Borboletas e Garanhões

Dossie Alfredo Sternheim

Borboletas e Garanhões
Direção: Alfredo Sternheim
Brasil, 1985

Por Valter Luiz Júnior

Um dos grandes filmes da fase explícita da Boca, a comédia Borboletas e Garanhões tem como seu grande trunfo o fato de fazer rir e prender o espectador da época, que, normalmente, estaria apenas interessado nas cenas de sexo.

Com uma trama inteligente e até sofisticada para os padrões do pornô, o filme conta a história de Lauro (Wagner Maciel), que vive um relacionamento conflituoso com Leonora (Débora Muniz), que praticamente o domina. Às vésperas do casamento, os amigos dele resolvem aprontar aquela despedida do solteiro e, no meio disso, ele acaba conhecendo a bela Yoko (Sandra Midori), por quem se apaixona. A situação se complica quando Leonora desconfia de Lauro e resolve investigar o que acontece no sítio onde rola a despedida, gerando uma série de confusões.

Dono de um bom gosto flagrante, o diretor Alfredo Sternheim opta por fazer do humor uma ponte entre o erotismo e o deboche, gerando piadas genuinamente engraçadas e nada forçadas, além de entregar boas atuações do elenco. No entanto, para quem espera um pornô mais tradicional, o resultado pode soar um pouco estranho, principalmente por causa de algumas cenas de orgia e de sexo com travestis, que eram relativamente comuns nos filmes da Boca. Mas também há belas mulheres, como as citadas Débora Muniz e Sandra Midori, no auge da beleza, e corpos naturalmente sedutores, muito longe da era do silicone e das próteses variadas.

Para completar, temos a ótima atuação de Sérgio Buck, sem dúvida o mais engraçado do filme, responsável pelas melhores gags da história, além de uma novinha Mara Manzan, que faz uma ponta no início do filme. O final é até previsível, mas nada que comprometa.

Nessa época, os pornôs da Boca começavam a ficar cada vez mais tolos e sem história, muitos partindo somente para o (mal) sexo filmado e de maneira grosseira. Sob esse aspecto, o filme de Alfredo fica anos-luz na frente, principalmente por ser um dos poucos diretores que entendeu que o bom erotismo não precisa ser forçado. Sem dúvida, um grande filme!

Valter Luiz Júnior é cineasta e dirigiu Borboletas e Devassas, documentário sobre o cinema da Boca do Lixo.

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