Sexo Em Festa

Dossiê Alfredo Sternheim

Sexo_em_Festa

Sexo em Festa
Direção: Alfredo Sternheim
Brasil, 1986.

Por Gabriel Carneiro

À medida que as produções de sexo explícito foram tomando conta do mercado de cinema brasileiro, especialmente da Boca do Lixo, a necessidade de qualidade com o material caiu. A história, o fio condutor, deixou de ser algo imprescindível: a única exigência eram as cenas de sexo explícito, cada vez em maior número, num tempo de duração muito menor – boa parte das produções a partir de 1986 tinha por volta de 60 minutos, um média-metragem. O VHS já se impunha como meio comercial, e se tornou muito comum fitas com dois filmes de sexo em uma. Sexo em Festa, feito nessa época, tem 60 minutos, sendo mais de 70% dominado por cenas de sexo, especialmente com a bela Sandra Morelli.

O longa retrata a vida de uma moça mimada, arrogante e preconceituosa, de família grã-fina, que está prestes a casar, mas não consegue se entregar ao parceiro na cama, porque parou de fazer terapia. Ela, porém, no passado, após ser flagrada pelo caseiro da casa de campo fazendo sexo com uma prima, entra em choque e faz sexo desenfreadamente com qualquer um, até o dia em que trava. Se o plot tem tom dramático, a completa falta de tempo em se desenvolver os personagens e as situações transforma o filme numa comédia nonsense, com vários momentos esdrúxulos e absurdos – o que parece ter sido a intenção de Alfredo. Uma das grandes cenas do filme, por exemplo, é quando uma mulher brinca com labaredas de fogo, ameaçando queimar o caseiro, que está amarrado a uma árvore.

O uso de personagens estereótipos também ajuda a construção crítica do filme, em relação às pessoas preconceituosas de classes mais abastadas, que rejeitam as classes mais pobres, mesmo eles sendo muito mais problemáticos. Alfredo se aproveita de parcos recursos e de condições pouco satisfatórias, para inserir o máximo que consegue de crítica, comédia, e afins, mesmo que nem sempre seja bem sucedido.

As cenas de sexo são bem filmadas, com preferência nos closes de genitálias em atividades. Mas o destaque fica mesmo pela subversão da música clássica, colocada ao fundo de todas as trepadas, ritmando o próprio ato, numa desconstrução da aura prepotente que adquire muitas vezes, ao ser utilizada como sinal de status.

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