O Ibrahim do Subúrbio – episódio Roy, O Gargalhador Profissional

Dossiê Astolfo Araújo


O Ibrahim do Subúrbio
Direção: episódio de Astolfo Araújo – Roy, O Gargalhador Profissional
Brasil, 1976

Por Edu Jancz

O Ibrahim do Subúrbio, filme em dois episódios, traz a chancela do produtor e cineasta Pedro Carlos Rovai.

Nascido em São Paulo e tendo aprendido os primeiros passos do ofício com mestres como Luis Sérgio Person (São Paulo S/A) e Rubem Biáfora (O Quarto), Rovai muda para o Rio de Janeiro e lá firma-se como um dos mais profícuos e elegantes produtores de filmes brasileiros, com acentos de humor, crítica, sensualidade e diversidade de temas.

Em O Ibrahim do Subúrbio, além da parceria do diretor paulistano Astolfo Araújo e de Cecil Thiré, Rovai contou com a preciosa colaboração de um gênio do texto brasileiro: Armando Costa, morto em 1984.

Só pra lembrar. Armando Costa é, nos anos 60, um dos fundadores do Centro Popular de Cultura da UNE, o CPC, bem como do Teatro Opinião, onde fez parceria com Ferreira Gullar e o genial Oduvaldo Vianna Filho, o Vianinha. Na década de 70, ele e Vianinha escrevem para a televisão um dos melhores trabalhos que a telinha já exibiu: A Grande Família – ainda hoje, 2012, em cartaz, com forte tentativa de manter o espírito da série dos anos 70.

Todos esses pais de O Ibrahim do Subúrbio criaram um filme que é um retrato 3×4 de dois brasileiros tentando se equilibrar na corda bamba da vida, num país de contradições mil.

No primeiro episódio, Roy, o Gargalhador  Profissional, dirigido por Astolfo Araújo, o personagem interpretado por  Paulo Hesse é  um “duro”  do subúrbio carioca,  que faz “das tripas coração”  para trazer minguada comida à mesa de sua família. Tenta, inclusive, ser um publicitário tipo “o homem das pernas de pau”, mas sem o equilíbrio (metafórico) necessário, perde sua “boquinha”. No entanto, uma característica pessoal, um riso forte e contagiante (outra metáfora), lhe traz um trabalho na televisão – aqui no início de suas atividades- – como gargalhador profissional (a claque) de um programa cômico. Destaque para a belíssima atuação de Paulo Hesse, espelhando seu personagem com mil caras e bocas, de forma contida, muitas vezes alegre e algumas triste. Como a vida!

O segundo episódio dá nome ao filme. Outro brasileiro tentando se equilibrar e sobreviver. Casemiro de Abreu – que ele define como o “contra parente do poeta”, vive em Quintino, subúrbio carioca, come o “pão que o diabo amassou”, mas fantasia uma vida espelhada nas colunas – elegantes – de Ibrahim Sued. É outro “duro” que vê uma chance de subir na vida (deliciosa ironia) quando sua filha fica grávida do filho do açougueiro local. Casemiro imagina um casamento com pompas e circunstâncias, além de notícias com destaque na coluna do Ibrahim. Sonhos, que a realidade cuida de educar.  A direção é de Cécil Thiré. Casemiro é magnificamente interpretado por um José Lewgoy, no melhor de sua forma.

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