O Grande Xerife – Texto II

Dossiê Toni Cardi

 

O grande xerife
Direção: Pio Zamuner
Brasil, 1972. 

Por Edu Jancz
  

O argumento de O Grande Xerife é de Amácio Mazzaropi  e do escritor e roteirista Marcos Rey.

Tive o prazer de conhecer Marcos Rey nas Bienais do Livro. No final de março de 1999 – alguns dias antes de sua morte –  tive o privilégio de estar em sua casa. Claro que a conversa girou sobre literatura. Com  algum tato, perguntei do Marcos Rey roteirista. Donde ele me contou um encontro de trabalho entre ele e o velho Mazza.

Disse que Mazza o recebeu  vestindo um elegante robe de chambre. De um dos bolsos tirou um pacote de notas e passou ao escritor. Estava saldando um roteiro aprovado. Assim era o Mazza, pagava só e somente com dinheiro vivo. Nada de cheque ou depósito em conta.  Marcos saiu preocupado por estar com um pacote de dinheiro. Felizmente, nada aconteceu.

O Grande Xerife é outro exemplar de faroeste caboclo à moda Mazzaropi. No início, tal como nos westerns americanos ou italianos, um cavaleiro solitário cavalga por uma planície. Ele é Inácio Pororoca (Mazza), um simples chefe do Correio, valente, corajoso, viúvo, pai da Mariazinha. E um dos moradores mais antigos da Vila do Céu.

Nem tudo corre bem por lá. Um bando, sob a tutela  de João Bigode, espalha o terror na região, roubando e matando. Inclusive, o xerife é assassinado. Com a cidade sem uma autoridade legal, o prefeito, o dono do banco e alguns fazendeiros resolvem eleger Inácio Pororoca para o cargo. Não por acreditar em sua capacidade. Mas na esperança de que ele fosse rapidamente eliminado pelo bando de celerados, visto Inácio saber alguns “podres” dos donos do poder.

Inácio Pororoca é daquele matuto tinhoso, sem medo e disposto a não fugir de uma boa briga. Armado de uma espingarda com cano torto – para atingir bandidos que fugiram por uma esquina, ele vai levar sua luta adiante.

Em determinado momento, quando sabe que os bandidos vão atacar uma fazenda, Inácio pede ajuda da população. Um a um, os homens negam. Dizem estar ocupados. Tal como Gary Cooper em Matar ou Morrer ele parece estar só. Parece!

Em O Grande Xerife o tom de farsa predomina o tempo todo. O humor praticado por Mazza e seus personagens é simples, popular e lembram o fazer circense.

As cenas de luta e tiroteios permeiam o filme de ponta a ponta. Filmadas com grande habilidade pelo diretor Pio Zamuner

Toni Cardi aqui tem um papel de coadjuvante segunda linha e  interpreta o capataz Júlio. De início parece o mocinho, cena seguinte, ele está com o bando de João Bigode. É um personagem dúbio, traíra, instável e inconfiável. O que permite ao ator um bom exercício de interpretação.

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