Elite Devassa

Dossiê Ênio Gonçalves

 Elite Devassa
Direção: Luiz Castillini
Brasil, 1984. 

Por Sérgio Andrade 

O diretor Luiz Castillini é considerado um dos bons artesãos da Boca do Lixo. Talvez seja mais do que isso. Há uma temática constante que percorre sua obra: um indivíduo confrontado com a violência num meio que lhe é hostil. 

O mesmo acontece aqui: Teodoro, um jovem de Florianópolis, chega a São Paulo a procura de emprego para ajudar a mãe e irmãos financeiramente. Ele arruma trabalho de motorista para uma família da alta sociedade, comandada por Marina (Selma Egrei). Como Renato, marido de Marina, está viajando a negócios pela Europa, eles vão para a casa de férias em Campos do Jordão. Lá Teodoro será envolvido num perigoso jogo de sedução e rivalidade entre Marina, sua filha Ana Paula e sua irmã Luisa e também se verá às voltas com o estranho caseiro Clóvis, que acompanha tudo que acontece na casa através de câmeras escondidas. 

O pior, no entanto, acontece quando Teodoro descobre que dois motoristas anteriores da família foram assassinados misteriosamente. 

Nessa trama algo rodrigueana há uma crítica a uma classe abastada que se aproveita de todas as formas, sexuais principalmente, de seus subalternos. 

Na verdade trata-se da primeira adaptação para o cinema de um livro da “maldita” Adelaide Carraro, Fogo, produzido e co-roteirizado (com Castillini) pela atriz Aurora Duarte (de O Canto do Mar, Fronteiras do Inferno, A Morte Comanda o Cangaço etc). 

A fotografia, assinada por Carlos Reichenbach, capta muito bem a frieza das relações e introduz um elemento novo, as câmeras ocultas que eliminam a privacidade, algo que naquela época não era comum como em hoje dia. 

O filme marcou a estréia de Thales Pan Chacon como Teodoro e o elenco traz também as belas Selma Egrei (a altiva Marina) e a musa do diretor, estrela de todos seus filmes, Patrícia Scalvi (a atormentada Luisa), com quem era casado. Edson França é o ambíguo Clóvis, enquanto Aldine Muller, em participação especial, faz pouco mais do que tirar a roupa (não que isso seja mal, claro). 

Já o grande Enio Gonçalves, apesar de aparecer pouco, marca presença como o irmão de um dos motoristas assassinados. Um homem indignado, descrente da investigação policial sobre os crimes, procurando alertar Teodoro sobre o perigo que está correndo, sem sucesso. 

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