Musas Eternas

Claudia Magno

Por Adilson Marcelino

Se você era jovem no início dos anos 1980, provavelmente engrossou as bilheterias de Menino do Rio, o filme-solar de Antonio Calmon.

Se você assistiu ao filme, certamente cantarolou e saracoteou ao som dos hits De Repente, Califórnia e Garota Dourada.

E se foi um dos que se divertiram na plateia, com certeza jamais esqueceu a beleza estonteante e as coxas grossas da atriz Claudia Magno.

Paixão arrebatadora do surfista Valente de André de Biase, a Patrícia de Claudia Magno teria destino certo de Patricinha a dondoca se não cruzasse com a turma de praia dele, que era formada por Evandro Mesquita, Guto Graça Mello, Cissa Guimarães, Tânia Bôscoli, Sérgio Mallandro, Nina de Pádua e Claudia Ohana.

Foi assim que conhecemos a bela Claudia Magno, nascida no Rio de Janeiro no dia 10 de fevereiro de 1958.

Logo a seguir, ela foi recrutada para a televisão, onde bateu ponto em algumas novelas: Final Feliz (1982), de Ivani Ribeiro, e Tieta (1989), de Aguinaldo Silva, Ana Maria Moretzsohn e Ricardo Linhares foram alguns destaques.

Na telinha, a atriz dividiu a carreira entre a Globo e a Manchete, mas é o cinema que parecia ser seu habitat natural, pois resplandecia, ainda que tenha sido, infelizmente, pouco recrutada.

Seu segundo filme foi novamente com Calmon, afinal Garota Dourada era a continuação de Menino do Rio, mas só que aqui o resultado deu xabu. Garota Dourada é fraquíssimo, o único ponto baixo do diretor – que depois daí abandonaria a carreira de cineasta – e não chegou nem aos pés do primeiro rebento.

Novamente, André de Biasi dá vida ao surfista Valente, mas aqui a amada da vez é Bianca Byngton. E ainda que Claudia Magno volta a encarnar Patricia, aqui ela é só um amor do passado.

Claudia Magno voltaria apenas mais uma vez às telas, e desta vez sob a lente de um dos mestres da Boca do Lixo: o cineasta John Doo.

O filme, o último dele e dela, é Presença de Marisa, de 1988, em que ela faz a protagonista ao lado de Joel Barcellos. Por seu desempenho, Claudia recebeu o prêmio de Melhor Atriz no XXI Festival de Cinema de Brasília.

Foi a última aparição dela no cinema, mas continuou como atriz na TV – o último personagem foi Josefina na novela global Sonho Meu (1993/94), de Marcílio Moraes.

E foi em 1994 que uma tragédia se abateu sobre a vida da jovem atriz, que faleceu no dia 5 de janeiro de 1994 em decorrência do vírus da Aids.

Filmografia

Menino do Rio, Antonio Calmon, 1982
Garota Dourada, Antonio Calmon, 1984
Presença de Marisa, John Doo, 1988

Inventário Grandes Musas da Boca

Liza Vieira

Por Adilson Marcelino

Seu tipo mignon e seu carisma fizeram dela uma estrela da televisão e uma das musas da Boca do Lixo, onde foi dirigida por cineastas importantes. Seu nome? Liza Vieira.

Liza Vieira nasceu em São Paulo, no dia 18 de setembro de 1949. E foi em terras paulistas que sedimentou sua carreira, seja nos palcos, na televisão e no cinema – depois de consagrada na Tupi é que atua na Globo.

Liza começou sua trajetória artística no teatro amador, e depois de se profissionalizar desenvolveu importante carreira nos palcos.

A estreia em novelas se deu em grande estilo, pois em ótima produção da mestre Ivani Ribeiro em Camomila e Bem-me-quer, exibida na TV Tupi entre 1972/73. A partir daí atua em várias novelas da emissora – um dos destaques é como a doce Carola de Mulheres de Areia, dirigida também por Ivani.

