Sexo dos Anormais

Dossiê Alfredo Sterheim


O Sexo do Anormais
Direçao: Alfredo Sternheim
Brasil, 1984

Por Edu Jancz

Fui um daqueles felizardos que assistiram a Sexo dos Anormais em tela grande. No cinema, com a força e a magia do cinema refletindo o pensamento do seu realizador, Alfredo Sternheim.

Revi, com prazer, o magnífico o corpo de Sandra Midori , para “modelar” esse breve comentário. Sandra, um misto de oriental com ocidental, que sempre me encantou. E de quem sempre fui – confesso – “macaco de auditório”.

Em Sexo dos Anormais, Sandra faz o papel de uma mulher liberal e de muito bem com a vida. Sem culpa. Feliz ou em busca da felicidade temperada com prazer e mais prazer. Ao mesmo tempo em que é desejada, ela deseja e se envolve com todos os parceiros que naquele momento a vida lhe oferece. Ver Sandra Midori responder com seu corpo magnífico (incluindo aqui, sem dúvida, aquela língua incandescente) a beijos carinhosos e penetrações vigorosas é um prazer impar.

O personagem de Sandra é um dos três pilares que sustenta essa narrativa sobre sexo que o diretor batizou de Sexo dos Anormais. Mas que em verdade, na postura do seu realizador, é um sexo normal, gostoso, com espaço para a diversidade – o personagem de Cláudia Wonder – para o excesso – ou doença – ou semvergonhice – ou apenas porque não ir ao limite até se descobrir – personagem de Silvia Dumont.

Claudia Wonder. Se participasse de algum dos BBBs da vida, em pleno século XXI, seria uma grande atração, um mistério do tipo “como alguém pode viver em paz tendo um “funcional”, seios poderosos e gostar de… Em Sexo dos Anormais isso não acontece. E olhem que o filme é de 1984. Faz um tempinho. Um bom tempinho que o diretor Alfredo Sternheim e o seu cinema defendiam liberdade, igualdade e fraternidade para todos. Simples, não?

É um dos poucos filmes da Boca, de sexo explícito, aonde você vê, sem censura, cortes bruscos ou “chacotas”, dois homens fazendo sexo com total liberdade – momento em que o personagem de Claudia fala do seu maior amor de juventude. A cena é mostrada com muita naturalidade. Vemos, ao mesmo tempo – num rito de igualdade – um homem tendo e dando prazer ao seu parceiro.

Ninfomaníaca. É a classificação, aparentemente científica, para a “fome de sexo” que a personagem vivida por Silvia Dumont sente. É o terceiro elo do nosso tripé. Em terapia – Silvia fala de suas transas. E o filme as mostra com detalhes. Sem falso moralismo. De parceiro a parceiro, de gozo em gozo… mas, ela não está satisfeita. E deseja mais e mais sexo na tentativa de se aceitar e ser feliz. É auxiliada pelo terapeuta Daniel, mesmo ele lutando contra o preconceito de sua esposa – que grotescamente (e com ciúmes) não quer que ele trate de uma paciente ninfomaníaca.

Quem conhece os filmes de Alfredo Sternheim, sabe que ele seria incapaz de condenar um personagem hétero ou homo apenas pelo seu desejo de viver intensamente e ser feliz. Como realizador, Alfredo mostra o enunciado, reflete a opinião legal e social sobre o tema e registra a sua postura. Em Sexo dos Anormais, esse olhar – essa opinião – mais uma vez está presente. Aqui reforçada pela idéia de que uma das porta de saída para intermináveis crises pode ser o bom e velho amor.

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