Rádio Pirata

Dossiê Ewerton de  Castro

Rádio Pirata
Direção Lael Rodrigues
Brasil, 1987.

Por Adilson Marcelino

Lael Rodrigues é nome de expressão no cinema brasileiro com seus filmes de rock para jovens. Nessa praia dirigiu três: Bete Balanço (1984) – o mais bem sucedido de todos; Rock Estrela (1985); e esse Rádio Pirata.

A bem da verdade, ainda que Brasil de Cazuza abra os créditos, Lobão esteja na trilha, e Marina Lima esteja de carne e osso cantando Pseudo Blues, Rádio Pirata tem trama mais adulta, já que trata de corrupção no país– o tal Brasil cantado por Cazuza.

O filme fala sobre espionagem industrial envolvendo o ramo de computação e interesses e jogatinas escusos entre uma empresa brasileira de informática e uma multinacional. Quando Carlos (Ewerton de Castro) descobre o rolo e decide se denuncia ou não, sua vida passa a correr perigo.  Mas quando seu destino se torna carta marcada, somente Bravo (Jayme Periard), seu subordinado que descobrira a falcatrua junto com ele, é que poderá fazer alguma coisa. Bravo usará então uma rádio pirata para fazer as denúncias, contando com a ajuda de Alice (Lidia Brondi), uma paixão fulminante que conhece em uma noite chuvosa.

Rádio Pirata é um equívoco. Falar de corrupção em meio à asa delta e romance desandou de vez nas mãos de Rodrigues, que co-assina o roteiro com Yoya Wurch. Uma pena, pois Lael domina bem a cena de Bete Balanço, mas aqui nem parece ser o mesmo diretor – e o péssimo roteiro faz o filme afundar ainda mais. Provavelmente, pela ambição do tema espinhoso e nada juvenil como nos seus filmes anteriores.

O único destaque do filme é presença ensolarada de Lidia Brondi, que ainda que defenda personagem inverossímil – como, aliás, é também o de Periard e de toda a forma como a trama é conduzida -, mata nossa saudade de ver nas telas uma das ninfetas mais desejadas do país e que abandonou a carreira cedo demais em 1990, com apenas 30 anos.

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