Retrato Falado de um Mulher sem Pudor

Dossiê Jair Correia

Retrato Falado de Uma Mulher Sem Pudor
Direção: Jair Correia e Hélio Porto
Brasil, 1982. 

Por Matheus Trunk

Os estudiosos de cinema nacional não entendem a importância do filme policial brasileiro. Depois da comédia, este é o gênero mais explorado pelos realizadores tupiniquins. Na Boca do Lixo, existiram diretores especializados no cinema policial popular como Clery Cunha, Francisco Cavalcanti e Tony Vieira. Mas houveram produções ambiciosas do gênero que são pouco lembradas. Retrato Falado de Uma Mulher Sem Pudor é um desses filmes.

Logo no início do longa-metragem, sabemos que a modelo fotográfica Paula (Monique Lafond) foi assassinada de maneira covarde. Mulher independente, a ex-aeromoça nunca manteve uma vida regrada. Ela se envolveu amorosamente com diversos homens. Tudo isso irá dificultar a vida do detetive que investiga o crime. Com uma trama cheia de armações, o policial terá que desafiar a própria corporação para achar o verdadeiro culpado. De certa maneira, o detetive adquire uma espécie paixão platônica pela vítima.

Diversos elementos nos fazem perceber que este é um filme acima da média. O roteiro caprichado prende o espectador até o final da película. A trilha sonora é assinada por Egberto Gismonti e a fotografia por Tony Rabatony. O elenco tem atores talentosos como Paulo César Pereiro, John Herbert, Fúlvio Stefanini, Jonas Bloch e Serafim Gonzalez.

Atualmente, são poucos os realizadores brasileiros que gostam de trabalhar com o cinema policial. Um dos cineastas que investe no gênero é José Joffily que assinou a direção de Achados e Perdidos. O grande mérito de Retrato Falado é conseguir ser uma fita policial na acepção da palavra, com uma trama envolvente.

 

Anúncios