Liza Vieira estreia nas telas do cinema em 1974, já sob a direção de dois grandes nomes da Boca: Clery Cunha e Ary Fernandes.

Com Ary Fernandes atua em O Supermanso, que reúne ótimo elenco – Mário Benvenutti, Francisco di Franco, Roberto Bolant, Marlene França e Fausto Rocha.

Já em Pensionato de Mulheres ela é uma das moradoras da casa mantida com rigor por Silvana Lopes. O filme focaliza as histórias dessas jovens, que são interpretadas por musas como ela, Magrit Siebert (as duas na foto), Helena Ramos e Cinira Camargo.

A década de 1970 vai ser de ouro no cinema para Liza Vieira, pois ainda que sua estreia tenha sido já na metade dela, é nesses anos 70 que ela atuará sob a lente de um time da pesada: Ody Fraga em Amantes, Amanhã se houver Sol (1975); J. Marreco em A Carne (1975); Fauzi Mansur em O Mulherengo (1976) e A Noite das Fêmeas (1976); José Miziara em As Amantes de um Homem Proibido (1978); Adriano Stuart em A Noite dos Duros (1978).

No bacana As Amantes de um Homem Proibido, de José Miziara, ela faz um papel sob medida ao viver a arredia personagem que é atormentada pelos avanços do pai bêbado e que acaba se apaixonando pelo forasteiro vivido por Nuno Leal Mais.

Já fora do padrão dos filmes da Boca, ainda na década de 70 encontra o cinema do mestre Walter Hugo Khouri em Paixão e Sombras (1977) como uma aspirante a atriz em teste delicioso acompanhada da musa Aldine Muller.

E tem no longa em episódios Contos Eróticos sua mais importante atuação como a jovem da roça que é estuprada pelo patrão do pai com o consentimento dele. Dirigido por Eduardo Escorel, o episódio O Arremate (foto)  é protagonizado por Liza, Lima Duarte (o estuprador) e Castro Gonzaga (seu pai).

Em 1980 estreiam os dois últimos filmes da atriz: o cult da Boca O Inseto do Amor, de Fauzi Mansur; e o ótimo Ato de Violência, em que novamente é dirigida por Eduardo Escorel.

Infelizmente, depois disso Liza Viera não atuou mais em cinema, com apenas atuações esparsas em novelas na televisão e priorizando o teatro.

 

 Filmografia

Pensionato de Mulheres, Clery Cunha, 1974
O Supermando, Ary Fernandes, 1974
A Carne, J. Marreco, 1975
Amantes, Amanhã se houver Sol, Ody Fraga, 1975
A Noite das Fêmeas, Fauzi Mansur, 1976
O Mulherengo, Fauzi Mansur, 1976
Paixão e Sombras, Walter Hugo Khouri, 1977
Contos Eróticos – episódio O Arremate, Eduardo Escorel, 1977
A Noite dos Duros, Adriano Stuart, 1978
As Amantes de um Homem Proibido, José Miziara, 1978
O Inseto do Amor, Fauzi Mansur, 1980
Ato de Violência, Eduardo Escorel, 1980

O Mau Caráter

Especial Jece Valadão Cineasta

O Mau Caráter
Direção: Jece Valadão
Brasil, 1974.

Por Adilson Marcelino

O Mau Caráter é título apropriadíssimo para a persona cinematográfica que Jece Valadão forjou para si mesmo, para sempre associado à arte da cafajestagem.

Só que ao contrário do que parece, esse O Mau Caráter aposta muito mais na comédia debochada do que no entrecho policial em que ele nadava de braçada e que o título faz supor.

Aqui, Jece Valadão é Baby, um gerente de oficina que sonha em ser integrante do o grand monde. E para isso, passa a mão nos carrões que pipocam por lá e vai a campo para dar o golpe em viúvas idosas endinheiradas.

No início, acompanhamos um desses golpes, em que Estelita Bell vai parar num pardieiro para saborear um pf apimentado como se aquilo tudo fosse um atrativo folclórico como Baby insiste  em fazê-la pensar.

