O Homem de Papel

Especial Carlos Coimbra

O Homem de Papel
Direção: Carlos Coimbra
Brasil, 1976.

Por Sérgio Andrade

Carlos (Milton Moraes) é repórter policial do jornal “A Tribuna”. Descontente com os rumos profissionais, vê oportunidade de ficar famoso ao denunciar uma quadrilha que contrabandeia armas. Mas sua fonte desaparece misteriosamente e ele cai em descrédito. Decidido a descobrir a verdade, sai investigando pela cidade e passa a ser perseguido pelos membros da quadrilha.

Ao tratar de matérias sensacionalistas, jornalismo marrom, o filme evoca o ácido A Montanha dos Sete Abutres, de Billy Wilder. Carlos lembra Chuck Tatum, o personagem de Kirk Douglas naquele clássico.

Já sua trama policial remete ao film noir, só que um noir passado num cenário insólito, a ensolarada Fortaleza. Não falta nem mesmo uma femme fatale, de comportamento dúbio, no caminho de nosso anti-herói, a loiraça Renata (Vera Gimenez).

Com direção do sempre competente artesão Carlos Coimbra, encenando boas perseguições e cenas de suspense, o filme tem no elenco seu ponto forte.

Milton Moraes compreendeu muito bem seu Carlos, um personagem ao mesmo tempo ingênuo e cafajeste, disposto a tudo por uma boa reportagem. Vera só precisa ser sedutora e Jece Valadão, seu marido na época, que devia estar lhe acompanhando nas filmagens, acabou sendo convidado para uma participação especial como ele mesmo.

José Lewgoy é o irascível chefe da redação, Terezinha Sodré a noiva de Carlos que ao tentar ajudá-lo acaba sempre o colocando em situação difícil e Ziembinski é o afetado chefe da quadrilha que num rompante de raiva esmaga um passarinho na mão.

Sem ser um grande filme, talvez nem mesmo um bom filme, O Homem de Papel consegue entreter o espectador pela beleza da paisagem, a competência do elenco e a boa direção de Coimbra.

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