muito o que ser contado. Prosperi e Jacopetti, em idade já avançada, há décadas não pegam numa câmera e, para nossa tristeza, é muito difícil que voltem a fazê-lo. A relevância do mondo em nossa vida política, social e cultural, no entanto, não só existe como foi perfeitamente traduzida em palavras por um ilustre fã – o escritor J.G. Ballard que, entrevistado por Mark Goodall no livro Sweet & Savage – The World Through the Shockumentary Film Lens, afirmou:

“Penso que esses filmes são bem típicos de sua época, e isso não é necessariamente um defeito. Contudo, eles ressoam de maneira muito forte, hoje em dia, na guerra arquitetada por Bush e Blair no Iraque – uma completa confusão envolvendo simulações, o real e o não-real, e a aceitação disso tudo pelo eleitorado. A realidade está constantemente se redefinindo, e o público parece gostar disso – um Primeiro Ministro, religiosamente sincero, mente a si mesmo e nós aceitamos sua auto-ilusão. Há uma impressão muito forte, atualmente, de que desejamos uma realidade parcialmente ficcional na qual possamos mapear nossos próprios sonhos e obsessões. Os filmes da série “Mondo Cane” estão entre as primeiras tentativas de nos fornecer as ficções conluiadas que constituem a realidade de hoje. A propaganda de guerra, bem como as tirinhas onde Robert Ripley retratava fatos bizarros da década de 30, eram largamente aceitas como verdadeiras, mas ninguém hoje em dia pensa o mesmo das informações oficiais a respeito do Iraque – e isso não nos abala.”

O Bem Dotado – O Homem de Itu

Dossiê José Miziara

O Bem Dotado- O Homem de Itu
Direção: José Miziara.
Brasil, 1978.

Por Matheus Trunk

A pornochanchada foi o gênero cinematográfico que dominou as salas brasileiras durante o final dos anos 1970 e início dos 80. Algumas dessas produções tornaram-se conhecidas por diferentes gerações de cinéfilos. Tornaram-se inclusive cults e são referência de uma época do Brasil. Com toda certeza, O Bem Dotado- O Homem de Itu é um desses filmes.

O personagem central da película é Lírio (Nuno Leal Maia no papel mais conhecido de sua carreira). Órfão ingênuo criado pelo padre Belmiro, o jovem é um moço simples que não tem nenhuma malícia. Duas coroas milionárias (Consuelo Leandro e Maria Luiza Castelli em atuações excepcionais) descobrem a avantajada anatomia sexual do rapaz. Elas atribuem isso ao garoto ser natural de Itu, cidade do interior de São Paulo conhecida por suas coisas gigantes.

Levado para São Paulo, Lírio fica trabalhando como mordomo na casa de uma das donas. Com o tempo, ele acaba chamando a atenção de diversas beldades, como a arrumadeira Nice (a oriental Suely Aoki) e a cozinheira Pedra (Esmeralda Barros). Todas ficam loucas quando descobrem o tamanho do órgão sexual do protagonista. O jovem de Itu ainda viveria durante o filme intensas aventuras amorosas com outras deusas da comédia erótica como Aldine Müller, Marlene França e Helena Ramos.

Mas o melhor desta engraçadíssima comédia são as diversas trapalhadas em que Lírio acaba se metendo. Muitas com o motorista e pretenso samurai Kimura, que arma uma grande perseguição ao garoto caipira. O espectador mais atencioso pode prestar atenção em participações especiais de gigantes do humorismo da Boca, como Teobaldo, Heitor Gaiotti e Clayton Silva.

Com produção bastante caprichada para os padrões da época, O Bem Dotado é realmente um dos grandes filmes da pornochanchada. José Miziara faz um eficiente trabalho de artesão e uma comédia bastante divertida. A direção de fotografia fica com Osvaldo “Carcaça” Oliveira, técnico importante do cinema paulista e homem de confiança do produtor Aníbal Massaini Neto. O montador Roberto Leme é um outro importante personagem da Boca do Lixo bastante subestimado. Apesar de ter trabalhado em filmes importantes como O Marginal, de Carlos Manga, ele terminou sua carreira trabalhando com diretores do segundo escalão da Rua do Triunfo.

Diversos profissionais com longas carreiras no cinema afirmam que o verdadeiro homem de Itu era um consagrado cineasta de Salto. Verdade ou não, O Bem Dotado continua sendo um grande clássico da Boca do Lixo.

Começa a 13ª Mostra de Cinema de Tiradentes

Karim Aiñouz recebe homenagem

Importante espaço de exibição e de reflexão sobre o cinema brasileiro contemporâneo, começa amanhã, dia 22, e vai até o dia 30 de janeiro, a 13ª  Mostra de Cinema de Tiradentes, na bela cidade histórica de Minas Gerais.

Com o tema “Paradoxos do Contemporâneo”, a Mostra de Tiradentes vai exibir 128 filmes – 29 longas e  99 curtas. Além das exibições, haverá também oficinas, seminários e debates – uma das coqueluches da Mostra é o encontro entre a crítica, o diretor e o público, que acontece nas manhãs seguintes às exibições e sempre com auditório lotado.

O cearense Karim Aiñouz, um dos mais talentosos diretores de longas revelados na Retomada, é o grande homenageado da edição. Com isso, haverá retrospectiva – incompleta – e a exibição de seu novo filme “Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo”, co-dirigido com Marcelo Gomes. Os atores Lázaro Ramos, de “Madame Satã”, e Hermila Guedes, de “O Céu de Suely”, estarão em Tiradentes para a homenagem, além de Aiñouz e Gomes.

Dentre os longas, títulos que foram exibidos em festivais e mostras em Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro – como:

– Insolação, de Felipe Hirsch e Daniela Thomas
– Cabeça a Prêmio, de Marco Ricca
– Os Inquilinos, de Sérgio Bianchi
– Morro do Céu, de Gustavo Spolidoro
– Natimorto, de Paulo Machline
– Corpos Celestes, de Marcos Jorge e Fernando Severo
– Elvis e Madonna, de Marcelo Laffitte
– A Falta que me faz, de Marília Rocha

Já a Mostra Aurora, que é apresentada dentro da programação, exibirá sete filmes de cineastas que tenham realizados até três filmes filmes. São eles:

– A Falta Que Nos Move, de Christiane Jatahy;
– Esperando Telê, de Rubens Rewald e Tales Ab’Saber;
– Mulher à Tarde, de Affonso Uchoa;
–  Pacific, de Marcelo Pedroso;
–  Terras, de Maya Da-Rin (exibido no último Festival de Locarno);
–  Um Lugar ao Sol, de Gabriel Mascaro (selecionado para o Festival Visions du Réel, na Suíça);
–  e a pré-estreia mundial de Estrada Para Ythaca, de Guto Parente, Luiz Pretti, Pedro Diogenes e Ricardo Pretti.

A Mostra de Tiradentes trará também, em parceria com o Programa Cinema do Brasil, um dos membros do comitê de seleção da Semana da Crítica do Festival de Cannes, Fabien GAFFEZ – que também é crítico de cinema da revista Positif e também curador do Festival de Amiens, para acompanhar a programação.

Mais informações e programação completa:
www.mostratiradentes.com.br