Carnaval Barra Limpa

Especial O Carnaval no Cinema Brasileiro

Carnaval Barra Limpa
Direção: J.B. Tanko
Brasil, 1967.

Por Sérgio Andrade

Que o iugoslavo Josip Brogoslaw Tanko foi um grande diretor ninguém mais duvida hoje em dia. Seja nas chanchadas que fez para a Herbert Richers nos anos 50, nas adaptações de Nelson Rodrigues (Asfalto Selvagem, 1964, e Engraçadinha Depois dos 30, 1966), nos filmes dos Trapalhões e no drama erótico As Borboletas Também Amam (1979), ele sempre demonstrou um talento mais que especial.

Mas isso não significa que nunca tenha errado.

Não foi boa idéia, por exemplo, retornar à chanchada carnavalesca em 1967, quando o Cinema Novo ainda dava as cartas, uma nova geração (Candeias, Sganzerla, Bressane, etc.) começava a expressar suas inquietações em película e outras eram as preocupações mundiais.

Na trama, a chegada da Princesa Iraya (brincadeira com a Princesa Soraya do Irã), figura proeminente do jet set internacional, ao Rio de Janeiro para passar o carnaval, trazendo no pescoço o maior diamante já encontrado, provoca a cobiça do Sindicato Nacional dos Ladrões, que se reúne para discutir como roubar a jóia. Mas eles terão a concorrência do Sindicato Internacional dos Ladrões. Há uma tentativa, das mais frouxas, de sátira ao produto brasileiro contra o estrangeiro. Um detalhe: a princesa (interpretada por Geórgia Quental) e alguns dos ladrões estrangeiros falam um português sem o menor sinal de sotaque.

O trabalho dos dois sindicatos, porém, não será fácil, pois terão pela frente o detetive do hotel (Costinha, abusando dos trejeitos e caretas).

Entremeando tudo isso, gente ótima como Ângela Maria, Emilinha, Marlene, Dircinha Baptista, Clara Nunes, Altemar Dutra e até Chacrinha em números musicais pouco memoráveis.

Não vou dizer que tudo é descartável, da para se aproveitar algumas coisas, como a beleza refrescante da jovem Rossana Ghessa, a música de Remo Usai, a fotografia e câmera do craque Dib Lutfi, a participação de dois atores que até hoje nos encantam, Ary Fontoura e Emiliano Queiroz, e alguns criativos lances da direção de J. B. Tanko.

Mas é a repetição de uma fórmula que, na época em que foi feito, já estava mais do que desgastada.

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