Convite ao Prazer

Dossiê de Aniversário: O Autor – Walter Hugo Khouri

 

O Convite Ao Prazer
Direção: Walter Hugo Khouri
Brasil, 1980. 

Por Matheus Trunk 

Autor na acepção da palavra, o realizador paulistano Walter Hugo Khouri (1929-2003) construiu um universo único ao longo de seus 25 longas-metragens. Isso pode ser verificado na temática existencialista, na trilha sonora do jazz e nas lindas mulheres presentes em todos os seus filmes. Dentro da obra deste verdadeiro esteta, Convite Ao Prazer é tido erroneamente como uma fita menor.

Mas esta película guarda diversos elementos centrais da obra do diretor. A trama gira em torno de dois personagens masculinos: Luciano (Serafim Gonzalez) e Marcelo (Roberto Maya). Amigos na mocidade, cada um tomou um caminho diferente na vida adulta. Luciano tornou-se um dentista de classe média. Marcelo é um mega empresário de sucesso que praticamente ignora a esposa Ana (Sandra Bréa). Já a esposa do dentista, a dona de casa Anita (Helena Ramos) possui uma personalidade forte, não tolera as traições do esposo e sai atrás dele.

Como todos os personagens khourianos, Marcelo não está interessado em política, economia, negócios. Sua obsessão é ele mesmo e as mulheres. Parece que o mundo gira em torno de sua pessoa. Para isso, ele mantém um apartamento destinado aos seus encontros amorosos, um verdadeiro “matadouro”. Convite Ao Prazer pode ser apontado como a versão Boca do Lixo de seu filme-irmão, Noite Vazia. A parceria de Khouri com o elenco feminino é algo que merece ser sempre reparado. Para isso, podemos perceber como ele dirige deusas da pornochanchada como Aldine Müller, Patrícia Scalvi e Kate Lyra. Todas estão divinas graças a direção especial que o realizador dava às moças.

São diversos os pontos que merecem ser destacados na vida e na obra de Walter Hugo Khouri. Dizer que ele é o mais brilhante realizador de sua geração é pouco. O melhor é dizer que este cineasta não deixou herdeiros dentro do cinema brasileiro. Muitos, inclusive, quiseram copiá-lo na época, mas poucos chegaram perto dele. Um filme assinado por Khouri sempre carregou uma marca especial dento da nossa cinematografia. A marca de um homem obcecado pelo perfeccionismo e que deixou seu nome perpetuado dentro do cinema tupiniquim.

 

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