A Super Fêmea

Especial John Herbert

A Super Fêmea
Direção: Aníbal Massaini Neto
Brasil, 1973.

Por Edu Jancz

“Abaixo o poder dos homens”; “Está na hora de ficar por cima”; Viva a supremacia das mulheres”; “Contra a pílula feminina”; “A favor da pílula masculina”…

Em meio a esse clima de contestação, um grupo de mulheres propõe maior participação dos homens no controle da natalidade. Em vez delas, seriam os homens que tomariam a pílula.

Uma empresa vê nessa reivindicação a possibilidade de vender milhões de pílulas e engordar a sua conta bancária. Apenas um problema: pesquisa revela que 83% dos homens temem tomar a tal pílula com medo de uma redução total ou parcial de seu desejo sexual.

Como em publicidade tudo um jeito se dá, um guru (interpretado por Perry Salles) vê a luz no fim do túnel: uma campanha que associe os três mitos brasileiros: mulher, café e jogo. O primeiro e difícil passo é achar mulher belíssima que seria nominada de Super Fêmea e defenderia incondicionalmente o uso da pílula masculina. Bem como da eficácia de tal pílula, de cor marrom, no aumento do desejo sexual dos homens.

Nasce a Super Fêmea. Surge saindo de uma piscina a deliciosa Vera Fischer, 22 aninhos, um corpo escultural, convite irrecusável para bem mais de 400 talheres. Se hoje, 2012, ainda babo falando de Vera, imaginem eu com 23 anos vendo-a de calcinha e sutiã em boa parte das cenas do filme assinado por Aníbal Massaini Neto.

Mulheres gostosas, de calcinha ou sutiã, ou com algum seio nu escapando por poucos fotogramas na tela eram uma das marcas das boas pornochanchadas. Em A Super Fêmea elas estão bem presentes e apimentam nosso paladar.

Com roteiro assinado por Lauro Cesar Muniz, A Super Fêmea pouco ou em nada nos surpreende. Seu ritmo – considerada a distância dos anos – é lento e precisamos de muita paciência para garimpar boas piadas.

Certamente, o ponto mais negativo e irritante de A Super Fêmea é o exagerado maneirismo do ator e futuro marido de Vera, Perry Salles.

Pontos a favor.  Curiosidades, citações e pequenas-grandes interpretações. Como a do ator Sérgio Hingst, que faz um “Dom Corleone” emblemático. Em sua última cena, após despachar um afilhado, o “padrinho” atira um dardo numa enorme foto de Marlon Brando que está em seu escritório. Não o Brando de O Poderoso Chefão.  O Brando de Queimada.

Outro momento pontual: o beijo lésbico, ainda que suave, entre Vera Fischer e Geórgia Gomide.

John Herbert tem participação especial. Ele é um milionário que encomenda 50 mil caixas da pílula que deixa os homens muitos mais potentes e fogosos. Por acidente, as pílulas caem num rio que municia uma estância balneária para público da Melhor Idade. Dá pra imaginar a festa e sacanagens que rolam entre pacientes – agora bem impacientes – e as jovens enfermeiras do local.

Em meio ao grande elenco, a presença de um hoje senhor respeitável e muito famoso: Silvio de Abreu. Ele dá mostras de seu talento como ator, interpretando um publicitário aparvalhado e com trejeitos muito suspeitos.

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