Amor de Perversão

Dossiê Alfredo Sternheim

Amor de Perversão
Direção: Alfredo Sternheim
Brasil, 1982

Por Matheus Trunk

Guardado a sete chaves, o longa-metragem Amor de Perversão é um dos grandes clássicos do cinema da Boca. É curioso que sempre quando se fala na obra de Alfredo Sternheim este é um de seus trabalhos menos lembrados. Muitos cinéfilos preferem o classicismo de Lucíola ou mesmo filmes de praia como Pureza Proibida. Mas poucos conhecem este belo drama urbano.

Apesar de ter dirigido 26 longas-metragens, quase toda a obra de Alfredinho possui um tema comum: as paixões avassaladoras. Este tipo de temática está presente em seus filmes desde Paixão na Praia (1972). Amor de Perversão apresenta o mesmo tema ao contar a trajetória do personagem Ronaldo (Paulo Guarnieri).

Filho de uma família rica, o jovem rompe um casamento com a fútil Tereza (Tássia Camargo). Sem muitos amigos, ele não consegue se adaptar às tradições e formalidades de seus pais. Todos os conflitos aumentam quando ele conhece Lívia (Alvamar Taddei).

Espécie de vedete dos anos 1980, Alvamar conseguiu certo destaque no cinema da Rua do Triunfo. Suas participações em filmes como O Fotógrafo, de Jean Garrett, e Bordel- Noites Proibidas, de Osvaldo de Oliveira, foram marcantes. Ela chegou a trabalhar duas vezes com Walter Hugo Khouri e uma vez com Carlos Reichenbach – Amor, Palavra Prostituta. Mas é na película de Sternheim, que ela chega ao estrelato. A moça enlouquece Ronaldo. Como ela tem uma origem mais modesta, a família do jovem não aceita o relacionamento entre os dois. Olhando assim, parece argumento de radionovela ou de folhetim barato. Mas esse roteiro nas mãos de um diretor eficiente como Alfredo torna-se um belo drama.

Filme com produção acima da média, Amor de Perversão contou com um elenco estelar. Além dos dois protagonistas, atores e atrizes de destaque como Raul Cortez, Leonardo Villar, Norma Blum e Carmen Silva também estão presentes na película. A área técnica também não foi abandonada. O filme conta com direção de fotografia assinada por Carlos Reichenbach. A equipe técnica utiliza a grua, tipo de equipamento que era usado em poucos filmes nos anos 80. Muitos podem dizer que este não é um dos trabalhos mais pessoais de Sternheim. Pode até ser verdade. Mas é talvez o único filme do realizador que contou com uma grande produção.

Me lembro que quando adquiri uma cópia deste filme foi uma grande surpresa. Muita gente julgava este filme como perdido. Vendo, é possível compreender o motivo de Alfredinho ser considerado um dos grandes diretores da Boca.

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