Meus Homens, Meus Amores

Dossiê José Miziara

Meus Homens Meus Amores
Direção: José Miziara
Brasil, 1978.

Por Adilson Marcelino

Em Meus Homens, Meus Amores, José Miziara reúne a cantora Rosemmary e a atriz Silvia Salgado como as protagonistas Miriam e Ana. Elas moram no mesmo prédio, são vizinhas de portas, e vez ou outra se encontram no elevador, onde sempre disfarçam o que sentem em conversas banais. Aparentemente, elas não têm nada a ver uma com a outra, a não ser o fato de que são estudantes em uma universidade. Porém, há mais semelhanças entre elas do que ambas possam supor.

Miriam é uma jovem reprimida pelo forte moralismo da mãe, Bárbara Fázio, que se sente ofendida até com propaganda de preservativo. O canal de vazão que encontra para seus desejos eróticos é a pintura, nas quais invariavelmente pinta imagens associadas pela mãe a monstros. Vestida de blusa de manga comprida, saia para baixo do joelho e botas a cobrir o resto da perna, seu jeito de vestir causa deboche nos colegas de faculdade, todos eles doidos para botar as mãos na beldade. Mas é para o personagem de John Herbert, um amigo da família, que ela vai abrir guarda, sem saber que seu ato não só irá causar a repulsa de sua mãe, que se afastará dela definitivamente, como também mudará totalmente sua vida.

Já Ana é casada com Peter, Roberto Maya, um empresário ciumento e escroto que não a deixa trabalhar e a afasta cada vez mais de seus amigos e amigas. Dentre eles está o personagem de João Signorelli, um antigo namorado que tenta reconquistar a amada. Sufocada pela possessividade, agressividade e maus tratos do marido, Ana se sente cada vez mais angustiada e insatisfeita, estado que chega ao auge quando o vê com uma amante. Vivendo em estado crescente de tensão, solidão e opressão, Ana protagonizará ato que irá mudar também sua vida.

Miriam e Ana, até então duas mulheres que tinham na condição de vizinhas o único elo que as ligavam, vivenciarão momentos de clímax que reservará para elas o mesmo destino. Mesmo que, ainda assim, quando se encontrarem mais uma última vez no elevador, pequenas mentiras e dissimulações sobre o que realmente estão vivendo voltarão a dar o tom em suas conversas.

Meus Homens, Meus Amores está situado nos primeiros filmes de José Miziara, período marcado por dois grandes sucessos: O Bem-Dotado – O Homem de Itu (1978) e Embalos Alucinantes – A Troca de Casais (1979) – ambos estrelados por Nuno Leal Maia. A estreia do cineasta foi com Ninguém Segura Essas Mulheres (1976), filme de episódios em que assinou o roteiro e dirigiu o segmento O Furo – protagonizado por Jece Valadão e Nádia Lippi.

Com Meus Homens, Meus Amores, Miziara dá seqüência à abordagem sobre o universo feminino que havia iniciado com O Furo e que estará presente em outros filmes que fará a seguir, como Mulheres do Cais (1979) e As Intimidades de Analu e Fernanda (1980).

Em Meus Homens, Meus Amores, ele já demonstra pulso na direção, como havia feito nos dois filmes anteriores, o que lhe garantirá um lugar especial no cinema popular da Boca Lixo e de grande aceitação por parte do público. No elenco, Rosemmary está linda e bem como atriz, mas quem rouba a cena mesmo é Silvia Salgado, linda e perfeita como a amargurada Ana. Além delas há as boas presenças de John Herbert e Arlete Montenegro, e raríssima participação da atriz Susy Camacho no cinema.

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