Todo Dia era Dia de Índio

Especial O Índio no Cinema Brasileiro

Por Adilson Marcelino

“Todo dia era dia de índio, mas agora ele só tem o dia 19 de abril” já cantava Baby do Brasil, então Baby Consuelo, em hit nas rádios do país em 1981 composto por Jorge Benjor, então Jorge Bem. Passados mais de meio século da colonização e mais de trinta anos da canção, a questão indígena ainda permanece marginalizada por uma cultura reinante no país que ainda a enxerga apenas pelas tintas do exotismo.

Além do sangue e do imaginário, a herança indígena e sua continuidade na cena brasileira seduziu nossos cineastas desde o os primeiros tempos do cinema. Na literatura, José de Alencar construiu todo um universo mítico sobre os índios, não à toa despertando o interesse do cinema ainda na décadas de 1910 e 20 – Vittorio Capelaro com O Garani em 1916, e Iracema, em 1919; Luiz de Barros com Ubirajara em 1919; João de Deus com O Guarani em 1920; Vittorio Capellaro novamente com O Guarani em 1926.

Tanto as hitórias de Iracema como de o Guarani continuaram com forte apelo, resultando em filmes nas décadas de 30, 40, 50, 70 e 90: Iracema (1931), dirigido por Jorge S. Konchin; Iracema (1949), dirigido por Vittorio Cardinalli e Gino Talamo; Iracema, A Virgem dos Lábios de Mel (1979), de Carlos Coimbra. O Guarani (1950), de Riccardo Freda; O Guarani (1979), de Fauzi Mansur; O Guarani (1996), de Norma Bengell

Diferentes modelos de produção e diferentes ciclos do cinema brasileiro focalizaram o tema, pela lente de cineastas como Humberto Mauro, Alfredo Palácios, Nelson Pereira dos Santos, André Luiz de Oliveira, Zelito Vianna, Oswaldo Caldeira, Sérgio Bianchi, Lúcia Murat, Luiz Aberto Pereira, Fábio Barreto, Sylvio Back, Guel Arraes, Andrea Tonacci, Tânia Lamarca.

Este especial da Zingu! O Índio no Cinema Brasileiro apresenta um recorte de oito títulos, em uma produção que vai da década de 1970 até os anos 2000.

Dessa forma, temos do classicismo de Carlos Coimbra em Iracema, A Virgem dos Lábios de Mel (1979) ao cinema de invenção de Andrea Tonacci em Serras da Desordem (2006); das provocações de Sérgio Bianchi em Mato Eles? (1982) e de Sylvio Back em Yndio do Brasil (1995) à versão anódina de O Guarani (1996) dirigida por Norma Bengell; dos impactantes Brava Gente Brasileira (2000), de Lucia Murat, e Hans Staden (2000), de Luiz Alberto Pereira, ao estilo personalíssimo de Guel Arraes com Caramuru, A Invenção do Brasil (2001).

Este recorte, claro, não procura esgotar o tema, e nem estão aqui elencados alguns dos mais importantes filmes. A intenção é apresentar uma diversidade que possa servir como introdução a essa trajetória em que o cinema brasileiro voltou sua lente para a raiz mais profunda do país.

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