Oscaralho – O Oscar do Sexo Explícito

Dossiê José Miziara

Oscaralho – O Oscar do Sexo Explícito
Direção: José Miziara
Brasil, 1986

Por Ailton Monteiro

Depois do sucesso de algumas pornochanchadas – a mais famosa é O Bem Dotado – O Homem de Itu, (1979) -, José Miziara, como muitos diretores da Boca do Lixo, teve que se render ao sexo explícito, que bombou pra valer durante a segunda metade da década de 1980. A pornografia nacional, se ainda hoje é vista como distante dos padrões internacionais de países como Estados Unidos, França e Suécia, naquela época, então, era muito pior. Claro que existem as exceções, como os filmes de Cláudio Cunha e Jean Garret, mas a maioria era mesmo de produções bem vagabundas. E se vistos hoje parecem mais ainda. (1986) levando em consideração a época em que foi realizado, a necessidade de ser esperto, ainda que usando de picaretagem. O humor (grosseiro para os dias de hoje) já está no próprio título, que brinca com o famoso prêmio da academia, sem disfarçar a palavra caralho. Aliás, o prêmio é literalmente um caralho de asa de metal. E ver o público batendo palmas e rindo na tal premiação, não deixa de ser engraçado. Em alguns momentos até parece um quadro do programa da MTV Hermes e Renato.

Por isso é preciso ver um filme como Oscaralho – O Oscar do Sexo Explícito.

O filme nada mais é do que uma série de cenas de sexo bem fracas enxertadas dentro da tal premiação. O próprio José Miziara, ao lado de uma bela jovem (Erika, que infelizmente não participa de nenhuma das cenas de sexo), são os apresentadores do prêmio, que conta com categorias interessantes como “melhor balé erótico”, “melhor chupada”, “melhor trepada”, “melhor enrabada” etc. O interessante é que os vencedores do prêmio que sobem lá para agradecer são dublados. E por dubladores até familiares. É como se já tivéssemos ouvido aquelas vozes em algum desenho animado, por exemplo.

O filme acabou virando uma peça para estudos antropológicos, onde se pode ver não apenas o tipo de mulheres que faziam as cenas, como os próprios homens, alguns deles barrigudos e sem ter o tipo físico que hoje é requerido. Eram outros tempos e ainda que já existisse videocassete, os filmes eram ainda vistos no cinema, em película. Quando o filme era ruim, não havia a tecla fast forward para ir adiantando as cenas. Tinha que ter paciência mesmo. Frequentar os cinemas pornôs na época era, muitas vezes, um tiro no escuro. Havia uma dificuldade muito grande de se conseguir informações a respeito do que era de fato pornô de qualidade. E quando se fala em qualidade, a melhor coisa que se espera de um filme do gênero é ter uma voltagem erótica que faça com que o espectador queira “brincar” quando chegar a sua casa. Ou quem sabe até mesmo antes disso.

Ailton Monteiro é editor do blog Diário de Um Cinéfilo.

 

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