A Casa das Tentações

Dossiê Astolfo Araújo

A Casa das Tentações
Direção: Rubem Biáfora
Produção: Astolfo Araújo
Brasil, 1975.

Por Adilson Marcelino

Importante e controvertido crítico de cinema, o paulista Rubem Biáfora dirigiu três filmes: Ravina (1959); O Quarto (1968); e esse A Casa das Tentações. Alguns detratores acusam seus filmes de artificiais, mas mesmo eles jamais podem ignorar a obra-prima que é O Quarto, com a história do personagem de Sérgio Hingst, um funcionário público mergulhado em solidão urbana. Se essa acusação de artificialismo recaiu sobretudo em Ravina, em A Casa das Tentações o cineasta ofereceu mais munição para seus críticos.

Na trama, Flávio Portho é um jovem andarilho com dramas existenciais – pensa que pode morrer aos 33 como Cristo – retorna ao casarão da família com a namorada Elizabeth Gasper, e a encontra detonada e decadente. Lá vive Aurea Campos, a bá, preocupada com o destino da construção que pode virar um bordel disfarçado de boate. Portho passa a rememorar o passado vivido na casa, ao mesmo tempo em que assiste impotente tudo ruir à sua volta.

A direção de Biáfora – que também assina o argumento e o roteiro; a produção é de Astolfo Araújo – adota uma estética quase teatral, com tomadas sem profundidade e os atores interpretando seus personagens em registro de planitude, ainda que seus dramas possam ser profundos. Efeito que a cenografia de Rocco Biaggi e a fotografia e a câmera de Cláudio Portioli potencializam – os tons coloridos, como o quarto vermelho, são destaques.

Elizabeth Gasper, eternamente moderna, é presença marcante como a cantora sem direito à ribalta, já que Betina Viany – outra ótima presença – é a mulher que lhe retira o lugar real e no imaginário da casa. Mas quem rouba a cena em suas participações é Marilena Ansaldi em belos números de dança, e, sobretudo, Paulo Hesse como um auto-denominado diretor de teatro de vanguarda, que faz de Cavagnole Neto um Netuno hilariantemente ultrajado. Há ainda a presença hipnotizante de Selma Egrei e destaques para Arassary de Oliveira e Pedro Stepanenko, que recebeu o APCA de Melhor Ator Coadjuvante como o escroque Voronoff.

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