Yndio do Brasil

Especial O Índio no Cinema Brasileiro

Yndio do Brasil
Direção: Sylvio Back
Brasil, 1995.

Por Aílton Monteiro

Yndio do Brasil (1995), de Sylvio Back, é uma colagem de dezenas de imagens com canções de diversas épocas e poesias escritas pelo próprio cineasta e narradas por José Mayer. Uma das mais interessantes é a que diz “Run, Xavanti, Run; Run, Rondon ronda”. Assim, a poesia vai citando diversas tribos indígenas e mencionando o Marechal Rondon, homem que desbravou o Brasil e que o cineasta vê como inimigo dos índios, embora ele mostre uma propaganda do Governo que o veja como um homem que nunca matou um índio, um “apóstolo das selvas”. Como o tom de Yndio do Brasil é ácido, todo e qualquer trecho apresentado é visto como uma amostra dos maus tratos e do preconceito que o índio sofreu e continua sofrendo.

A propaganda, por exemplo, que mostra a guerrilha do Araguaia, com vários índios nos arredores sendo afetados pelo tiroteio, sem ter praticamente nada a ver com aquela briga, traz um registro trágico-cômico. Alguns trechos soltos parecem estranhos ao filme, como a cena que mostra um grupo de jovens felizes ao som de “Marcas do que se foi”, dos Incríveis. Talvez a razão de Back ter incluído essas imagens na edição seja para fazer um contraste entre aquele povo branco e negro do novo mundo e a ausência do índio naquele cenário de alegria.

Mas provavelmente a sequência que mais choca é ver uma tribo de índios desnutridos, tão magros que lembram judeus nos campos de concentração. Em outra sequência, um grupo da Funai passa veneno para piolhos nas cabeças dos índios. Mas também podemos destacar os vários trechos de filmes, inclusive estrangeiros, que penetraram na selva amazônica para enriquecer os seus enredos. E assim, o filme vai nos fazendo ver o quanto o índio tem servido como figura exótica e estranha à civilização, o quanto ele serve como entretenimento para as massas. Inclusive, um dos presidentes brasileiros chegou a visitar uma tribo a fim de ver ao vivo os costumes e as apresentações que esse povo tão esquecido tratou de oferecer para aquele homem.

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