O Lamparina

Especial Francisco Di Franco


O Lamparina
Direção: Glauco Mirko Laurelli
Brasil, 1964.

Por Adilson Marcelino

O cinema brasileiro, em sua história, sempre promoveu encontros memoráveis: Os Trapalhões e J.B. Tanko; Walter Hugo Khouri e Rogério Duprat; David Cardoso e Jean Garrett; Carlos Reichenbach e Ênio Gonçalves; Rogério Sganzerla e Helena Ignez. São vários exemplos, mas nessa lista jamais poderia faltar o encontro dos talentos de Amácio Mazzaropi e Glauco Mirko Laurelli, que rendeu quatro filmes com o primeiro dirigindo e o segundo produzindo e protagonizando, e mais a montagem de mais cinco filmes do astro com outros diretores.

O Lamparina é um dos memoráveis frutos dessa parceria. Fotografado por Rudolph Iczey, tem história interessante e engraçada, ótimo elenco e direção. No filme, Mazzaropi e Geny Prado e mais os três filhos e um agregado estão à procura de emprego. Enganados e roubados por um falsário, eles acabam se envolvendo com cangaceiros ao vestirem, ingenuamente, as roupas deles e serem confundidos por todos como integrantes do temível bando. Tudo se complica mais ainda quando Mazzaropi resolve fingir que é cangaceiro de verdade, para depois entregar os cangaceiros reais para a volante.

Neste O Lamparina, Mazzaropi está inspirado em cena: canta, dança, ri, chora e tem diálogos engraçados, contando, mais uma vez, com a parceira perfeita em talento e estilo, Geny Prado. Como nas paródias das chanchadas aos filmes de Hollywood, aqui temos uma deliciosa visita escrachada ao gênero do cangaço. O Lamparina foi o primeiro filme rodado na sua fazenda em Taubaté e onde ele construiria seu estúdio, geografia de um dos mais iluminados capítulos do cinema popular brasileiro.

No elenco, que tem ainda Emiliano Queiróz e Zilda Cardoso, nosso homenageado Francisco Di Franco marca presença mais uma vez, nesta que é a quarta parceria com o cinema de Mazzaropi, que vai marcar suas primeiras experiências no cinema. Os outros filmes, ainda assinando como Francisco de Souza, são As Aventuras de Pedro Malazartes (1960), de Mazzaropi, Tristeza do Jeca (1961), de Mazzaropi, e O Vendedor de Linguiças (1962), de Glauco Mirko Laurelli.

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