Gilberto Wagner fala sobre Ary Fernandes

Dossiê Gilberto Wagner

Gilberto Wagner fala sobre Ary Fernandes
Por Antônio Leão da Silva Neto

Seleção e transcrição: Matheus Trunk

Sou sobrinho de Ary Fernandes. Quando vim ao mundo meu tio já fazia cinema. Em 1958, com sete anos de idade fiz uma pequena ponta no filme O Grande Momento, de Roberto Santos. Eu era muito criança e meus pais não gostavam muito da ideia de eu seguir a carreira artística, ficavam preocupados por causa da escola, etc., mas meu tio sempre me levava, acabei fazendo alguns comerciais de televisão e participei de um capítulo do Vigilante Rodoviário chamado O Suspeito, junto com aquela garotada famosa, Tuca, Fominha, Gasolina, etc. Lembro de uma passagem curiosa, quando fiz esse episódio, um dia Carlinhos foi me buscar com a Simca e o Lobo na porta da minha escola, foi uma loucura, parou o colégio, e eu fiquei todo orgulhoso, era paparicado pelas meninas.

Mas minha carreira cinematográfica era inevitável, com 17 anos fui ser assistente de montagem de Luiz Elias, na série Águias de Fogo e com ele aprendi todos os segredos da profissão, depois fui para Lynx Films dirigir documentários e principalmente comerciais, o forte deles. Trabalhei também na Marca Filmes, que era de propriedade do Sílvio Santos. A empresa ficava dentro dos estúdios da Vila Guilherme. A maioria dos comerciais era do próprio grupo, mas tinha de fora também, como da caneta Papermate. Várias vezes, montei programas do Sílvio e ele ficava junto na moviola, com o Luciano Calegari.

Nos anos 70, abracei a profissão de vez e montei dezenas de filmes na Boca do Lixo, para diretores importantes como Carlos Reichenbach, Walter Hugo Khouri, Alfredo Sternheim, José Miziara, Antonio Meliande e o próprio Ary, para quem montei 11 filmes, entre eles, o piloto da nova série do Vigilante Rodoviário, com Antônio Fonzar no papel principal.

Sempre gostei de fazer sonoplastia também, tinha um arquivo grande de sons, ruídos e efeitos. No episódio que montei do Vigilante, eu fiz boa parte da sonoplastia. Levei um capô de carro para dentro do estúdio para fazer o barulho de carros se chocando. Eu aprendi com Luizinho a montar rápido e isso fazia com que muitos produtores me procurassem, pois o serviço rendia na minha mão.

Nessa época casei-me com a filha de um empresário português que tinha uma rede de postos de gasolina e eles insistiram para que eu fosse trabalhar com eles, então larguei o cinema, o que me arrependo muito. Depois me separei e quando quis retornar já era tarde.

Recentemente auxiliei Luiz Elias na montagem do filme Pelé Eterno, mas também ajudei na produção, inclusive fiquei sete meses na TV Record procurando gols de Pelé em seus arquivos.

Nesses arquivos encontrei um dos primeiros gols do Pelé, e fui elogiado pelo próprio Pelé pelo feito.

Ary Fernandes é meu segundo pai, ajudou a me educar, me deu uma profissão, tenho muito orgulho dele, principalmente pela série Vigilante rodoviário, um tremendo sucesso na época.

Retirado do livro Ary Fernandes: Sua Fascinante História, de Antônio Leão da Silva Neto, publicado originalmente pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo em 2006.

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