Juventude em Busca de Sexo

Especial Boca Pornô – 30 anos

Juventude em Busca de Sexo
Direção: Juan Bajon
Brasil, 1983.

Por William Alves

Juan Bajon, como quase todos os chineses, é um camarada esperto. Logo no início do filme, os pais dos protagonistas se tornam vítimas fatais de um acidente de carro. Os filhos, acostumados à vida mansa, são obrigados a aceitar empregos de peão. Depois, a filha – interpretada pela voluptuosa Shirley Benny – é engravidada pelo filho do dono do supermercado onde trabalha, enquanto o irmão se apaixona por uma meretriz chave de cadeia. Sensibilizados os espectadores, Bajon tem, pois, seu pretexto perfeito para ancorar o resto da película em uma putaria sem arreios.

Embora não seja tão estarrecedor quanto alguns dos trabalhos subseqüentes do diretor (Seduzida por um Cavalo, Meu Marido Meu Cavalo, Duas Mulheres e um Pônei, títulos auto-explicativos), a cópula desenfreada é a única razão de ser desse Juventude em Busca de Sexo. A necessidade de mostrar todas as formas possíveis de fornicação, envolvendo tudo quanto é tipo de gente, anula qualquer tentativa de enredo verossímil.

O ano de produção denuncia muita coisa – 1983. É a derrocada dos roteiros e o triunfo da suruba na Boca do Lixo paulistana. Embora tenha estreado com um thriller policial (O Estripador de Mulheres, 1978), Bajon foi um dos mais prolíficos produtores de sexo explícito de todo o mundo.

Uma aflição específica caracteriza as mulheres de Juventude em Busca de Sexo. Tudo é pretexto para abrir as pernas. Nem mesmo uma praia pública em horário de pico é suficiente para intimidar as meninas, que parecem determinadas em satisfazer todos os homens do país no menor tempo possível. Seria essa uma homenagem de Bajon ao Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley?

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