Mas a coisa esquenta mesmo  é quando Baby conhece um barão falido, mas cheio de pompa, interpretado por Rodolfo Arena. Eles -e mais a filha do barão, Camila, interpretada pela deusa Vera Gimenez – botam pra quebrar junto a granfinada para desfrutar da boa vida e garantir uns tantos trocados.

Entre as vítimas do bando estão a ricaça Licia Magna e o casal Rubens de Falco e Eloísa Mafalda. A primeira, roda o colar e suspira pelas juras indiretas de amor de Baby; já o casal cai nas garras dos meliantes desde em um golpe divertidíssimo de um peru até o patrocínio furado de uma importação de um acervo artístico.

Para isso, Baby e o Barão apostam todas as fichas em uma falsa identidade para o primeiro, que se apresenta para a sociedade como um guru vindo do Tibet.

O Mau Caráter tem ótima direção e roteiro de Jece Valadão, que faz graça inteligente, inclusive, com o feminismo de Betty Friedan em suas turras com a personagem de Vera Gimenez.

Estou com Aids

Especial A Aids no Cinema Brasileiro

 

Estou com Aids
Direção: David Cardoso
Brasil, 1986.

Por Adilson Marcelino

A década de 1980 revelou para o mundo uma das maiores tragédias do nosso tempo: A Aids. Ainda hoje sem cura, mesmo que com tratamentos avançados que prolongam a vida dos infectados com o vírus HIV, a Aids vem ceifando vidas no mundo inteiro, independente de idade, classe social, raça e identidade sexual.

Mas no princípio, a ciência e a sociedade apontavam, equivocadamente,  os tais grupos de risco: homossexuais masculinos, prostitutas, usuários de drogas injetáveis e hemofílicos. E os homossexuais, principalmente, foram os que mais sofreram, na pele e no preconceito, já que a Aids era chamada, inclusive, de câncer gay.

O filme Estou com Aids, produzido pela Dacar Filmes, de David Cardoso, é pioneiro na abordagem sobre o tema nos nossos cinemas, aliando ficção e documentário. Cardoso dirige e também comanda a cena no filme, já que é o entrevistador que sai a campo para ouvir médicos, psicólogos, anônimos, artistas e celebridades sobre o assunto.

Há em Estou com Aids toda a imperfeição de algumas produções mais pobres da Boca, sobretudo a estética descuidada, sem o famoso recurso da criatividade para driblar as dificuldades – não se pode perder de vista que foi um filme realizado totalmente de forma independente por Cardoso, que, inclusive, apostou que seria um sucesso, mas resultou em tremendo fracasso de público.

 O roteiro de Luiz Castillini é implacável com os personagens, para os quais a única saída é a morte. E esse fator é, inclusive, potencializado pela direção no uso exagerado da maquiagem. Mas é necessário salientar que David Cardoso, como repórter, vai em busca de diferentes fontes na época e tenta se manter neutro diante dos entrevistados, ainda que sua expressão facial pareça querer traí-lo.

Daí, temos tanto o esperado discurso alarmado de Pedro de Lara quanto um inesperado da cantora Alcione que joga a culpa nas costas nos turistas estrangeiros de olhos azuis.

Na parte ficcional da trama, o destaque fica com a personagem de Débora Muniz, uma empregada doméstica que é infectada pelo patrão bissexual. Durante o filme, acompanhamos sua tragédia, desde a perda do emprego, a recusa de abrigo da família no interior e seu final anunciado.

Estou com Aids é filme conduzido com mão pesadíssima, mas jamais deixa de ser interessante – além da importãncia pelo seu pioneirismo no cinema brasileiro.

Mágoa de Boiadeiro

Dossiê Jair Correia

Mágoa de Boiadeiro
Direção: Jeremias Moreira Filho
Montagem: Jair Correia
Brasil, 1978.

Por Adilson Marcelino

Na década de 1970, o cineasta Jeremias Moreira Filho fez parceria com o cantor Sérgio Reis em dois filmes rurais inspirados em músicas sertanejas de sucesso: Menino da Porteira (1976) e Mágoa de Boiadeiro (1977).

