Robinson Crusoé em Marte

Para quem gosta de sci-fic anteriores a 2001 – Uma Odisséia no Espaço, o filme Robinson Crusoé em Marte (1964) é uma ótima pedida. Clássico das sessões vespertinas mais antigas, hoje em dia é uma deliciosa sessão nostálgica. Como o título indica, é uma transposição do famoso livro de Daniel Dafoe para o futuro em plena era da corrida espacial, uma adaptação que na medida do possível tenta ser fiel ao romance original.

Durante uma viagem de pesquisa a Marte, o Comandante Christopher Draper (Paul Mantee) é obrigado a se desviar de um meteoro em rota de colisão, entrando em órbita descendente puxado pela força da gravidade de Marte, fazendo um pouso de emergência na superfície do planeta. Draper e seu co-piloto Dan McReady (Adam West, pouco antes de encarnar o Batman da TV) são obrigados a abandonar a nave, que parece obter um equilíbrio gravitacional,  continuando na órbita de Marte e conseguindo a dupla de astronautas ejetar a cápsula sem incidentes. No entanto, McReady perde-se para o outro lado das montanhas a oeste e Draper é obrigado a se adaptar e sobreviver sozinho (tendo como companhia apenas uma macaca de estimação chamada Mona), precisando descobrir como encontrar água, comida e principalmente oxigênio neste planeta sem vida, antes que suas reservas acabem.  Uma das prováveis razões para a criação da personagem Mona é para que o protagonista tenha com quem falar a maior parte do tempo na estada solitária em sua nova terra, num recurso semelhante ao da bola de vôlei em Naufrágo (2000), de Robert Zemeckis.

Uma das primeiras descobertas do astronauta para a sua sobrevivência em Marte é ao encontrar uma rocha amarela que queima como carvão, não de maneira uniforme, mas o suficiente para aquecer suas noites marcianas. Mantendo um diário ao registrar relatos de seu dia-a-dia em gravações de voz no aparelho que trouxe consigo da nave, o astronauta confessa se sentir um novo Colombo, em uma estranha terra diferente, repleta de maravilhas e de novas descobertas, encarando sua jornada como um grande desafio. Depois de resolver o problema do aquecimento, descobre que pode respirar o ar de Marte durante quinze minutos antes de precisar do oxigênio que carrega em seu tanque de reservas. Se ficar deitado, dormindo, pode passar uma hora sem o reforço do oxigênio, podendo com sacrifício preservar o seu ar. O problema é dormir e não acordar a tempo para tomar um reforço, podendo morrer, o que o leva a construir algo que o desperte de hora em hora.

O filme acompanha a vida do astronauta em Marte durante meses, reservando novas surpresas mais adiante (algumas das quais tiradas diretamente da história de Daniel Dafoe, como o aparecimento do personagem  Sexta-Feira). O visual é coloridissimo, e os efeitos visuais são bem precários para os dias de hoje, especialmente nas sequências em que aparecem naves interplanetárias, cujas lembranças remetem à episódios do Chapolin Colorado. Mas Robinson Crusoé em Marte (tradução literal do título original) consegue ser sério, eficiente e divertido e é dirigido pelo especialista no gênero Byron Haskins, que começou no cinema como cameramen e depois como técnico em efeitos especiais em filmes de Frank Capra e John Huston, até passar a direção. Como diretor,  realizou clássicos de aventura (a melhor versão de A Ilha do Tesouro e A Selva Nua) e de ficção (especialmente o célebre A Guerra dos Mundos), terminando a carreira na TV, dirigindo episódios do seriado No Limiar da Realidade e produzindo alguns da primeira temporada do Jornada nas Estrelas original, inclusive o episódio-piloto nunca exibido mas lançado em video anos depois. Robinson Crusoé em Marte  atualmente está na grade de programação do canal TCM e pode ser encontrado também em sites de compartilhamento e downloads.

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