Sexo em Grupo

Dossiê Alfredo Sternheim

Sexo em Grupo
Direção: Alfredo Sternheim
Brasil, 1983.

Por William Alves

Primeira parceria do diretor Alfredo Sternheim com o produtor Juan Bajon, espécie de decano do cinema de sexo explícito da Boca, Sexo em Grupo se situa nos anos 80, período farto para a produção desse tipo de filme em São Paulo. A essa altura, Sternheim ainda era estreante no pornô, visto que Tensão e Desejo foi o seu último filme convencional, e Sexo em Grupo era a sua primeira empreitada pornográfica.

Sternheim contou com atores como Oswaldo Cirillo e Gisa Delamare, que, como ele, mergulharam (ou chafurdaram, dependendo do ponto de vista) fundo em espetáculos de putaria ilimitada, como é esse Sexo em Grupo. Sternheim lança mão de um enredo minimalista, ligeiramente mais trabalhado do que as “histórias de encanador” do cinema pornô estadunidense, modelo para as produções explícitas brasileiras.

Stela é a sobrinha de Tia Noêmia, mulher de meia-idade e adepta declarada do estilo boêmio de levar a vida. Stela é leitora voraz e adora encaixar citações literárias e termos pouco convencionais em conversas casuais, que encantam o seu novo namorado, um filisteu declarado. No entanto, em férias em uma das residências da tia Noêmia, Stela acaba reencontrando o seu verdadeiro amor, Franco, um homem que usa qualquer oportunidade para destilar todo o seu repertório de referências culturais. Exatamente como ela, pois.

Franco está de caso com uma nova atriz, que o castiga de quinze em quinze minutos com sua insaciabilidade sexual. No meio disso tudo, há um casal de lésbicas, um homossexual caricato e um misterioso caçador, que aparece sempre que alguém está em apuros. Tendo esses fatos em mente, e relendo o título do longa, é fácil saber onde isso tudo irá desembocar.

Sexo em Grupo não é tão desavergonhado quanto Variações do Sexo Explícito, outra das produções adultas de Sternheim (em que até cães são convidados para a suruba), mas não larga a safadeza em momento algum. Apesar de cultos e distintos no convívio social, Selma, Franco e seus asseclas são máquinas de acasalamento. Os resquícios da finada pornochanchada ainda respingam em Sexo em Grupo, espalhados em tiradas dúbias, como quando o caçador, com um esgar malandro, deixa claro que “come qualquer coisa”.

Mesmo com toda a libertinagem, não há qualquer sinal de degradação, pelo menos para quem participa do filme: todos estão fodendo, e todos se divertem.

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