Só que ao contrário de Menino da Porteira, que foi um grande sucesso de público – e marcou a volta do cineasta mais de trinta anos depois com um remake -, infelizmente Mágoa de Boiadeiro não repetiu o sucesso da dobradinha.

Pura injustiça, pois Mágoa de Boiadeiro é filme rural dos mais interessantes.

O roteiro de Benedito Ruy Barbosa, um craque nesse universo e que depois focalizaria a ruralidade em novelas de sucesso, é inspirado na música homônima de Índio Vago e Nonô Basílio.

Na trama, Sérgio Reis é Diogo, um condutor de boiada que vê o crepúsculo de sua profissão, de seu grupo e de toda uma cultura arraigada no campo com a chegada do transporte de gado em frotas de caminhões.

Há ainda um entrecho amoroso com o galã sendo disputado por Malu Rocha e Maria Vianna, e mais o embate com o proprietário da frota que quer modernizar o transporte de bois em busca de mais lucros e menos riscos.

Tanto Benedito Ruy Barbosa quanto Jeremias Moreira Filho conhecem de perto o universo retratado, e por isso o tempo todo particular que marca o campo é evidenciado não só na história e na direção como também na apropriadíssima montagem assinada por Jair Correia.

Há na história lugar para a graça de Zé Coqueiro, mas há sobretudo uma amargura com o destino inexorável de final de toda uma cultura, restando para os aboiadores o exílio involuntário do campo. Seja para os festivais de rodeios, para outros lugares como o Pantanal, ou ainda mesmo para o subemprego nas cidades.

Mágoa de Boiadeiro é filme melancólico sobre toda uma cultura dizimada pelo chamado progresso.

A Aids sob a lente do cinema

Especial A Aids e o Cinema Brasileiro

 

Por Adilson Marcelino

 

Como bem argumentou o pesquisador Carlos Alberto de Carvalho no artigo exclusivo para a Zingu! Memória e esquecimento da Aids  no filme Cazuza, o tempo não para, muito rapidamente o cinema se debruçou o tema. E brilhantemente, ele discorre sobre esse recorte, desaguando em considerações sobre o filme dirigido por Sandra Werneck e Walter Carvalho.

Agora quando o recorte é quantidade de produções em longas, principal carro-chefe da produção,  nesses mais de 30 anos desde o surgimento da Aids, aí a situação não é nada atraente.

Se compararmos com outras tragédias que assolaram a humanidade,  como a peste negra, as grandes guerras mundiais, o holocausto,  e suas representações no cinema mundial, quando o assunto é Aids, o que se pode constatar é que o número de produção de filmes é bem inferior, sobretudo no campo de longa-metragem de ficção. Ou pelo menos do que chega até nós no circuito comercial.

Nesse universo nos lembramos de cara de filmes como  Mauvais Sang (1986), de Leo Carax, Filadélfia (1993), de Jonathan Demme,  Antes do Anoitecer (2000), de Julian Schnabel.

No cinema brasileiro não é diferente.

Desde o pioneiro docudrama produzido e dirigido por David Cardoso em 1986, Estou com Aids, com pouquíssima constância o tema resultou em longas de ficção no cinema nacional. E mesmo quando o formato é documentário em longa, quase sempre essas produções ficam confinadas nas TVs  Educativas.

Sérgio Bianchi foi outro pioneiro com seu interessante Romance (1988), perfeito representante do talento e do estilo cru e certeiro do cineasta.

Nelson Pereira dos Santos, considerado por muitos como o mais importante cineasta brasileiro vivo, foi dos poucos diretores do primeiro time que abordaram o tema. E ele fez isso elegantemente no subestimado Cinema de Lágrimas (1995).

Já nos anos 2000, foi a vez de chegar às telas a grande produção Carandiru (2003), de Hector Babenco, e a biografia Cazuza, o tempo não para (2004), de Sandra Werneck e Walter Carvalho.

