Musas Eternas

Nita Ney

Por Adilson Marcelino

Desde que o samba é samba que o cinema brasileiro desfila nas telas uma infinidade de musas para ninguém botar defeito. Como Nita Ney, uma das estrelas do cinema dos anos 1920.

O Ciclo de Cataguases, nos anos 20, é, com certeza, um dos mais importantes momentos da história do Cinema Brasileiro. Revelou os cineastas Humberto Mauro e Pedro Comello (também fotógrafo), a atriz Eva Nil, o produtor Homero Cortes Domingues, o fotógrafo Edgar Brasil, e viu nascer as produtoras Sul América Film, Atlas Film e Phebo Brasil Film, responsáveis por alguns clássicos de nossas telas.

E é em Cataguases que Nita Ney vai inscrever seu nome na história do cinema nacional, participando das últimas produções do Ciclo, e brilhando nos filmes de Humberto Mauro, o chamado pelos cinemanovistas, “Pai do Cinema Brasileiro”.

Nita Ney nasceu em 08 de novembro de 1908, em Paris, França. Filha de imigrantes radicados no Rio de Janeiro, ela ingressou na carreira artística através da dança, como aluna da professora russa Maria Ollenewa, diretora do corpo de baile do Teatro Municipal, onde tem aulas junto com sua irmã Yvonne Strada.

A estréia no cinema se dá como figurante no filme O Dever de Amar, uma produção de Paulo Benedetti, dirigida por Vittorio Verga, em 1924.. Nita foi convidada pelo próprio Benedetti, que a conheceu durante a Exposição do Centernário da Independência.

Quatro anos depois, sua vida mudaria completamente ao ser escalada pelo diretor Humberto Mauro para ser a protagonista do clássico Braza Dormida, em 1928. E essa escalação se deu acidentalmente, já que Mauro foi à casa dos pais da futura estrela, na verdade, em busca da irmã Yvonne – que havia sido figurante em Barro Humano (1927/1929), de Adhemar Gozaga -, mas ficou impressionado com a beleza de Nita.

Nita Ney assina contrato com a Phebo Brasil Film e dá vida à mocinha da fita, Anita, que vive uma história de amor cheia de percalços com o personagem vivido por Luis Soroa. O casal tem que enfrentar a oposição do pai de Anita, um industrial, e do funcionário dele, que é apaixonado pela filha do patrão.

Surgia aí, então, uma atriz marcante do cinema nacional dos anos 20, ao lado de estrelas absolutas como Eva Nil e Carmen Santos.

Em seu terceiro e último filme, Nita Ney foi dirigida novamente por Humberto Mauro, dessa vez em outro clássico, Sangue Mineiro (1929), co-produzido e estrelado por Carmen Santos.

Em Sangue Mineiro ela é Neusa, uma personagem feminina a frente do seu tempo pelo seu espírito moderno.

Nita Ney atuou em apenas três filmes, mas com eles conquistou seu posto de musa eterna do cinema brasileiro.


Filmografia

O Dever de Amar, 1924 , de Vittorio Verga
Braza Dormida, 1928, de Humberto Mauro
Sangue Mineiro, 1929, Humberto Mauro

Fontes:
Site Mulheres do Cinema Brasileiro
Dicionário Astros e Estrelas do Cinema Brasileiro
, de Antonio Leão da Silva Neto
Enciclopédia do Cinema Brasileiro, de Fernão Ramos e Luis Felipe Miranda (orgs)

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