M. Butterfly

M. Butterfly é um filme sobre a superfície da imagem. A ficção do corpo. O corpo é a peça-chave da filosofia misantropa cronenbergueana. O corpo que se transmuta, que se torna oculto, que resiste, disposto a domar a lógica das pulsões à sua volta, seja as violentas ou sexuais. Para quem ainda não viu o filme do diretor canadense, não se trata de uma adaptação da ópera Madame Butterfly, de Giacomo Puccini, mas da relação de Rene Gallimard, o personagem de Jeremy Irons, com uma interprete do papel-título em uma montagem da famosa ópera. A obsessão do primeiro pela imagem de Butterfly, cuja efígie é a materialização dos seus desejos, uma representação de algo próximo de um sonho (ou de um pesadelo), faz com que Gallimard persiga o seu adorado objeto de veneração por todos os lugares. Um grau de encantamento do qual não se quer acordar. Ao mesmo tempo, uma ambígua relação do exótico mundo da cultura chinesa com as perversões da burguesia ocidental (como define a personagem-título), que conduz a jogos políticos e a um intenso romance. Mas a trama aqui já não é mais apenas o que parece, ela revela-se um emaranhado de expressões faciais, de olhares, de gestos, de medos, de desejos, de frustrações, de expectativas. E o próprio Jeremy Irons, que nos acostumamos a ver vestido de modo impecável, com sua postura absolutamente contida e equilibrada, seus movimentos medidos, as palavras utilizadas de forma exata, com toda sua etiqueta aristocrática sendo posta em prática de forma exemplar, ao final não será mais o mesmo, depois de ser amado por uma mulher perfeita e após a visão de damas esbeltas com cheosan e quimonos, que morrem pelo amor de indignos demônios estrangeiros. Um filme sobre aparências, os enganos e a transitoriedade, as falsas percepções e certezas de um personagem inserido dentro de uma outra noção da realidade, como em tantos outros filmes de David Cronenberg.

Robinson Crusoé em Marte

Para quem gosta de sci-fic anteriores a 2001 – Uma Odisséia no Espaço, o filme Robinson Crusoé em Marte (1964) é uma ótima pedida. Clássico das sessões vespertinas mais antigas, hoje em dia é uma deliciosa sessão nostálgica. Como o título indica, é uma transposição do famoso livro de Daniel Dafoe para o futuro em plena era da corrida espacial, uma adaptação que na medida do possível tenta ser fiel ao romance original.

Durante uma viagem de pesquisa a Marte, o Comandante Christopher Draper (Paul Mantee) é obrigado a se desviar de um meteoro em rota de colisão, entrando em órbita descendente puxado pela força da gravidade de Marte, fazendo um pouso de emergência na superfície do planeta. Draper e seu co-piloto Dan McReady (Adam West, pouco antes de encarnar o Batman da TV) são obrigados a abandonar a nave, que parece obter um equilíbrio gravitacional,  continuando na órbita de Marte e conseguindo a dupla de astronautas ejetar a cápsula sem incidentes. No entanto, McReady perde-se para o outro lado das montanhas a oeste e Draper é obrigado a se adaptar e sobreviver sozinho (tendo como companhia apenas uma macaca de estimação chamada Mona), precisando descobrir como encontrar água, comida e principalmente oxigênio neste planeta sem vida, antes que suas reservas acabem.  Uma das prováveis razões para a criação da personagem Mona é para que o protagonista tenha com quem falar a maior parte do tempo na estada solitária em sua nova terra, num recurso semelhante ao da bola de vôlei em Naufrágo (2000), de Robert Zemeckis.

Uma das primeiras descobertas do astronauta para a sua sobrevivência em Marte é ao encontrar uma rocha amarela que queima como carvão, não de maneira uniforme, mas o suficiente para aquecer suas noites marcianas. Mantendo um diário ao registrar relatos de seu dia-a-dia em gravações de voz no aparelho que trouxe consigo da nave, o astronauta confessa se sentir um novo Colombo, em uma estranha terra diferente, repleta de maravilhas e de novas descobertas, encarando sua jornada como um grande desafio. Depois de resolver o problema do aquecimento, descobre que pode respirar o ar de Marte durante quinze minutos antes de precisar do oxigênio que carrega em seu tanque de reservas. Se ficar deitado, dormindo, pode passar uma hora sem o reforço do oxigênio, podendo com sacrifício preservar o seu ar. O problema é dormir e não acordar a tempo para tomar um reforço, podendo morrer, o que o leva a construir algo que o desperte de hora em hora.

O filme acompanha a vida do astronauta em Marte durante meses, reservando novas surpresas mais adiante (algumas das quais tiradas diretamente da história de Daniel Dafoe, como o aparecimento do personagem  Sexta-Feira). O visual é coloridissimo, e os efeitos visuais são bem precários para os dias de hoje, especialmente nas sequências em que aparecem naves interplanetárias, cujas lembranças remetem à episódios do Chapolin Colorado. Mas Robinson Crusoé em Marte (tradução literal do título original) consegue ser sério, eficiente e divertido e é dirigido pelo especialista no gênero Byron Haskins, que começou no cinema como cameramen e depois como técnico em efeitos especiais em filmes de Frank Capra e John Huston, até passar a direção. Como diretor,  realizou clássicos de aventura (a melhor versão de A Ilha do Tesouro e A Selva Nua) e de ficção (especialmente o célebre A Guerra dos Mundos), terminando a carreira na TV, dirigindo episódios do seriado No Limiar da Realidade e produzindo alguns da primeira temporada do Jornada nas Estrelas original, inclusive o episódio-piloto nunca exibido mas lançado em video anos depois. Robinson Crusoé em Marte  atualmente está na grade de programação do canal TCM e pode ser encontrado também em sites de compartilhamento e downloads.

A respeito do endereço

Pessoal, o endereço www.revistazingu.net voltou a funcionar. Por enquanto, a edição lá ainda é a de outubro (Carlos Reichenbach), mas em breve mudaremos para a edição de novembro/dezembro, que pode ser conferida, por hora, excepcionalmente, aqui.

Acompanhe-nos pelo Twitter: @revistazingu

Zingu! em blog

Como a revista está passando por reformulações, e uma delas é a mudança para edições bimestrais (ao invés das mensais), um blog seria uma ótima forma de não perdemos o contato com o leitor. Mantemos assim o dinamismo.

A proposta é estar mais ligado ao presente, às novidades. O que está passando na TV, chegando aos cinemas e às locadoras, mostras que estão rolando. Tudo o que merecer uma nota em relação à cinema – e não só.

E claro, porque não, trazendo algo curioso que foi redescoberto?

Sejam benvindos e boa leitura.

Hello world!

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