Depoimento: Castor Guerra

Dossiê Toni Cardi

Depoimento de Castor Guerra
 

O início da minha carreira artística foi como figurante. Não tenho nenhuma vergonha em falar isso. Meu primeiro longa-metragem foi Um Pistoleiro Chamado Caviúna, junto com o Tony Vieira. Depois, eu fiz Gringo, o Último Matador e comecei a freqüentar a Rua do Triunfo, que era o centro da produção cinematográfica.

Nisso, eu fui fazer figuração num filme do Mazzaropi, chamado O Grande Xerife. Eu ganhei um cachê de coadjuvante, quando na verdade eu fazia figuração. Fiquei 22 dias na fazenda em Taubaté com toda a equipe. No primeiro dia que eu cheguei, ninguém falava comigo. Eu era um inteiro desconhecido e também só conhecia o Mazzaropi. Mas eu ia me sentar na mesa com ele?

Essa passagem que eu vou te falar sobre o Toni Cardi, eu gostaria de falar olhando nos olhos dele. Ele foi uma das primeiras pessoas a conversar comigo e me perguntou qual seria a minha função naquela produção. “Vou fazer figuração”, respondi. “Legal. Escuta, você vai pra Tremembé com a gente?”. Puxa, eu nem sabia que existia essa cidade. Depois do jantar, uma kombi levou a gente pra dar um passeio em Tremembé. Me lembro que estava tendo uma festa ou uma espécie de quermesse lá. Nós ficamos andando juntos e olhando as moças.

O Toni Cardi foi a primeira pessoa a me respeitar como figurante. Ele me ensinou isso. Eu nunca imaginei que um ator do porte dele pudesse ter uma atitude como aquela. Na época, ele já era uma estrela, um grande nome. Nunca vou me esquecer desse episódio que vivi com ele.

 

Castor Guerra é ator. Trabalhou com Toni Cardi em O Grande Xerife (1972).

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