Entrevista Especial: Hernani Heffner – Primeira Parte

Entrevista com Hernani Heffner – Primeira Parte

 

 

Por Luiz Alberto Benevides*
Fotos:
William Condé – Transcrição: Tiago Rosas e Adriana Clen

Não tinha como ele não ser botafoguense. Só quem já viveu na carne e na alma as inexoráveis “coisas que só acontecem com o Botafogo” é capaz de captar, na sua plenitude, as coisas que só acontecem no Brasil. E principalmente, as coisas que só acontecem com o cinema no Brasil. 

Só aqui, um país eternamente claudicante no investimento em cultura coincidiria com uma das cinematografias mais originais do mundo. Só aqui, um país demoliria um pobre casario no Estácio para construir uma passarela do samba, indenizando a família de um menino que, juntando a fome pelas apostas de turfe com a vontade de ver qualquer tipo de filme, se tornaria a maior enciclopédia viva do cinema no território nacional. Só aqui, um estudante de cinema que não teve professor de fotografia, nem de montagem nem de som se formaria pelo seu autodidatismo com a competência necessária para salvar do assassinato – e do descaso da classe cinematográfica – uma das cinematecas mais importantes da América Latina. Só aqui, um funcionário de uma represa abriria as comportas durante uma enchente e devastaria um bairro inteiro, matando 70 pessoas e quase destruindo toda a memória de uma das suas maiores companhias cinematográficas. Só aqui, aquele menino suspenderia sua profissão de pesquisador para virar restaurador de filmes na marra, ajudando a salvar 17 longas dessa companhia em 14 anos. 

Na paixão, seja pelo Botafogo ou pelo cinema, não existe ganhar ou perder. É só ser. Do saudoso cinema Comodoro, no bairro carioca do Estácio, à pesquisa e conservação na (e da) Cinemateca do Mam; da precária e apaixonada Uff oitentista à salvação do acervo da Cinédia; das interativas sessões de kung fu no cinema Rex às obstinadas aulas de história do cinema mundial. Só aqui, duas horas e meia com Hernani Heffner. 

Parte 1 – A infância; o Estácio; o Rio de Janeiro da época

Parte 2 – Os Anos 70; Santa Teresa; a telelevisão 

Parte 3 – O cinema; os cinemas de rua; a universidade

 

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