Banho de Língua

Especial Boca Pornô – 30 anos

Banho de Língua
Direção: Maury Queiróz (Tony Vieira)
Brasil, 1985.

Por Leo Pyrata

Banho de Língua é um filme de sexo explícito dirigido por Mauri Queiroz em 1985. O filme começa com uma entrevista de emprego em que o patrão ardiloso e populista no seu trato tenta resolver a entrevista no tato e é repelido pela mocinha . Ela conhece outras garotas desempregadas procurando oportunidades de trabalho que também só encontram segundas intenções da parte dos patrões. Depois ficamos conhecendo os personagens que completam a história. O Playboy e seus companheiros curtindo uma tarde de lancha com uma garota dopada pronta pro sexo selvagem com o vencedor do par ou impar, produzindo a foda abre-alas do filme bucólica e quase romântica. Conhecemos também uma mãe preocupada com a filha menor tentando arrumar trabalho. Não demora e a mocinha do filme vai procurar emprego justamente na casa do playboy. Em pouco tempo ela está dopada, é currada e abandonada inconsciente na beira de um lago pelo playboy e um companheiro Depois acaba caindo na vida com as amigas.

Surgem os clientes, o vizinho rico, a boate e tem até desfile de escola de samba. Elas se estabelecem e rolam orgias com velas acesas e espanadores no rabo de outros rapazes de forma performática. Ai a mocinha que foi currada no começo resolve ir disfarçada novamente atrás de emprego na casa do playboy. Só que dessa vez ela não toma o copo de boa noite cinderela e ainda sim entra novamente no sanduíche do playboy e seu companheiro no final do filme.

Banho de Língua é um explicito sobre relação de classes. São impagáveis as cenas do vizinho recebendo seu show ali de camarote do seu zigurate, depois de presentear as moças e se divertindo à distancia, dando ordens pra elas pelo telefone enquanto testemunha pela fresta de sua janela o banho de língua das meninas. Não ocorre a vingança da moça contra o playboy e como estão as coisas ficam.

O que falta em Banho de Língua é justamente um banho de sangue. O final conciliador aborrece o espectador que tenha depositado suas fichas numa possível vendetta. Confesso que entendo que uma puta matadora de sacanas filhos da mãe daquele não seria uma mensagem muito bem digerida pra quem fosse assistir o banho de língua na época. Acaba que o filme promete mais do que entrega mesmo, provavelmente porque o explicito como novo momento do cinema da Boca era uma realidade que não entusiasmava as pessoas envolvidas nas produções por verem aquele momento com muitas ressalvas. Faziam as concessões que o mercado exibidor exigia para continuarem trabalhando com o cinema, porém sem o esmero para satisfazer uma minoria de publico que ainda se importasse com o filme em si naquele momento. O que não impede de ressaltar as qualidades da trilha sonora e apontar outros bons momentos do filme como a cena em que as garotas fazem um showzinho na piscina pro vizinho. E o momento que a atriz vira parara câmera e reclama da vida de artista é impagável. Vale também por ser um dos poucos filmes do Tony Viera que temos acesso pela internet

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