Variações do Sexo Explícito

Dossiê Alfredo Sternheim

Variações do Sexo Explícito
Direção: Alfredo Sternheim
Brasil, 1984

Por William Alves

Mesmo com a tremendamente improvável possibilidade de alguém começar a assistir Variações do Sexo Explícito sem saber muito bem do que se trata, a genitália masculina que pinta na tela com menos de dois minutos de filme – devidamente degustada por uma boca lasciva que entende bastante do riscado – já é suficiente para dissipar qualquer incerteza. Para os iniciados, o nome do produtor Juan Bajon, que surge nos créditos poucos segundos depois, trata de limar qualquer dúvida que por ventura tenha existido: é putaria, e daquelas bem caprichadas.

Variações do Sexo Explícito é de 1984, período em que variados cineastas da Boca do Lixo tiveram que ceder ao apelo do cinema pornô para continuar filmando. Alfredo Sternheim, que fora assistente de Walter Hugo Khouri e por ele bastante influenciado cinematograficamente, havia dirigido, entre outros, Paixão na Praia e Lucíola, o Anjo Pecador. Embora contenham uma boa dose de luxúria, ambos são quase peças infantis ao lado do despudorado longa-metragem de 1984. A julgar pelo pôster do filme e pelo conteúdo da fita, essa adaptação não foi problema algum para Sternheim.

Eis aqui um “pornô com história”, subgênero (digamos assim) tão odiado pelos pervertidos de plantão. De fato, o pretexto para que todos os personagens se comam é uma aventura metalingüística, em que uma equipe de filmagem se refugia em uma fazenda remota para finalizar mais um das empreitadas do produtor e diretor Linhares, esse um ás das orgias filmadas. Entre a trupe, constam Lili, a pornstar, um tanto lerda, que é expulsa de casa após ser estuprada. Otto Fasbunder (!), astro arrogante, e Liana Navarro, a erudita parceira de Linhares na confecção dos longas. A estrela (concedam-me mais uma licença poética, por favor) é Celeste Vieira, mulher ninfomaníaca que sente falta do marido, Nelson, e começa a repensar sobre os avanços de um jovem ator, Jorge, que, aparentemente, sabe mais sobre Celeste do que ela mesma.

São 80 minutos de copulação em todas as suas formas, permeados pelo clima de bom humor das produções do período. Tem a bichinha que se horroriza (e se entrega) na hora em que é obrigado a fazer sexo oral em uma atriz, as traquinagens de Fassbunder, que insiste em ejacular dentro das moças (“imagina um filho nosso, que bonito seria”) e a solidão tragicômica de Liana, uma lésbica em busca de um novo amor, após ser devidamente corneada em sua própria residência. E dá-lhe boquetes e fluidos corporais, focados em close durante todo o filme. Ah, um cachorro também marca presença.

Como os personagens passam quase todo o filme trepando, a trilha sonora ocupa a maior parte da sonoplastia. Portanto, não vão faltar momentos onde as mulheres recebem uma bem servida quantidade de sêmen no rosto ao som de O Lago dos Cines.

Para quem é fã de cinema pornô e de mulheres brasileiras oitentistas, de pequenos seios, largos quadris e safadeza ímpar – e de Tchaikovsky, por que não? -, o banquete é garantido.

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