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Especial Wilza Carla

 

Por Adilson Marcelino

Com lugar de honra no imaginário popular brasileiro, Wilza Carla brilhou em diferentes palcos: teatro, desfiles de fantasia de carnaval, cinema, novelas, programas de auditório e humorísticos.

Carioca nascida em Niterói em 29 de outubro – em algumas fontes, 1938, noutras 1935 – , Wilza Carla construiu sua carreira valendo-se de inegável carisma, tipo físico singular e talento.

Se o tipo físico muitas vezes imperou em papéis que ressaltavam esse predicado, seja em filmes ou novelas, é fato que quando se desvencilhou desse fator imediato pode mostrar também todo seu talento de atriz.

E não que as formas avantajadas lhe causassem problemas, longe disso. Wilza Carla, inclusive, orgulhava-se delas. É nossa eterna Dona Redonda, personagem imortalizada na novela de vanguarda Saramandaia (1976), escrita por Dias Gomes e dirigida por Walter Avancini.

Nos palcos, começou a carreira como vedete no Teatro de Revista – engordou depois. Já na televisão, marcou presença em humorísticos e alegrou os programas de auditório como jurada de Sílvio Santos e de Raul Gil. E na passarela, fez muito sucesso nos competitivos desfiles de fantasia de carnaval.

A estreia no cinema se dá em 1955, em filmes de Román Viñoly Barreto – Chico Viola Não Morreu; Carlos Hugo Christensen – Leonora dos Sete Mares; Luiz de Barros – Trabalhou Bem Genival.

Começava aí uma carreira cinematográfica de mais de 40 filmes. E o melhor, dirigida por cineastas de diferentes escolas dentro do cinema brasileiro: Cinema Popular, Pornochanchada, Cinema Novo, Cinema Marginal, produções da Embrafilme – além de co-produções internacionais.

Wilza Carla tem um currículo cinematográfico de fazer inveja em muita gente, pois foi dirigida por cineastas da maior importância: Carlos Hugo Christensen, Luiz de Barros, Anselmo Duarte, Joaquim Pedro de Andrade, Carlos Diegues, Elyseu Visconti, Reginaldo Faria, J.B.Tanko,  Pedro Carlos Róvai, Carlos Alberto de Souza Barros, Xavier de Oliveira, Fauzi Mansur, Clery Cunha, Carlos Coimbra e Francisco Cavalcanti são alguns desses nomes.

Wilza Carla era capaz de encarnar tipos engraçados com uma assinatura muito própria, como nos filmes com Carlo Mossy – Com as Calças na Mão (1975) e As Massagistas Profissionais (1976) – as mordidas de beicinho são impagáveis; até aparições dramáticas inesquecíveis como a madame de Os Monstros de Babaloo (1971), uma das protagonistas do grande filme de Elyseu Visconti, e uma ponta sensacional e inesquecível como  uma cafetina em O Rei da Boca (1982), de Clery Cunha.

Wilza Carla faleceu no dia 18 de junho deste ano (2011), não sem antes se eternizar como uma das personalidades mais amadas pelo seu público popular.

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