Entrevista: Jair Correia – Parte 4

Dossiê Jair Correia
Parte 4: Depois do cinema

 

Zingu! – Depois de Shock, você abandonou o cinema e se mudou para Ribeirão Preto. Por que isso? 

Jair Correia – Não abandonei o cinema, estou vivo! Depois de Shock, escrevi O Proprietário, juntamente com o escritor espanhol Mário Garcia-Guillen. Trata-se de um thriller nietzscheniano que deveríamos filmar em março e abril de 86, mas,o Plano Cruzado lançado no governo Sarney pelo ministro da Fazenda Dilson Funaro acabou com a nossa alegria. Era 27 de fevereiro, estava num hotel em Blumenau. Às sete da manhã, fui acordado por Dieter Hering, diretor presidente das Malharias Hering, desistindo de participar do projeto. Até às dez da manhã, todas as empresas locais que durante um mês vinham acertando formas de patrocínio ao filme ligaram desistindo de sua participação. Logo depois, o secretário de Cultura de Blumenau Daniel Curtipassi ligou falando do colapso e, por último, Luis Carlos Dupont, que era meu produtor, pede para que pegue um avião e volte para São Paulo. Até hoje não consegui realizar este filme. E posso lhe dizer que o roteiro é extraordinário. Quando mudei para Ribeirão Preto, estava dirigindo o Plantão da Madrugada, do Goulart de Andrade, na Bandeirantes, então nos primeiros dois anos fiquei num trânsito entre São Paulo, Blumenau e Ribeirão Preto. 

Z – Não pensa em voltar a trabalhar na área? 

JC – Nunca parei de trabalhar na área, dirigi comerciais, documentários turísticos, programas de televisão e, desde 2001, dou aulas de Interpretação para Cinema e Vídeo no Curso de Artes Cênicas do Centro Universitário Barão de Mauá. 

Z – Por que um gosto tão grande em transitar entre tantas fronteiras nas artes? 

JC – Para muitos, cada uma das diversas áreas das artes é suficientemente capaz de satisfazer seus objetivos. Eu tenho uma forma particular de ver a arte, que busca diversas formas para se manifestar; desta maneira, uma única área da arte não me satisfaz. Por isso, busco diversas formas de preencher minhas necessidades por um resultado que some este meu conhecimento. Trabalho com artes plásticas, artes gráficas, cinema, teatro, animação e multimídia para conquistar meu espaço artístico – são ferramentas presentes para formalizar meus anseios. 

Z – O que tem feito recentemente? 

Arte. Como artista plástico, tenho exposto em diversos Salões em Brasília, Ribeirão Preto e São Paulo. Participei da Bienal, fui cenógrafo do grupo teatral Fora do sériO e também fiz a produção executiva deles e dirigi alguns espetáculos – um deles, Auto da Barca do Inferno, foi indicado ao Prêmio Shell. Também dou aula de cenografia e máscaras teatrais no Curso de Artes Cênicas. Desde 2008, venho trabalhando no meu filme de animação, Metamorphosis, que pretendo terminar em 2016. Até lá, eu tenho um árduo trabalho que me consome em média doze horas por dia, sem descanso.

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