Entrevista: Carlos Miranda

Dossiê Toni Cardi

Entrevista com Carlos Miranda

 Por Matheus Trunk

A voz calma e a educação formal escondem um homem que é ídolo de várias gerações. Aos 78 anos, o ator Carlos Miranda é um senhor de palavras gentis. Ele atendeu a reportagem da Zingu! num final de tarde por telefone. Nosso objetivo era falar sobre sua parceria de trabalho com o amigo Toni Cardi. “Poxa, você me desculpe, mas hoje está tudo corrido. O meu computador deu um problema e perdi muita coisa”. Mesmo assim, fomos atendidos pelo intérprete do lendário vigilante Carlos. 

Zingu!- Como o senhor conheceu o Toni Cardi?

Carlos Miranda- Na realidade, eu estou na área cinematográfica há mais tempo que ele. Eu comecei antes até porque sou mais velho que ele (risos). Entrei no cinema em 1949, na produtora Maristela. Depois, fui escolhido entre mais de 100 candidatos para ser o protagonista do famoso seriado Vigilante Rodoviário. O meu primeiro contato com o Toni Cardi aconteceu na Boca. Lá era o centro da produção. Logo  nos tornamos amigos e isso se intensificou com o passar dos anos. Visitei ele em Bauru inúmeras vezes.  

Z- Qual é a sua avaliação sobre ele como ator?

CM- O Toni é um excelente ator. Nessa época, a gente respirava cinema e passávamos muito tempo juntos. Ele tinha um tipo bom que se encaixava em diversos papéis, cabia tanto como galã até como marginal. Uma característica marcante é que ele sabia desempenhar muito bem as cenas de luta.  

Z- Como foi o trabalho de vocês no Até o Último Mercenário?

CM- Nós fizemos uma cena de luta que foi muito elogiada. Inclusive, nesse longa trabalhou a Marlene França, nossa colega que, infelizmente, faleceu recentemente. Ela foi uma descoberta do Ary quando ele estava fazendo A Rosa dos Ventos no Nordeste. Fui muito próximo a Marlene durante o período em que ela foi casada com o Milton Amaral. Felizmente, nesse trabalho deu tudo certo tanto na minha interpretação quanto na do Toni. 

Z- Durante esse filme, você chegou a ver o Toni profissionalmente. Não mais o seu amigo pessoal. Como ele era nesse aspecto?

CM- Ele sempre foi um cara sério, comprometido com o trabalho. É o companheiro ideal quando você quer realizar um longa-metragem. Eu sempre louvo o profissional e a pessoa dele.  

Z- Como era o relacionamento do Ary Fernandes com o Toni?

CM- Olha, o Ary gostava muito dele. Aliás, todo o pessoal da Boca tinha um carinho especial por ele.  

Z- Depois, ele e o Ary fizeram uma segunda versão do Vigilante Rodoviário, que acabou não tendo grande sucesso. Na opinião do senhor, por que isso aconteceu?

CM- Eles tentaram pegar embalo na primeira versão do Vigilante. Mas não teve a mesma receptividade do público. Nesse período, eu já me dedicava a outros projetos e acabei não entrando. 

Z- O senhor também trabalhou como diretor de produção de diversos longas. Mas nunca chamou o Toni para atuar em alguma dessas produções. Por que isso aconteceu?

CM- Durante um período, eu fui ator. Depois, entrei na Polícia Militar Rodoviária e me dediquei somente a comerciais e documentários ligados a corporação. A minha carreira dentro do cinema de longa-metragem ficou prejudicada. Fico chateado por não ter conseguido trabalhar com o Toni mais vezes. Mas ele é meu amigo pessoal, eu conheci a família dele e ele a minha. Um grande sujeito.

 

 

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