Oh! Rebuceteio.

Especial Boca Pornô – 30 anos

OhRebuceteio

Oh! Rebuceteio.
Direção: Cláudio Cunha
Brasil, 1984.

Por Gabriel Carneiro

Corro o risco de ser injusto e leviano, mas, me parece, que há sempre, dentro de um gênero, um grande filme entre grandes e pequenos. Ainda que discorde, parece ter se assumido o filme de sexo explícito como gênero. Dito isso, Oh! Rebuceteio. me parece ser o grande filme de sexo explícito feito no Brasil, ao menos entre os que vi dos anos 80. Realizado em 1984, logo no começo da febre pelo cinema pornô, e único do diretor Cláudio Cunha (de outros filmaços como Amada Amante), Oh! Rebuceteio. está muito a frente de seus congêneres justamente por saber explorar as características marcantes do gênero a seu favor, e não apenas porque faz parte de um conjunto de filmes.

A particularidade do filme de sexo explícito é, obviamente, o uso de cenas de sexo explícito ao longo do filme. Pois bem: é nisso que Oh! Rebuceteio. se sobressai. O sexo explícito está tão arraigado no cerne do filme quanto qualquer outro elemento, diferentemente do que era feito na época, quando as cenas de sexo eram apenas intervalos comerciais para a história, geralmente muito parecida às das pornochanchadas. Nisso, Cunha fez um metafilme, em que jamais poderia existir enquanto cinema sem as cenas. No longa, um diretor teatral busca fazer a peça mais solta e instintiva possível, fugindo de amarras morais. O improviso surge então em cenas belíssimas de um sexo gráfico pueril, que está além da sacanagem, ainda que seja esta o principal objetivo.

A cada ensaio, a cada exercício, mais os atores se soltam, e mais prazer tomam disso. A bem da verdade, pouco importa as bobagens que o diretor, interpretado pelo próprio Cunha, diz: as explicações de teatro terapêutico, psicológico e afins, são apenas subterfúgios para uma ilustração do pretendido, uma mentira branca, feita sem a menor noção do que está sendo falado. É a explicação para o público embarcar na história, mas que, convenhamos, não faz a menor diferença.

Se o filme narra a trajetória de um diretor para fazer a peça mais libertária de seus dias, do teste de elenco à apresentação, são as belamente fotografadas e montadas cenas de descobrimento do prazer luxurioso que ganham contorno de maestria. Acho que o sexo explícito nunca foi tão bem filmado quanto no filme de Cunha, todo requintado em termos de luz e quadro, sem cair na frenética dos filmes contemporâneos, e sem a vantagem de duas câmeras – lembremos, era tempo de película ainda, de 35mm, e não das facilidades do digital.

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