O Fazedor de Fitas Inacabadas

Dossiê Tony de Souza

 

 O Fazedor de Fitas Inacabadas
Direção: Tony de Sousa
Brasil, 1992.

 Por Daniel Salomão Roque

O cinema é, definitivamente, uma das preocupações centrais de Tony de Sousa, constituindo o elo que interliga seus três curtas-metragens. A Boca do Cinema Paulista, o primeiro deles, é um documentário que recria o espírito de uma época e região; Mary Jane, o último, acompanha a decadência profissional de uma musa da pornochanchada; O Fazedor de Fitas Inacabadas, por sua vez, encontra-se numa posição intermediária entre esses dois filmes, não apenas em termos cronológicos, mas também narrativos e estilísticos. 

Ao longo de seus dez minutos, o curta acompanha o cotidiano de frustrações, misérias e alegrias de um cineasta temperamental (Cássio Scapin) que se depara com todos os tipos de obstáculos no processo de filmagem das suas obras, nunca concluídas. Ele não tem nome, tampouco os outros personagens à sua volta: o “fazedor” mencionado pelo título é, na verdade, um ser genérico, paradigma do jovem que se arrisca a fazer cinema no Brasil. Entre porres no centro da cidade e encontros desmarcados com a namorada, ele perde as estribeiras com o produtor homossexual, torna-se gigolô de uma possível mecenas, dá respostas evasivas ao montador que lhe cobra constantemente o pagamento atrasado e, por fim, encontra a saída: transformar a falta de condições em elemento de criação. 

O Fazedor de Fitas Inacabadas é um filme que só poderia ter sido dirigido por um cinéfilo, e, com todos os seus méritos e falhas, resulta extremamente sincero.

 

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