A Grande Vedete

Especial John Herbert

 

A Grande Vedete
Direção: Watson Macedo
Brasil, 1958.
 

Por Sérgio Andrade
 

Janete (Dercy Gonçalves) é a veterana estrela de uma companhia teatral que se recusa a admitir que já passou da idade para representar certos papéis. Os aplausos e pedidos de autógrafo e flores que recebe em seu camarim são de responsabilidade de seu fiel secretário Ambrósio (Catalano), que tem pena que ela descubra que não é mais admirada como antes.

Dirigido pelo mestre das chanchadas Watson Macedo, tendo Oswaldo Massaini, da Cinedistri, como produtor associado, o filme tem ecos de Crepúsculo dos Deuses, ao mostrar como é difícil para certas pessoas do meio artístico, depois de alcançarem grande sucesso na carreira, reconhecerem que está na hora de passar o bastão para os mais jovens.

Apesar dos nomes envolvidos, que poderia sugerir uma chanchada tradicional (tem também a impagável Zezé Macedo como a eterna noiva de Ambrósio), trata-se de uma “dramédia”, drama com toques cômicos proporcionados pelo talento histriônico de Dercy, que também demonstra insuspeitas qualidades dramáticas.

John Herbert, já um veterano com 10 filmes no currículo, interpreta Paulo, autor teatral apaixonado pela bailarina Wilma (a argentina Marina Marcel, emprestada por Carlos Machado, o rei da noite carioca), para quem está escrevendo uma peça. Mas Janete lê a peça pensando ter sido escrito para ela, apaixonando-se por Paulo. Não é um papel fácil, pois Paulo fica dividido entre o amor por Wilma e o carinho que passa a sentir por Janete, resistindo em revelar a verdade para não machucá-la. O grande ator, com sua fina estampa, dá conta do recado.

Mas claro que o filme foi realizado para o brilho de Dercy, que canta algumas músicas (Saias Curtas, Tome Polca). Dá vontade de aplaudir de pé!

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