As Armas

Dossiê Ewerton de Castro

 

As Armas
Direção: Astolfo Araujo
Brasil, 1969.

Por Adilson Marcelino

 

As Armas é produção corajosa, pois levada a cabo em plena ditadura militar e tendo como foco um grupo revolucionário.

No filme, o grande Mário Benvenutti integra o tal grupo como chofer do líder, o  Professor (Cavagnole Neto). Ainda que desempenhe função importante, levando os integrantes para lá e para cá e transportando documentos sigilosos e perigosos, sente-se pouco aproveitado, já que não participa das grandes decisões e é tratado com um simples empregado.

“já tenho 35 anos”, reclama ao Professor, e indaga quando seu papel naquilo tudo vai melhorar, já que está preocupado com o futuro, pois nem tem casa para morar. Na verdade, ele está mais interessado em concretizar seus desejos burgueses do que em qualquer luta por mudanças políticas no país.

E são esses desejos individuais que vão entrar em choque com as ideias do coletivo – cujos desejos também são ambíguos –  resultando em caminhos inesperados para todos.

Produzido pela dupla de ouro da Boca, Alfredo Palácios e Antonio Polo Galante, com participação da Data filmes de  Astolfo Araujo e Rubem Biáfora, As Armas é o longa de estreia de Araujo.

Já aqui, Astolfo Araujo imprime a assinatura particularíssima que seria identificada sobretudo no seu terceiro e último longa, Fora das Grades (1971), com seus viés altamente político.

Com argumento assinado pelo cineasta e por Rubem Biáfora – o roteiro é totalmente do diretor – o personagem de Mário Benvenutti remete um pouco ao protagonista interpretado por Sergio Hingst no belo O Quarto (1967), dirigido por Biáfora.

Com direção elegante e sem firulas e marcado por estrutura seca, econômica e sem psicologismos, As Armas se vale também do ótimo elenco muito bem dirigido: Benvenutti, Irene Stefânia, Pedro Stepanenko, Francisco Cúrcio, Cavagnole Neto.

Ewerton de Castro, em um de seus primeiros filmes, faz pequena mas marcante participação como filho de um dono de uma oficina/ferro velho que fora preso pela repressão. É um papelico, mas o ator já demonstra ali a que veio.

Com bela fotografia p&b de Waldemar Lima, As Armas valeu a Menção Honrosa para o cineasta Astolfo Araújo no Prêmio Governador do Estado de São Paulo 1969.

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