Iracema, A Virgem dos Lábios de Mel

Especial O Índio no Cinema Brasileiro

Iracema, a Virgem dos Lábios de Mel
Direção:Carlos Coimbra
Brasil, 1979

Por Matheus Trunk

O diretor Carlos Coimbra (1928-2007) é um dos homens mais injustiçados da história do cinema brasileiro. Seu nome ainda é desprezado por diversos intelectuais do meio cinematográfico. Mas na Boca de São Paulo, ele sempre foi tido como um cineasta do primeiro escalão.

Com seu jeito retraído, humilde e bastante educado, o realizador ficou conhecido por seus filmes de cangaço. Profissional de mão cheia, ele era respeitado por ser um excelente montador. Era desses tipos que acordam, almoçam e dormem pensando somente em cinema.

Em 1979, o cineasta fez um de seus melhores trabalhos: Iracema, a Virgem dos Lábios de Mel. Baseado no consagrado romance de José de Alencar, o longa-metragem conta a clássica história de amor entre a uma índia e um explorador português.

Filha do pajé da tribo Tabajara, a protagonista é a guardiã do segredo do licor da Jurema. Dessa maneira, o corpo da moça pertence à divindade indígena Tupã. Para a mitologia de seu povo, o corpo de Iracema não pode ser entregue a ninguém. Tudo muda quando ela conhece Martim.

São diversos os aspectos que merecem ser destacados. A produção é bastante caprichada para as produções paulistas da época. A fotografia de Pio Zamuner e Antônio Meliande é fantástica. As belas praias do litoral cearense poucas vezes tiveram tanto espaço no cinema brasileiro como nesse trabalho.

A atriz Helena Ramos está divina como a índia Iracema. É impressionante como Coimbra conseguiu transformar a musa da pornochanchada em uma atriz dramática. Poucos diretores conseguiriam isso. Sem dúvida, Helena faz um dos grandes papéis de sua carreira.

Tony Correia não está na mesma sintonia. “Não era exatamente um ator, era um tipo bonitão que havia feito uma novela de sucesso na TV Globo”, admitiu o diretor da película em sua biografia Um Homem Raro, escrita pelo jornalista Luiz Carlos Merten para a Coleção Aplauso.

Sucesso de bilheteria, este longa-metragem resistiu razoavelmente bem ao tempo. Embora tenha o clima um pouco arrastado, o filme melhora significamente do meio para o final. De qualquer maneira, assistir Iracema é uma boa oportunidade para conhecer a obra de José de Alencar, as belas praias do Ceará e principalmente a grandeza de Carlos Coimbra.

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