As Amantes de Um Homem Proibido

Dossiê José Miziara


As Amantes de Um Homem Proibido
Direção: José Miziara
Brasil, 1978.

Por William Alves

Nuno Leal Maia é um dos mais representativos intérpretes da pornochanchada. Ele foi dirigido por José Miziara em produções como Bem Dotado, o Homem de Itu (1978), e Embalos Alucinantes: A Troca de Casais (1978). Em ambos, ele interpretava o varão dominante, o terror das mulheres, casadas ou não. Já nesse As Amantes de Um Homem Proibido, Nuno continua emanando virilidade – mas aqui a coisa é mais séria.

Ele é Leandro, um foragido da polícia, que participou de um assalto frustrado e acabou matando a sua grande paixão. Durante a ação, ele foi traído pelo seu parceiro (em participação rápida de John Doo). Ele se transforma em um fugitivo de alta periculosidade (sua foto está na primeira página dos jornais) e só resta ao sujeito se esgueirar por matagais e áreas rurais para se manter em liberdade.

Como se trata de um filme setentista com Maia, não há elipses. Ou seja: não aparece nenhum aviso dizendo “Alguns dias depois” no meio da tela. Leandro, que não é bobo nem nada, irá aproveitar todos os noventa minutos da produção para cativar algumas fêmeas. E o seu intento é alcançado nas formas de Flávia, que o emprega como caseiro (e amante casual) em sua propriedade; e de Marina, uma jovem com problemas com o pai alcoólatra. Enquanto ele concretiza essas conquistas, a polícia vai coletando pistas sobre seu paradeiro.
Há alguns elementos do film noir em Os Amantes…, como a femme fatale e o bode expiatório (no caso, o próprio Leandro), além da corrupção mal disfarçada praticada pelos donos das boates locais. Miziara alia esses elementos ao magnetismo sexual do personagem de Maia (Humphrey Bogart dos trópicos?) que, não por acaso, já está em pleno coito nos primeiros minutos do filme. O diretor também não poupa nas filmagens das belezas naturais, especialmente a que circunda a propriedade de Flávia e que contrasta com o clima sujo das casas noturnas que Leandro freqüenta antes de se instalar lá.

O tom policial do longa é interrompido pelos devaneios de Marina, que sonha acordada em ser possuída pelo fugitivo o quanto antes. Foragido esse que ela havia encontrado apenas uma vez em toda a história. Bate a impressão de que Miziara enfiou essas cenas à força na produção final, meio que para não deixar dúvida de quem é o macho alfa da história. Ou então, para que o seu filme contivesse o maior número de gêneros em um só, mesclando o típico filme policial com o cinema pornô softcore, o que nunca é uma boa ideia. Já o relacionamento com a rica proprietária é melhor desenvolvido: ele chega, ganha confiança e seduz.

Ok, ser o Nuno Leal Maia em plenos anos 70 também ajudou.

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