Embalos Alucinantes

Dossiê José Miziara


Embalos Alucinantes
Direção: José Miziara.
Brasil, 1979.

Por Matheus Trunk

“O que faz um jovem de boa aparência, que não sabe fazer nada, não tem diploma de nada e odeia salário mínimo? Apela para a pilantragem!”. Este é o texto publicitário de Embalos Alucinantes, que foi encaminhado para os principais jornais do país durante o lançamento do filme. Pode parecer besteira, mas esse é um bom resumo de todo o enredo desse engraçadíssimo longa-metragem.

O protagonista da história é Ramon (mais uma vez Nuno Leal Maia), um rapaz malandro que aplica pequenos golpes para conseguir seu sustento. Estamos em 1979, época do governo João Figueiredo, período de redemocratização do Brasil. Mas isso não interessa ao nosso herói. Embora seja estudante de psicologia, ele não perde tempo com livros do assunto. Sua preocupação é continuar tendo uma boa vida na maior cidade do país. Isso sem precisar trabalhar.

O rapaz mora na ante-sala do consultório de seu primo, um dentista homossexual (Hélber Rangel, sempre muito bem), completamente fascinado por Ramon. Lendo uma edição da revista Veja, o protagonista descobre que a novidade da troca de casais está em moda no Brasil. Para aplicar um grande golpe num casal grã-fino, ele finge ser casado com sua amiga Cris (Lenilda Leonardi). Por meio dos classificados, o falso casal acaba conhecendo os milionários Felipe (Anselmo Duarte) e Rosária, que além de adeptos da nova prática sexual também freqüentam as discotecas.

Os diálogos divertidos e as engraçadas situações em que o protagonista acaba se metendo (num humor pastelão bem A Praça É Nossa) dão o tom da fita. Quando vemos Embalos Alucinantes podemos perceber claramente que se trata de um filme de José Miziara. O Bem Dotado pode ser visto como uma comédia padrão da época feita sob encomenda para o produtor Aníbal Massini Neto. Já Pecado Horizontal é um trabalho mais pessoal, cuja trama parece muito com as comédias eróticas italianas do período. Embalos fica no meio-termo, mas tendo o mesmo tipo de humor e malícia de todas as demais comédias de Miziara.

A melhor forma de avaliar Ramon é que ele é um vagabundo elegante, um alpinista social de classe. Por isso, ele precisa enganar as mulheres que se relacionam com ele, como a colega de faculdade Valdete (Ana Maria Braga). O final é meio bobo, mas quem se importa com isso? A trilha sonora do filme é feita pelo impagável grupo Os Carbonos, que ficou famoso por acompanhar cantores românticos como Paulo Sérgio e Wanderley Cardoso.

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