Dentre os documentários, vale ressaltar O Olhar Triste (1995), de Olívio T. de Araújo, Positivas (2009), de Susanna Lira, e Dzi Croquettes (2010 – foto), de Tatiana Issa e Rafael Alvarez.

Todos esses longas estão focalizados nesse especial da Zingu! A Aids e o Cinema Brasileiro.

Um diretor de respeito

Especial Jece Valadão Cineasta

 

Por Adilson Marcelino

 

Jece Valadão faleceu no dia 26 de novembro de 2006 – seu nascimento foi  em 24 de julho de 1930, em Campo dos Goitacazes, no Rio de Janeiro. Portanto, são cinco anos sem o talento desse personagem importantíssimo para a história do cinema brasileiro.

A assinatura de ator que Jece Valadão construiu em torno de sua pessoa é tão forte que muitos se lembram dele mais imediatamente no universo da atuação. E não é para menos, pois Jece marcou presença em dezenas de filmes e trafegou pelas mais diferentes fases do cinema brasileiro: chanchada, Cinema Novo, Boca do Lixo, Cinema Marginal, era Embrafilme, cinemas dos anos 80 e Retomada.

Com isso, muitos se esquecem que Jece Valadão foi produtor importantíssimo, não só produzindo seus próprios filmes como de tantos outros cineastas em filmes que protagonizou. Exemplos imediatos? Os Cafajestes (1962), de Ruy Guerra, Mineirinho Vivo ou Morto (1967), de Aurélio Teixeira, Navalha na Carne (1974), de Braz Chediak, Eu Matei Lúcio Flávio (1979), de Antonio Calmon. Sua Magnus Filmes é capítulo indesviável na filmografia brasileira, sobretudo no cinema policial.

Agora quando é a carreira de cineasta, aí é que Jece é menos citado, ainda que tenha dirigido 16 filmes. E filmes de destaque como A Lei do Cão (1967), A Noite do Meu Bem (1968), O Matador Profissional (1969), Obsessão (1973), Nós, Os Canalhas (1975) e Os Amores da Pantera (1977).

Em tantos deles fazendo dobradinha com sua musa, e esposa na época, Vera Gimenez, Jece Valadão construiu uma carreira de cineasta de valor e que merece ser mais conhecida e citada.

É o que a Zingu! procura fazer nesse especial ao lançar foco sobre 8 filmes significativos de sua trajetória como diretor.

O Olhar Triste

Especial A Aids no Cinema Brasileiro

 

O Olhar Triste
Direção: Olívio T. de Araujo
Brasil, 1995.

Por Adilson Marcelino

 

Não foi nada fácil ser homossexual, prostituta, usuário de drogas injetáveis e hemofílico nos anos 1980. Não que não seja quase sempre, mas ali foi o epicentro em que a Aids surgiu como câncer gay, cujo vírus era transmitido via sangue e sexo. E o elenco acima era o acusador grupo de risco.

Não foi fácil também ver tanta gente, amigos, companheiros, familiares, caindo feito moscas, não sem antes sofrer todo tipo de preconceito e falta de estrutura médica.

Com o tempo, o termo grupo de risco caiu por terra, e a Aids se tornou uma tragédia mundial que ataca a todos.

Daí que, uma década e meia depois de seu surgimento, mas ainda em tempos de medo e cerceamento, o filme O Olhar Triste, de 1995, surgiu como um consolo. Não por despir-se de dor, pois os relatos são marcados por ela, por pessoas infectadas pelo vírus HIV em pleno susto. Mas por banhar esses depoimentos e essas pessoas com um olhar de tanta ternura e respeito.

O espaço aberto pela lente de Olívio T. de Araújo é para que os infectados e os doentes pudessem falar sobre suas vidas a partir daquele acontecimento trágico. Não como relatos de condenados à morte, como as manchetes da época propagavam, mas sobre um cotidiano ainda possível de abrigar sonhos e planos.

Triste triste triste, como está registrado em seu título, o filme, realizado no formato vídeo, é também uma aposta na esperança, pois aposta na vida. O Olhar Triste aposta na ternura.