Onda Nova

Especial Futebol no Cinema Brasileiro

Onda Nova
Direção: Ícaro Martins e José Antonio Garcia
Brasil, 1983.

Por William Alves

Carla Camurati, que nos anos 90 se lançou à direção de longas-metragens com Carlota Joaquina (1995), é uma das protagonistas de Onda Nova. No filme, ela é Rita, uma lindíssima loira de vinte e poucos anos. Ela e suas amigas, todas na mesma faixa etária, acabam de formar o Gaivotas Futebol Clube, time de futebol feminino de São Paulo. A técnica e o apuro futebolístico das garotas são primários, mas o entusiasmo é grande.

O início do filme se assemelha muito a uma pornochanchada setentista. Após a primeira partida encenada no filme, as garotas se esbaldam em variadas relações sexuais, apresentadas com um bom número de minúcias pelas lentes de José Antônio Garcia e Ícaro Martins. Devido ao número elevado de participantes do Gaivotas, ele abrange todo tipo de etnia e orientação sexual e os vestiários e instalações do time são transformadas em espaços propícios ao flerte descarado – e a putaria não rola apenas em âmbito heterossexual.

Onda Nova não traz nenhum tipo de argumento instigante, pois. Trata-se, pura e simplesmente, de uma história sobre o cotidiano de algumas garotas fãs de futebol e os personagens que as rodeiam. Como Neneca, a treinadora do time; Batata e Lili, jogadoras; e Carioca, amigo das meninas e ocasional amante de Rita, interpretada pela já citada Camurati.

Para os fãs de pornochanchada e sexo (quase) explícito em geral, a primeira metade é puro deleite. Temos moças bem apessoadas e desnudas, e situações cômicas em bom número, como os precários jogos disputados pelas mulheres. O problema é que toda essa libertinagem começa a cansar lá pelos cinquenta minutos de filme (e ele dura o dobro disso). Há tempo para as Gaivotas fazerem uma ponta no programa do Chacrinha e participações de craques ilustres do futebol nacional, como Casagrande e Wladimir, ambos ex-jogadores do Corinthians. Casagrande faz uma ponta como um legítimo “boi reprodutor”, quando uma das jogadoras pede, com delicadeza, que ele a deflore.

A presença dos dois jogadores não tem muita razão de ser, sendo utilizados apenas para o sexo casual com as “atletas”, fãs dos boleiros. No meio de tudo ainda há uma breve aparição de Caetano Veloso, que aparece transando (não diga!) com uma garota em um táxi. Onda Nova sofre uma bizarra reviravolta na sua segunda parte, quando é adicionada uma carga de surrealismo sobre a floreada chanchada do início. E é aí que tudo piora ainda mais. As alegres surubas do início se transformam em algo parecido como um pornô existencialista.

Indicado apenas para os fãs de futebol feminino, ou da trinca futebol, mulher e cerveja. Ou para os/as fãs de peitinhos naturais, apenas, já que esses aparecem em quantidades cavalares.

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