Filme-Farol

Por Marcelo Miranda


“O Bandido da Luz Vermelha”: eterno, atemporal e gigante


Em 2012 chegou às telas brasileiras “Luz nas Trevas”, uma nova roupagem do filme iconoclasta e despirocado de Rogério Sganzerla. A memória sempre rediviva a partir do impacto de “O Bandido da Luz Vermelha” é ainda mais fortemente reforçada. Eis o clichê mais ideal de todos em se tratando de um filme-farol: falar de “O Bandido da Luz Vermelha”.

Sim, o cinema brasileiro tem “Limite”, tem “À Meia-Noite Levarei sua Alma”, tem “Rio 40 Graus”, tem “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, tem “Cabaret Mineiro”, tem diversos outros títulos que eu poderia escolher sem pestanejar para ilustrar esta seção da Zingu!. Porém, neste momento exato (sexta-feira, 11 de maio de 2012), quando estreia nos cinemas “Luz nas Trevas”, de Helena Ignez e Ícaro Martins, meu afeto cinéfilo está todo voltado (de novo) para “O Bandido da Luz Vermelha”. Fiquemos, portanto, com aquele que não respeita a propriedade privada (de ninguém).

Tão poderoso quanto “O Bandido…” é o estímulo causado por ele. Estímulo cinefílico, estético, narrativo, deliciosamente bagunçado e coerentemente implodido. Um filme que, à sua época (1968), já era o antifilme – termo que Sganzerla utilizaria para definir seu trabalho derradeiro décadas depois, “O Signo do Caos”.

Tudo o que não poderia estar num filme está em “O Bandido da Luz Vermelha”, e tudo que deveria estar num filme também está lá, dinamitado pela efervescente e infinita criatividade de seu realizador. A cada revisão “O Bandido…” é um novo, um outro filme. Abençoados são os espectadores que ainda não o assistiram, pois terão o privilégio de sofrerem aquele inesquecível primeiro choque que depois jamais será repetido – será, porém, sempre renovado.

Porque o choque de “O Bandido da Luz Vermelha” é tão contínuo e atemporal quanto a genialidade de Sganzerla. Voltemos a ele sempre, de tempos em tempos, com ou sem “Luz nas Trevas” nos cinemas. Porque aqui há o filme-farol definitivo – não o único, mas um dos mais gigantes.

Marcelo Miranda é crítico de cinema na revista eletrônica Filmes Polvo (www.filmespolvo.com.br) e repórter do jornal O Tempo, em Belo Horizonte (MG), entre outras colaborações.

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